segunda-feira, 27 de julho de 2009

Três passos para uma masoquista sem rumo

Passo 2:

...

Mudei de idéia. Coloquei-a sobre a cama, como quem debruça uma estátua delicada no melhor canto da sala. Sempre carrego pelo menos uma vela comigo e uma caixinha de fósforos. A de hoje era vermelha, de 10 dias, para produzir muita cêra...

Coloquei a venda na moça, um tanto tensa. Corri meus dedos sobre seu corpo, belisquei os mamilos e beijei sua barriga. Observei o sexo úmido de tesão, apreensivo. O cheiro da pólvora tomou a atmosfera e ela deu um gemido abafado.

A formação da cêra quente é um momento ímpar na cerimônia de dominação; momento em que a domme observa seu alvo com respeito, autoridade, admiração, lascívia. O corpo da deliciosa masoquista havia sucumbido aos meus encantos. Não tratava-se de uma submissa e sim de uma moça que apreciava a dor, mas precisava ser convencida a confiar nas mãos de quem se propunha a subjugá-la.

Pinguei algumas gostas nos seios. Os gritinhos foram deliciosamente excitantes. Ambos ficaram vermelhos quase por inteiro. Torci os mamilos e puxei os prendedores. Delicamentemente apertei cada biquinho, deixando-os roxos.

Decidi amordaçar a moça com um dos meus lenços de seda - o preto. Ficaria mais sexy a cena, para meu deleite solitário. O som dos gritos contidos me excita.

Cada gota que caía, um degrau a mais no prazer. Não me contive e deixei a vela na cabeceira. Tinha que sentir seu néctar com os lábios. Minha leitura é sempre tão mais completa com os lábios, como se neles houvesse uma sinestesia apurada dos sentidos.

Ela estava molhada, rija, crescida, doce. Se contorcia com meu toque da língua. Mas meu limite estava distante. Peguei as cordas e resolvi lhe impor mais uma privação: amarrei-lhe os pulsos e os tornozelos, de forma que ambos ficassem unidos e eu a pudesse mover como uma canoa e, quando conveniente, pudesse afastar suas pernas.

Lindo! Já estava banhada de cêra vermelha cristalizada quando eu resolvi usar meu strap-ons. Ainda vendada, ela pôde sentir o gel frio escorrendo em meio às nádegas. A posição do bondage era perfeita para a penetração. Movimentava os quadris e mordia sua orelha em meio aos cabelos presos na venda. Fiz questão de respirar ofegante na nuca enquanto ela reagia apertando meu "membro" cada vez com mais força. A vadia sabia engolir um pau e não foi diferente com o meu, ainda que não seja exatamente uma parte oficial do meu corpo.



A sensação de comê-la e ir desgrudando a cêra aos poucos era a união perfeita entre a volúpia e o lúdico. Brincamos muito. Ela ria, sentia cócegas, gemia. Tirei a mordaça da boca e a beijei longa e profundamente.

Soltei todas as cordas. Apenas a venda permanecia.

- Agora vamos ver se você é boa mesmo. Me faça gozar!

Como quem tem na sua frente a última garrafinha de água no verão, ela se jogou entre minhas pernas, acertando o alvo de primeira. Vendada, sentia meu calor e excitação crescentes. A menina era realmente muito boa. Ulálá!

Em certos momentos, me fez lembrar meu Monstrinho... saudades...

Enfim, a danada conseguiu me arrancar dois orgasmos dos mais longos, daqueles bons, que deixam a gente com as pernas bambas.

Ainda deitada entre minhas pernas, os olhos ganharam uma malícia a mais:

- Quando vou conhecer teu sub, Mistress?
Pensei um pouco...
- Espero que em breve.
- Passei no teste?
- Que achas?
- Dei o melhor de mim.
- Não creio que deu o melhor de si, mas foi o suficiente para um teste e para te credenciar a conhecer minha peça mais cara.
- Obrigada, Mistress. Na verdade só o fato de estar contigo já foi um prêmio pra mim.
- Não puxe meu saco senão vou mudar de idéia. Sei o que sou, minhas virtudes e fraquezas. O reconhecimento quero que venha em forma de prazer e letras. No teu caso, a primeira opção me basta.

Algo em mim queria ir adiante no diálogo. Porém, respeitando o tempo de cada um, resolvi calar. Ser admirada talvez fosse um boa para manter a masoca no limiar da sensatez. Nada de apologias a verdades ou sanidade, mas bom senso nunca é demais!

Tomamos um banho divertido de banheira, brincamos um bocado e terminamos no cachorro-quente da esquina da minha casa, onde os marmanjos admiravam as únicas mulheres risonhas-desbocadas-ousadas-infantis.

Próximo encontro marcado para o acaso...

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Parabéns por viver seu lado B!***

Foi assim que eu felicitei os meus colegas de twitter praticantes do BDSM hoje. Ok, datas comemorativas são meros pretextos pra várias coisas, porém eu tenho a visão que sempre servem para nos lembrar da importância do motivo que "reserva" aquele momento especial de reflexão. Por que hoje? Dia 24/7...

Vivenciar uma relação BDSM 24 horas, 7 dias da semana é o que muitos adeptos têm como o supra-sumo de uma relação entre dominador e submisso, por isso é escolhida a data 24/7 (leia-se vinte e quatro por sete). Uma relação assim significa que o (a) submisso (a) fica completamente à disposição da dominatrix (ou dominador). Em contrapartida, a domme (ou dom) precisa ampliar o seu repertório para que a prática não caia na rotina - assim como todo casal normal.

Na prática e em minha opinião, o BDSM 24/7 é utópico, mesmo nos moldes de consensualidade. Não porque seja crime, como alguns blogs publicaram hoje...(tsc tsc), mas porque somos bichos sociais e é impossível ter uma relação assim a não ser que convivamos apenas com praticantes do BDSM ou com pessoas completamente livres de preconceitos (o que, convenhamos, não seriam bem humanos, se assim fossem). Além disso, muitas relações BDSM plenas, como é o meu caso, possuem alguns impedimentos como tempo, estado civil e distância. E antes que atirem mil pedras na Mistress aqui, estou apenas sendo franca e expondo minha visão da coisa, com o mínimo de hipocrisia - proposta deste blog desde o início.


Sadomasoquistas não são menos nem mais do que ninguém, não são melhores ou piores, são diferentes, no sentido de serem diferenciados na sociedade que vivemos. A dita sociedade não compreende o que se passa na cabeça de alguém que gosta de apanhar ou que gosta de bater, e por isso, acaba pré-conceituando o sujeito de forma errônea. Por isso, muitos acabam escondendo seus fetiches, suas vontades sob calabouços e porões íntimos por temerem o fantasma do pensamento alheio.


E como é o dia do BDSM, com encontros nas principais capitais, muitos eventos e escritos, não poderia me furtar (nem permitir ao meu Montrinho que se furtasse) a dar os parabéns a todos aqueles que vivem o seu lado B sem medos. Todos passaram por períodos difíceis, com certeza nos questionamos em algum momento sobre nossa normalidade, sexualidade, etc; alguns ainda não tiveram o prazer de ter uma relação SM mais duradoura, onde a tão sonhada confiança e intimidade aconteça; mas certamente merecemos respeito e felicitações pela coragem de viver o fetiche, parte considerada obscura de nossas almas por alguns, mas que nos abre as portas para um "eu" real, sem máscaras (a não ser as que fazem parte da cena), sem pudores, sem condenação.


Sadomasoquistas do mundo usem desta data para mostrar a todos ao seu redor que existe muita coisa além do que conhecemos, de que não existe nada de errado em ter fetiches, ser masoquista ou sádico. Seja sério, sensato e deposite pitadas se curiosidades nas pessoas sobre o assunto; fale, viva, mostre o que realmente é e o que não é, desmistificando o assunto e quebrando tabus intrínsecos nas pessoas e as imagens distorcidas que a nossa anestesiante televisão mostra por muitas vezes.


Aceitem-se e vivam seus fetiches com todo o prazer que eles podem e devem proporcionar, seja no comando, seja na dor, seja em ambos. E faça com que esta data seja somente uma lembrança de velhos tempos e que logo, falar e praticar BDSM, Sadomasoquismo, Fetiche ou coisas assim seja tão normal quanto usar sapato.

*** Obrigada ao meu Monstrinho pela contribuição de idéias e letras...

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Desenhos pelo corpo

Cerveja, fim de noite, companhia dos amigos, uma sobremesa com chocolate bem melecado, lambuzado.

O combinado com um dos amigos havia sido feito ainda no início da semana. Há tempos não tomávamos uma; muitos devaneios a compartilhar.




Junto com ele, um estranho, quase bizarro, com o corpo todo tatuado, olhar profundo, grandes lábios, atitude provocativa de todos os nascidos sob o primeiro signo do zodíaco, misturada a uma quase enternecedora timidez.

Simpáticos e receptivos como sempre, acolhemos a nova "figura" com bom humor e a tradicional pitada de malícia que faz de mim e do Cosmo a dupla preferida de conversas pervertidas da Trindade.

Eu era apenas eu, uma mulher despachada, mas na minha minha. Comum até certo ponto. Nada de Lady Vulgata, por enquanto. Até que uma saída de 20 minutos revelou a minha identidade.

Ao voltar, notei que os olhares da mesa mudaram. Fui acompanhada no balançar das cadeiras até novamente me sentar. Um tanto tímida, notei a proposta no olhar de Cosmo (o delator). Ok, agora o estranho sabia da minha identidade secreta. Que fazer? Nada que me exigisse. Apenas fazer jus a personagem que tanto prazer me traz.

Cavou toda a ousadia que existia dentro do seu ser e se convidou para tomar mais uma cerveja na minha casa. Aceitei. Sabia que, antes de mais nada, estava curioso para saber mais dos seus próprios limites.

Estava cansada, confesso, porém preferi confiar na minha intuição e no faro de Cosmo - sempre excelente olho para perversões e conselheiro de boas trepadas. Não me arrependi. Pelo contrário, me surpreendi!

As únicas coisa da Lady que ele obteve, além de cordas num bondage simples, vendas e umas leves batidas de chicote vermelho, foi o olhar autoritário e a lascívia dominatrix. Em todo o resto, fui eu mesma, na essência de mulher voraz.

Me pegou de todas as formas, me virou, me penetrou todos os orifícios possíveis, me abraçou, me possuiu, se entregou, se abriu ao meu mundo naquele instante infinito. Um maravilhoso e invejável instrumento ele tem, é verdade, mas a atitude é sempre o que decide nessas horas. E uma boa pegada, qual mulher não gosta???

- Entendo um pouco de nós. Fui marinheiro
- É? Então se solte, vendado, e venha me comer...

Desmanchou parte dos nós com os dentes e o resto com a tal habilidade de marinheiro, conhecedor de nós!

Com toda autoridade que lhe concede a influência do signo, examinou meu peircing e as tatuagens. Olhou muito da minha intimidade e partilhou da maior delas: o sono! Pouco, mas suficiente para nos dar forças para a dança da manhã, equivalente a muitas cestas de chocolate!

Os desenhos do corpo do delicioso estranho ficaram, em parte, tatuados nos meus lençóis...

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Feromônios virtuais


Certa vez, num desses almoços cotidianos, uma nova amiga querida soltou uma frase que corrobora um pensamento antigo meu: os homens nos seguem pelo cheiro.

Pois pois, me questiono sobre isso há tempos, sobretudo quando penso nas relações virtuais...

- Mesmo quando eu brinco, eu falo sério
- E se eu te disser que também senti algo estranho aquele dia na despedida?

Esse algo estranho foi nada mais que um beijinho "bobo", daqueles que a gente erra a bochecha de propósito. Mas rendeu...

E vem rendendo graças aos feromônios virtuais. Ora, nosso objeto de escolha (porque somos nós mulheres quem escolhemos, no caso de uma relação hetero) nem sempre pode sentir nosso cheiro com as narinas, mas sente nossa ardência, ainda que por palavras mascaradas via msn, skype, twitter ou qualquer outro meio virtual!

Suspeito que os feromônios virtuais realmente existam e por conta deles sejamos atraídas ao pecado (ooooohhhhhhh) constante, deliciosamente proibido. Agora resta saber como eles se propagam, por que caminhos se dissipam, qual o algoritmo que os traduz.

O dia em que um vivente descobrir esta fórmula terá consigo a chave de muitas portas femininas preciosas, muitas delas escondidas sob avatares medíocres diante de seus potenciais e beleza.

A nós, simples mulheres mortais, donas de si e das suas vontades, ainda dependemos daquela parte que fica entre os olhos, acima da boca. Claro, com generosas pitadas de repertório gestual e palavras bem colocadas, muita carne, lábios e unhas vermelhas, cabelos bem tratados, um belo decote... e pé no chão! ;-)

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Poema do amor falso*

Não quero uma mulher que seja gorda ou magra, ou alta ou baixa, ou isto e aquilo.
Não quero uma mulher, mas sim um porto, uma esquina onde virar a vida e olhá-la de dentro para fora.
Não espero uma mulher, mas um barco que me navegue, uma tempestade que me aflija, uma sensualidade que me altere, uma serenidade que me nine.
Não sonho uma mulher, mas um grito de prazer saindo da boca pendurada no rosto emoldurado, no corpo que se apóie, nas pernas que me abracem.
Não sonho nem espero nem quero uma mulher, mas exijo aos meus devaneios que encontrem a única que quero sonho e espero. Não uma, mas ela.
E sei onde se esconde. E conheço-lhe as senhas que a definem. O sexo ardente, a volúpia estridente, a carência do espasmo, o amor com o dedo no gatilho.

Só quero essa mulher, com todos seus desertos, onde descansar a minha pele exausta e a minha boca sedenta, e a minha vontade faminta, e a minha urgência aflita, e a minha lágrima austera... e a minha ternura eloqüente.
Sim, essa mulher que me excite os vinte e nove sentidos, a única a saber o que dizer, como fazer, quando parar, onde esperar.
Essa a mulher que espero e não espero, que quero e não quero; essa mulherportoesquina que desejo e não desejo que outro a tenha.

Que seja alta ou baixa, isto ou aquilo, mas que seja ela, aquela que seja minha e eu seja dela. Que seja eu e ela. Eu ela eu lá nela. Que sejamos ela.
E eu então terei encontrado A mulher que não procuro, o barco, a esquina, Você. Sim, você, que espreita do outro lado da esquina, no cais, a chegada do marinheiro, como quem apenas me espera.
Então nos amarraremos sem vergonha à luz dos holofotes dos teus olhos e procriaremos gritos e gemidos que iluminarão todas as esquinas.
Será o momento de dizer: Achei/achamos, amei/amamos e por primeira vez vocalizar o Somos, pluralizando-nos na emoção do encontro.

Essa a mulher que não procuro nem espero. Você, viu? Você!

* Publicado originalmente no blog http://contosdapersonagem.blogspot.com
em 13 de Novembro de 2007

sábado, 18 de julho de 2009

Privação


Há tanto tempo eu pretendo manter um escravo numa situação que me desperta verdadeiro furor: privação de orgasmos. Porém, pelos revezes da vida e pelo estado civil de alguns, apenas passei perto do meu ideal.

A noite passada, porém, não sei se embebida pelo ópio dos remédios que me deram na emergência*, ou pelo acúmulo da vontade descrita, ou por ambos, tive um sonho muito interessante. O moço em questão, pessoa que não encontro fisicamente há algum tempo, vestia um casaco de couro preto, roupas claras por baixo e um jeans bem surrado. Os cabelos (como sempre) amarrados.

Fazia frio; estávamos num local bonito em meio ao nada. Era como um restaurante, rodeado de pedras e terra batida. Boa música e a comida tinha uma linda aparência. Parece que sinto os cheiros das panelas ainda agora.

Ele me abraçou e era muito carinhoso comigo. Sabíamos que seria imperativo ficar um tempo sem relações sexuais. Os motivos não eram claros, entretanto não chegava a ser um entrave. Sorríamos o tempo todo.

Em pouco tempo, peguei um pequena chave e disse que a esconderia num local seguro, porém não impossível de ser descoberto. Ele me olhou com aprovação, tesão e um pouco de apreensão.
[...]
Cenas depois ele estava no quartinho da pousada em meio às pedras com uma espécie de cinto de castidade. Olhava para mim com um ar de renúncia e fechava o cadeado.

Eu, maliciosa, sorri aprovando o ato. Logo além da cena, não parecia mais um cinto de castidade e sim a própria vontade de me agradar que o impedia de se excitar com qualquer estímulo. Ele foi impelido e exposto a diversas situações visuais, sensoriais, que o fariam ter uma ereção em segundos numa hipótese normal. Mas não; ele se mantinha casto apenas pela minha autoridade de Mistress.

Onde eu guardei a chave? Às vistas dele, guardei num coração de alcachofra que havia trazido para o quarto... Entendi que a alcachofra ficaria no local como um porto seguro, imóvel, sem a nossa presença, mas ao nosso alcance sempre que quiséssemos!

O sonho parece um tanto confuso e sequer sei se me fiz entender. Quis contar porque é algo que faz parte da minha imaginação e do meu universo de fetiches. Além disso, este blog nasceu com a pretensão de ser um espaço de confissões.

Mesmo considerando que a cada qual cabe suas irrealizações (desde ontem estou com essa frase na cabeça), aos sonhos tudo é permissivo e por eles todos somos libertos, amados, respeitados e adorados como merecemos!

* Tive um crise de pressão alta na sexta, fim de tarde, mas já estou bem!

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Comparações limitadas


Ele não podia sentir nada além de aromas. Ouvia passos estalados pelo salto das botas no taco antigo. Vez em quando sentia o calor do corpo dEla mais próximo ao seu; bocas que se encontravam.

Vendado, amarrado, deitado e calado. Assim era o próprio objeto de prazer. O tempo havia dilatado o máximo do limite administrável. Logo, o castigo seria multiplicado pelo número de dias que excediam a sua saudade. Muitos sonhos a realizar, três planos a seguir.

Ela o observava sem pressa, como quem se perde no devaneio da paixão. Contemplando seu escravo mais caro, arquitetava as ações seguintes, equilibrando a ansiedade e a prática. Deitou-se sobre ele para que sentisse o peso de seu corpo. Acariciou e beijou cada parte do seu objeto precioso.

Abriu suas pernas e lhe ofereceu o sexo como prêmio por ser tão sádico enquanto submisso. Aquela língua sem controle que a faz perder todos os sentidos... Enquanto se deliciava, contava a ele sua última experiência, dizendo que havia transado com outro masoquista pensando na língua em questão. Agarrou seu membro com força

- Sabe, Monstrinho, eu permiti que aquele projeto de submisso me comesse apenas pelo prazer da comparação.

Ele só podia gemer. Mesmo vendado, tinha certeza do olhar que naquele momento se formava com as palavras e o aumento da excitação...

- Depois que bati bastante nele, subi sobre seu corpo assim como estou fazendo agora contigo. Ele se esforçou muito para me dar prazer, mas nada se compara ao músculo mais forte da ti que me pertence

Com um gemido mais longo, ele quis concordar.

- Depois que ele me fez gozar (sim, porque ele conseguiu), sentei sobre seu pau e me movimentei com toda graça que sei. Quis que ele provasse do verdadeiro pompoarismo para que me tenha como meta de prazer absoluto sempre. Assim como a vaidade está para a devassidão, senti o quanto prefiro o teu pau nas minhas entranhas.

Agora ela sabia que havia mexido com os seus brios. Misto de provocação, ciúme, possessão e satisfação por se sentir literalmente "fodástico", aumentou o ritmo das lambidas e a Rainha se sentiu a máxima majestade sobre seu trono!

Um gozo lascivo e abundante inundou a boca do seu querido. Um tanto lânguida, quis continuar o treinamento psicológico. Apenas deslocou seu tronco para trás e abocanhou seu membro com o sexo ainda pulsante, enxarcado de tesão.

- Aí, cada vez que eu apertava seu pau ASSIM com minha buceta, ele se contorcia. E eu só pensava em como teus quadris mexem melhor, vadia! Nada como cavalgar em ti... Quero gozar te olhando, vendo teu sorriso malicioso me adorando...
- Minha Rainha pare senão não consigo me controlar
- E quem te disse que quero teu controle? Quem tem controle aqui sou eu! Vai, me inunda com vontade! Mostra quanto de saudades tu guardavas pra mim

Derrotado pela volúpia, ele cedeu aos apelos da dona e gozou de forma intensa, abundante. Ela, inebriada pelo resultado da sua vadiagem, repetiu o êxtase, misturando seu orgamo ao dele.

Os olhos foram libertos para que contemplassem o júbilo do laço sadomasoquista. Porém, as cordas só seriam soltas bem mais tarde...

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Quase quatro horas depois...

Passava das cinco da tarde e meu dia havia sido quase nulo no trabalho. A cabeça não parava de pensar naquelas coxas e naquela bundinha arrebitada, vestindo apenas uma calcinha minúscula por baixo da sainha plissada.

Decidi sair um pouco mais cedo. Foda-se. Amanhã chegaria duas horas antes para compensar o trabalho não feito, porém com certeza estaria muito satisfeita. Meus planos não eram nada modestos; incluíam várias horas de malabarismos instintivos...

Queria ser sádica, sórdida, mas apaixonada. No caminho vinha matutando as mil idéias que me consumiam. Era tanta pira para pouco tempo e um corpo balzaquiano. Bateria nele, com certeza, inclusive por me fazer esperar tanto tempo para tê-lo em minha cama.

Vamos, menina, seja original, pensava eu com meus botões. Abri a porta e decidi deixar minha voracidade falar (assim como dizia o bilhete perdido no casaco) . E onde estaria minha Sissi? Procurei por todos os cantos da casa e nada. Uma coisa me intrigava: a cópia reserva que eu havia dado a ele estava pendurada no chaveiro da cozinha. A pergunta agora era: como ele tinha saído e trancado a porta se a chave estava lá?

Pensei um pouco e nada me vinha como resposta. Já frustrada pelo tesão interrompido, decidi tomar outro banho para relaxar. Talvez assistisse um filme, talvez lesse um livro. Ligar praquela vadia? Nem pensar! Por mais que estivesse preocupada, seguiria meu código de ética com ele até o fim. Um bilhete e um sms não custariam nada praquele cretino...Enfim, não adiantaria arrancar os cabelos ou me estressar.

Pus uma música. Logo meu companheiro de moradia chegaria e com certeza riríamos muito. Fui tirando a roupa e lendo uma revista jogada no sofá ao mesmo tempo. Quando estava praticamente nua, escuto o barulho da fechadura. Putz, meu amigo chegou mais cedo, pensei. Procurei meu hobby e vesti rapidamente.

- Chegou mais cedo, colega?

Ninguém me respondeu.

- Agora tá surdo, é? Saí já rindo em direção à sala...

Qual a minha surpresa, quem está na porta é meu Monstrinho, com uma mochila enorme, sem as roupas que vestia de meio-dia (obviamente) e com ambas as mãos para trás. Os olhares se cruzaram surpresos. Tanto ele não esperava me ver, quanto eu não esperava que ele voltasse, ainda mais sem a chave...

- Como fez pra entrar? E por que foi embora sem me avisar?
- Minha Rainha, na verdade... Ai que droga, queria fazer uma surpresa!

Meu corpo voltou a incendiar. Não disse palavra, mas era como se o Etna retornasse à ativa. Se ele passasse a me fazer surpresas, teria aprendido mais uma das lições de "Sissi": o valor das surpresas para uma mulher.


Nada mais prazeroso e gratificante para uma alma feminina do que surpreender seu par ou ser supreendida.

- Se a Rainha permitir, eu ainda consigo montar parte dela.
- Claro. Agora estou curiosa e excitada pelo que me aguarda. Vi que traz alguma coisa que não posso ver e só por isso não vou me aproximar e te beijar, vadia. Não demore!

Entrei no banheiro e me preparei para um longo e delicioso banho.

- Por favor, Rainha, quando estiver pronta me avise para que eu ajeite tudo aqui a tempo e não estrague a surpresa, gritou minha Sissi querida do quarto.
- Take it easy, babe!

Me perdi nos devaneios. Como já estava excitadíssima, aproveitei para me tocar delicadamente. Passei um pouco de óleo de canela nos seios, com os bicos duríssimos e com o resto acariciava minha bunda, coxas e meu grelo. Quando estava quase chegando lá, decidi parar e ficar molhada. Sairia do banho ainda com o sexo encharcado de tesão, óleo perfumado e água. Pus o tapete mais perto da porta e avisei.

- Estou saindo...
- Um minuto, Rainha... Pode vir

Saí porta afora como uma leoa no cio. Parei na entrada do meu quarto quando vi a cena mais linda que uma dominatrix (e uma mulher) pode viver. Minha cama coberta de flores coloridas, de todos os tipos minúsculos. Um perfume maravilhoso no ar e ele, minha Sissi, vestidinha de meias arrastão, sapatos de saltos stiletto pretos, calcinhas e sutiã que eu dei de presente e uma camisola preta fininha por cima. Estava "linda", cabelos presos e a tradicional cara de safado que nunca me deixa esquecer que trata-se de um homem delicioso.

Ao me ver nua, seus olhos fixaram em algumas partes do meu corpo que sei que ele gosta como seios, pernas e pés. Volta e meia subia e me fitava os olhos com desejo. Ambos temos os olhos verdes, o que nos confere todo o ar de mistério e lascívia possíveis aos portadores desse matiz.

Lentamente eu me aproximei dos seus lábios e o beijei. O beijo dessa vez nada de "morno" tinha. Parecíamos estar num deserto, onde nossa única fonte era a própria saliva.

Passando minhas mãos delicadamente sobre seu corpo, fui sentindo cada pedaço da pele do meu objeto de prazer. É certo que a calcinha tinha um volume muito acima do normal para uma dama, o que me deixava mais e mais excitada. Vi que o safado tinha deixado todos os meus "intrumentos de trabalho" no banquinho ao lado da cama, separadinhos, incluindo as camisinhas, cordas, strap-ons, lubrificante, bolinhas e chicotes. Senti falta do plug verdinho básico. Um sorriso safado invadiu a carinha do meu Monstrinho. Pus a mão na bunda da minha putinha e senti o plug por baixo da calcinha. Meu tesão foi a milhão. Queria morrer trepando com aquele ordinário que tanto me fazia feliz...

Deitei minha Sissi na cama, com toda delicadeza que uma fêmea exige na preparação do coito. Beijos, carícias e minhas mãos tirando a camisola e as meias. Lambi cada parte do seu corpo com carinho. Peguei as cordas, amarrei cada pulso em uma das canelas. Beijei seus lábios e pedi que confiasse em mim.

Vesti meu strap-ons e retirei o plug do seu cuzinho. Lambi todo o seu sexo, as bolas e a entradinha apertada da minha menina. Fiz com que ficasse bem relaxado. Puxei um dos meus lenços da caixa e vendei seus olhos para que se deliciasse com a imaginação da cena, curtindo as sensações, os cheiros, o toque do meu corpo no dele.

Coloquei uma camisinha de menta, bastante lubrificante e aos poucos fui penetrando o cuzinho já arrombado pelo plug. Fui soltando as cordas que prendiam suas mãos para que mergulhasse na cena. O pretinho básico não é tão simples de ser "engolido", mas minha Sissi foi maravilhosa, sugando meu "membro" com voracidade, rebolando no meu corpo extensor, enquando apertava meus seios e gemia baixinho.

As flores se misturavam ao nosso suor. Deitei sobre ele. Os beijos cadenciavam com o vai-e-vem dos nossos corpos. O perfume das flores se misturava ao cheiro do óleo de canela e ao aroma da pele dele. Química mais perfeita entre uma Rainha e um submisso não poderia existir. Cumplicidade maior entre um homem, uma mulher e seus fetiches seria pouco provável.

Gozamos juntos em sincronia de corpos e desejos.

Quase desfalecendo em seus braços, dei por conta que a porta do quarto estava aberta e que, se meu amigo tivesse chegado, nem teria prestado atenção.

- Relaxa! Ele me ajudou. Ou como pensa que fiz para entrar aqui de novo sem a minha chave e como fiz para comprar as flores sem conhecer as redondezas?
- Safados...
- E ainda tem uma coisinha pra senhora comer lá na cozinha, moça
- Jura? Que chique! Estou com fome. Vamos?

Era algo delicioso, mas diante de tanta paixão, perde a graça contar o que os dentes mastigaram após esse tanto de amor...

quarta-feira, 8 de julho de 2009

vinho quente desperta a volúpia?

O chefe re-ensinou a receita da nona: duas gemas, duas colheres grandes de açúcar; bater numa gemada lisa e branquinha; misturar ao vinho aquecido no microondas lentamente e beber já na cama. No caminho de casa, algumas palavras sobre como aprender a viver.

Não sei se foi a lembrança, se foi o cuidado do chefe e a gentileza de me levar em casa, mas sei que funcionou. Um sono profundo me invadiu o corpo e a alma.

Havia dezenas de computadores negros numa sala escura e fria. Luzes pequenas azuis piscavam ininterruptamente e alguns lampejos vermelhos saltavam no espectro vez em quando. Um gato preto atravessa a imensa sala. No fundo, em uma das cadeiras, uma pessoa sentada e compenetrada nas imagens confusas que perpassavam a tela do computador.

Eu estava vestindo apenas uma camisola preta de um tecido fino e transparente. Conforme meus passos avançavam na direção do rapaz, o tecido "reagia" aos movimentos do corpo. Estava descalça e a certa altura o gato passou a me acompanhar.

Chegando mais perto, pude ver de quem se tratava. O comprimento e a cor dos cabelos foram suficientes para entregar a identidade do solitário nerd. Pensei que faria uma surpresa, mas ele parecia estar me monitorando. Há cerca de 10 metros, ele virou-se e levantou para me abraçar. Um longo abraço...

Eu estava um tanto ébria, não por álcool, mas por algum torpor da própria sala. Meu querido entregou-me as cordas. Num instante uma imensa parede ergueu-se em meio aos computadores. Tirei suas roupas, beijei seus cabelos e o amarrei na pilastra ultramar fosca. Manifestava uma habilidade no bondage que reside em meus sonhos, mais de fato ainda não a possuo. Os nós ficaram perfeitos, simétricos! Quanto mais eu o deixava sem escolhas, mais ele me olhava com prazer. Soltei os seus cabelos e coloquei em sua boca um lenço negro que guardava amarrado na ponta da camisola.

Com uma pequena fita, amarrei seus testículos separando delicadamente cada hemisfério. O nó final brindou a ereção e a essa altura as gotas de prazer já molhavam o chão. A cena era linda! Quisera eu saber desenhar ou pintar...

Minha única alternativa naquele momento era colocar a boca no centro do amor de meu par. Ordenei que não ejaculasse, mas me empenhei em lambê-lo e chupá-lo de todas as formas possíveis. Minha língua passeava por seu sexo, descia pelas fitinhas que cercavam suas bolas. Quando senti seu falo latejar, pressionei a base para que o gozo não fosse naquele momento. Queria mais e queria de outro jeito...

Afrouxei os nós e de alguma forma um tanto mágica e permissiva apenas nos sonhos, eu o amarrei de costas, deixando boa parte do seu corpo livre. Ainda amordaçado, tocava meu próprio sexo e dava de beber a ele em conta gotas, puxando o lenço de lado levemente. Seu prazer parecia alucinógeno. Puxei seus cabelos e eis que surge minha companheira de labuta. Vesti o strap-ons e o segurei firmemente pelos quadris. A pressão do corpo dele contra a pilastra fez minha mão que o masturbava ficar levemente esfolada. A respiração aumentava no ritmo das estocadas. As tiras da cinta me roçavam de uma forma a imitar a língua mais deliciosa que conheço.


A iminência do clímax chegou ao insuportável e a tortura perderia a graça diante de tanto tesão sincronizado. Deixando o brinde aos deuses do amor, jorrou o líquido abençoado em minhas mãos simultaneamente ao que escorreu de leve em minhas coxas.

Acordei com a mão doendo... Creio que plasmei parte da volúpia...
Se assim for, nem é tão ruim ficar doente!

sábado, 4 de julho de 2009

Doce vampiro


Era como uma sombra na noite fria e vazia. O sono estava abraçando todo o corpo cansado e curioso dela. Já sem expectativas, o telefone toca.

- Ainda me esperas?
- Na verdade estava entregando as vistas...
- Estou em frente à tua casa. Me permites subir?
- Venha

Todo sombrio, semblante e roupas, cabelos presos, mas o mesmo olhar ingênuo de quem imagina que todas as questões estão encerradas na vida aos 21 anos. Sua altivez sempre a comoveu, desde o dia em que cruzaram os olhares naquela tarde despretenciosa.

Mas ontem foi diferente. Ele veio disposto a se deixar conhecer, tanto em suas fragilidades, em seus medos, quanto nas suas virtudes mais secretas. Assim como Lestat se embrenharia na calma de uma noite sensual, ele penetrou na sua vida com uma exposição quase pornográfica.

Cantou, dançou, recitou e fumou. Se permitiu ficar embebido e embriagado com os muitos goles de cerveja e o discurso erótico provocador da rubra ameaçadora.

- Tenho medo de ti, mas anseio por tê-la de forma mais íntima
- O medo faz parte do desconhecido

Uma pirâmide de alumínio, seda e cinzas de cigarro e fumo, música, desenhos, conversas, provocações e diplomacia. Apenas os olhos eram certeiros e coerentes.

Sim, agora eu tenho certeza. Ele fechou o back, soltou os cabelos, deu longas baforadas e me olhou por vários segundos eternos. A concretude nem foi pela doçura dos lábios, mas pela fragilidade que se fez em meu colo e no discurso quase perfeito, denunciando a entrega...

- No fim é o que todos nós queremos: fazer sexo e encontrar o prazer mais básico
- Todo o resto se torna dispensável, meu caro

E assim foi...