quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Seis mãos

Dividir o cenário de comando com meu Monstrinho - Esta situação me parecia absurda sob qualquer hipótese, mas não naquele fim de tarde, quando a terceira pessoa era quem era. Pelas janelas da minha alma, ela se mostrava aflita; pele clarinha, seios bem feitos, barriga lisinha, belas coxas e um traseiro convidativo. Os olhos são tímidos, contrastanto com a boca gulosa, sedenta de prazer. Os cabelos médios escuros, lisos, muitos brilhantes e cheirosos.

Não sei como ela chegou ao meu quarto, mas sei quem a levou. Estava me testando? Ao invés do constrangimento, uma sensação de torpor tomou conta de mim. Olhei para ela como se avalia uma peça de rara beleza. Ele, postado estrategicamente atrás da moça, murmurava palavras sacanas em seus ouvidos, sem tirar os olhos de mim.

Parte dos longos cabelos do meu sub - agora, um partner cheio de atitude em comando - caía sobre os ombros alvos da belle de jour. Aos poucos ela se entregava e permitia que suas roupas fossem jogadas longe. As mãos dele percorriam todo o seu corpo, parando de forma mais longa nos seios. Ver os olhos dele se fecharem ao tocar os bicos dos seios dela me enchia de tesão e fui me aproximando. Atrevida, fez menção em escondê-lo de mim, como se o quisesse com exclusividade ou se tivesse a real propriedade. Ledo engano. Neste ínterim, quem comanda sou eu e ela entenderia isso rápida e deliciosamente...

Mais uma vez os lábios dele se moveram da nuca para o ouvido, murmurando algo que destravou suas pernas. A essa altura eu já sentia a respiração da bela no meu queixo, tão próxima eu estava, encarando-a com autoridade e desejo.

A habilidade do meu sub ainda não havia se desvencilhado da calcinha, tarefa que ele endereçou a mim pelo reflexo verde na penumbra. O vento soprava forte na janela, fazendo o corpo dela ficar mais rijo. Com a mão direita, afastei a calcinha e toquei seu clitóris, úmido e excitado. Com meus lábios a beijei com ardor, conquista e consumação. Com a mão esquerda atravessei o corpo dela, tocando o sexo do meu sub que já empurrava seu traseiro. Num instante me desfiz da última peça que ela usava.

Enquanto a beijava e a masturbava, sentia o ritmo da respiração dele aumentar e reagir às carícias no seu membro. Um das mãos dele então passou pelo meu pescoço e me puxou. Ela, aprisionada entre nós, se obrigou a presenciar nossas línguas se enroscando. Mas ao contrário de protestar, passou a participar e nos tocar com suas mãos, numa atitude ainda passiva, porém desejosa.

Tímida, suas mãos percorriam meus seios, como quem descobre um passeio diferente de férias. Larguei a boca dele e voltei a sentir o beijo mais delicado da moça, que me pedia com o olhar que fizesse aquilo que nem ela bem sabia o quê.

Olhei para ele, que sorriu maroto, aprovando minha intenção. Desci com os lábios pela barriga, coloquei uma das pernas dela em cima da minha cadeira em frente ao notebook e comecei a usar a língua maliciosamente. Não sei se estranhando o piercing ou porque realmente meu talento é admirável, ela se contorcia e dava gritinhos. Ele a segurava, beijando suas costas, acariciando meus cabelos. Quando notei que ela estava próxima ao gozo, segurei o intrumento dele com força, impelindo-o para que a penetrasse. O movimento dos quadris de ambos denunciava a tentativa feliz.

Com um movimento da cabeça, pude sentir o sexo dela pulsando e o dele tocando minha língua enquanto eu a chupava. Ambos iriam gozar muito rápido.

Os gemidos aumentaram e a violência dos movimentos agora era evidente. Afastei o rosto e ele, parecendo entender minha volúpia, tirou o pênis dela para gozar na minha boca. Felizmente ele não esqueceu que todos os seus orgasmos me pertencem. Os jatos passaram pela pele e pelo gozo dela, inundando meu rosto de prazer.

Levantei e fui até o banheiro me recompor. Quando voltei, ambos me olhavam com cara de satisfação, como se eu houvesse realizado uma fantasia impossível. De certa forma, havia alguma razão nos olhares, mas eu pouco me importava. Afinal, nenhum amor anula nossa animalidade!

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Rampeira de luxo


Mais uma peça da Lady. Coisas em comum com seu sub preferido: cabelos longos, nome, descendência, hobby, idade, estado civil e alguns fetiches. Este, um tanto mais ousado, se dispos de cara a realizar uma grande fantasia da mulher dominatrix: ver sua putinha de luxo perambulando pela rua como uma vadia profissional!

Os impedimentos, muitos. A coragem, bastante. O medo e a excitação, quase incontroláveis.

Vesti aquela coisinha linda com meias de seda, cinta-liga, calcinha bem pequena, uma sainha plissada bem curtinha; a blusa era justa, por cima de um sutiã de enchimento surrupiado da mulher. Os sapatos delicadamente escolhidos num brechó, encaixaram-se com perfeição nos pés da minha querida. Ficou linda aquela sissy de cabelos soltos. Lindos cabelos, aliás, lisos até as costas e cachos generosos nas pontas. Cabelos parecidos com os meus, inclusive, não fossem pelo brilho castanho natural.

Tive o cuidado de deixar alguns acessórios dentro do carro de forma que pudesse pegá-los com facilidade e escondê-los sem dificuldade. Lenços são perfeitos nessas ocasiões e pouca gente entende o porquê de eu ter tantos, de tantas cores e tamanhos.

Pronta para a cena do meu roteiro particular, pus a sissy no banco do carona e me dirigi àquela rua notoriamente convidativa ao prazer. Tínhamos que nos preocupar em não perturbar as trabalhadoras habituais e oferecer concorrência. Afinal, é de conhecimento comum que todos os pontos são demarcados por linhas imaginárias construídas por seus donos. E eu possuía apenas um trunfo pouco confiável: a camaradagem com um desses donos de espaços imaginários e exploração destes corpos bem reais.

Minha sissy tremia. Tentei acalmá-la com um beijo suave, alisando suas coxas. Pouco efeito fez na tremedeira das suas pernas. Perguntei se queria desistir e ela, com olhos fixos nos meus, reafirmou que não perderia a oportunidade de retribuir minha lealdade. Feliz... Como é bom saber que há pessoas que têm no sangue a ousadia e a coragem para realizar os seus próprios desejos e os de quem se estabelece uma parceria!

Naquele momento ela / ele ganhou muitos pontos comigo. Se já havia gostado da conversa e das brincadeiras iniciais, agora uma certeza crescia dentro de mim: finalmente teria uma peça próxima o suficiente para eu ensinar de fato a arte da feminização!

Abri a porta do carro numa das esquinas da rua em questão. Ela desceu imponente no salto, com seus quase 1,90 m de altura e os cabelos esvoaçando no vento frio que soprava do mar naquela noite. Seriam apenas alguns minutos. Fiquei na esquina oposta contemplando o seu caminhar esguio em meio às lamparinas do século 19. O primeiro carro que passou fez menção em parar, mexeu com ela e seguiu, talvez por não ter obtido resposta à sua pergunta. A todo instante ela me olhava, num misto de incredulidade e alegria, qual criança que aprontou uma travessura e se sente satisfeita com o passo a mais dado em busca da descoberta.

Passaram-se cerca de 10 minutos e eu fiz sinal de luz para que entrasse. Avistei uma outra "moça" se aproximando, com certeza para tomar satisfações. Ela entrou no carro, gelada, trêmula, porém com um largo sorriso nos lábios e um olhar indescritível de realização.

Eu era só pensamentos. Fugidios e impertinentes pensamentos. Muito prazer eu senti, mas ainda confesso que algumas lembranças insistiram em assaltar minha mente em cenas que agora pertenciam a um outro alguém...

sexta-feira, 31 de julho de 2009

dia mundial do orgasmo


na minha completa impossibilidade de pensar direito e sequer escrever linhas sobre o meu assunto favorito devido a gripe fortíssima que me pegou e me derrubou, pelo menos um vídeo eu tinha que postar...

felicidades e muitos orgasmos a todos...

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Ser ou não ser?


Ontem mais uma vez me perdi nos questionamentos após o ato e o cigarro. A costura do edredon ficou mais evidente, assim como os contornos da barba dele e a brasa que queimava na penumbra.

Ser domme é muitas vezes renunciar aos anseios da mulher. Quantas vezes eu quis apenas deitar e sentir um corpo pesando sobre o meu, sem a preocupação de comandar a cena. Ou adormecer com alguém ao lado sem a paranóia de estar agradando ou não.

Pois foi nos braços de um menino estranho que eu consegui essa leveza após longos meses de renúncia de mim mesma; da renúncia da mulher pela personagem. E cá não estou dizendo que é um sacrifício ser a Mistress ou que não me alimente da vaidade dela. Tampouco estou reclamando da imensa sorte que a vida me sorri quase todos os dias também no campo afetivo / sexual. Mas às vezes é tão bom ser leve, ser uma mulher simples, que quer um orgasmo comum numa foda comum com um papo comum, longe de elucubrações, teorias e pesos que não me pertencem (ou não, diria Dudu). Longe dos chicotes, das vendas, das velas, das roupinhas sexys. Apenas corpos nus, imperfeitos, excitados pela água quente correndo pelo corpo em meio à espuma do sabonete.

Aliás, venhamos e convenhamos, como é bom fazer sexo no chuveiro!!!

Não sei se ainda verei o menino, mas ele com certeza aliviou meus ombros e colocou um sorriso mais maroto nos lábios maliciosos da menina que ainda habita em mim. Lembrou-me o quanto é bom ser simples!

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Três passos para uma masoquista sem rumo

Passo 2:

...

Mudei de idéia. Coloquei-a sobre a cama, como quem debruça uma estátua delicada no melhor canto da sala. Sempre carrego pelo menos uma vela comigo e uma caixinha de fósforos. A de hoje era vermelha, de 10 dias, para produzir muita cêra...

Coloquei a venda na moça, um tanto tensa. Corri meus dedos sobre seu corpo, belisquei os mamilos e beijei sua barriga. Observei o sexo úmido de tesão, apreensivo. O cheiro da pólvora tomou a atmosfera e ela deu um gemido abafado.

A formação da cêra quente é um momento ímpar na cerimônia de dominação; momento em que a domme observa seu alvo com respeito, autoridade, admiração, lascívia. O corpo da deliciosa masoquista havia sucumbido aos meus encantos. Não tratava-se de uma submissa e sim de uma moça que apreciava a dor, mas precisava ser convencida a confiar nas mãos de quem se propunha a subjugá-la.

Pinguei algumas gostas nos seios. Os gritinhos foram deliciosamente excitantes. Ambos ficaram vermelhos quase por inteiro. Torci os mamilos e puxei os prendedores. Delicamentemente apertei cada biquinho, deixando-os roxos.

Decidi amordaçar a moça com um dos meus lenços de seda - o preto. Ficaria mais sexy a cena, para meu deleite solitário. O som dos gritos contidos me excita.

Cada gota que caía, um degrau a mais no prazer. Não me contive e deixei a vela na cabeceira. Tinha que sentir seu néctar com os lábios. Minha leitura é sempre tão mais completa com os lábios, como se neles houvesse uma sinestesia apurada dos sentidos.

Ela estava molhada, rija, crescida, doce. Se contorcia com meu toque da língua. Mas meu limite estava distante. Peguei as cordas e resolvi lhe impor mais uma privação: amarrei-lhe os pulsos e os tornozelos, de forma que ambos ficassem unidos e eu a pudesse mover como uma canoa e, quando conveniente, pudesse afastar suas pernas.

Lindo! Já estava banhada de cêra vermelha cristalizada quando eu resolvi usar meu strap-ons. Ainda vendada, ela pôde sentir o gel frio escorrendo em meio às nádegas. A posição do bondage era perfeita para a penetração. Movimentava os quadris e mordia sua orelha em meio aos cabelos presos na venda. Fiz questão de respirar ofegante na nuca enquanto ela reagia apertando meu "membro" cada vez com mais força. A vadia sabia engolir um pau e não foi diferente com o meu, ainda que não seja exatamente uma parte oficial do meu corpo.



A sensação de comê-la e ir desgrudando a cêra aos poucos era a união perfeita entre a volúpia e o lúdico. Brincamos muito. Ela ria, sentia cócegas, gemia. Tirei a mordaça da boca e a beijei longa e profundamente.

Soltei todas as cordas. Apenas a venda permanecia.

- Agora vamos ver se você é boa mesmo. Me faça gozar!

Como quem tem na sua frente a última garrafinha de água no verão, ela se jogou entre minhas pernas, acertando o alvo de primeira. Vendada, sentia meu calor e excitação crescentes. A menina era realmente muito boa. Ulálá!

Em certos momentos, me fez lembrar meu Monstrinho... saudades...

Enfim, a danada conseguiu me arrancar dois orgasmos dos mais longos, daqueles bons, que deixam a gente com as pernas bambas.

Ainda deitada entre minhas pernas, os olhos ganharam uma malícia a mais:

- Quando vou conhecer teu sub, Mistress?
Pensei um pouco...
- Espero que em breve.
- Passei no teste?
- Que achas?
- Dei o melhor de mim.
- Não creio que deu o melhor de si, mas foi o suficiente para um teste e para te credenciar a conhecer minha peça mais cara.
- Obrigada, Mistress. Na verdade só o fato de estar contigo já foi um prêmio pra mim.
- Não puxe meu saco senão vou mudar de idéia. Sei o que sou, minhas virtudes e fraquezas. O reconhecimento quero que venha em forma de prazer e letras. No teu caso, a primeira opção me basta.

Algo em mim queria ir adiante no diálogo. Porém, respeitando o tempo de cada um, resolvi calar. Ser admirada talvez fosse um boa para manter a masoca no limiar da sensatez. Nada de apologias a verdades ou sanidade, mas bom senso nunca é demais!

Tomamos um banho divertido de banheira, brincamos um bocado e terminamos no cachorro-quente da esquina da minha casa, onde os marmanjos admiravam as únicas mulheres risonhas-desbocadas-ousadas-infantis.

Próximo encontro marcado para o acaso...

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Parabéns por viver seu lado B!***

Foi assim que eu felicitei os meus colegas de twitter praticantes do BDSM hoje. Ok, datas comemorativas são meros pretextos pra várias coisas, porém eu tenho a visão que sempre servem para nos lembrar da importância do motivo que "reserva" aquele momento especial de reflexão. Por que hoje? Dia 24/7...

Vivenciar uma relação BDSM 24 horas, 7 dias da semana é o que muitos adeptos têm como o supra-sumo de uma relação entre dominador e submisso, por isso é escolhida a data 24/7 (leia-se vinte e quatro por sete). Uma relação assim significa que o (a) submisso (a) fica completamente à disposição da dominatrix (ou dominador). Em contrapartida, a domme (ou dom) precisa ampliar o seu repertório para que a prática não caia na rotina - assim como todo casal normal.

Na prática e em minha opinião, o BDSM 24/7 é utópico, mesmo nos moldes de consensualidade. Não porque seja crime, como alguns blogs publicaram hoje...(tsc tsc), mas porque somos bichos sociais e é impossível ter uma relação assim a não ser que convivamos apenas com praticantes do BDSM ou com pessoas completamente livres de preconceitos (o que, convenhamos, não seriam bem humanos, se assim fossem). Além disso, muitas relações BDSM plenas, como é o meu caso, possuem alguns impedimentos como tempo, estado civil e distância. E antes que atirem mil pedras na Mistress aqui, estou apenas sendo franca e expondo minha visão da coisa, com o mínimo de hipocrisia - proposta deste blog desde o início.


Sadomasoquistas não são menos nem mais do que ninguém, não são melhores ou piores, são diferentes, no sentido de serem diferenciados na sociedade que vivemos. A dita sociedade não compreende o que se passa na cabeça de alguém que gosta de apanhar ou que gosta de bater, e por isso, acaba pré-conceituando o sujeito de forma errônea. Por isso, muitos acabam escondendo seus fetiches, suas vontades sob calabouços e porões íntimos por temerem o fantasma do pensamento alheio.


E como é o dia do BDSM, com encontros nas principais capitais, muitos eventos e escritos, não poderia me furtar (nem permitir ao meu Montrinho que se furtasse) a dar os parabéns a todos aqueles que vivem o seu lado B sem medos. Todos passaram por períodos difíceis, com certeza nos questionamos em algum momento sobre nossa normalidade, sexualidade, etc; alguns ainda não tiveram o prazer de ter uma relação SM mais duradoura, onde a tão sonhada confiança e intimidade aconteça; mas certamente merecemos respeito e felicitações pela coragem de viver o fetiche, parte considerada obscura de nossas almas por alguns, mas que nos abre as portas para um "eu" real, sem máscaras (a não ser as que fazem parte da cena), sem pudores, sem condenação.


Sadomasoquistas do mundo usem desta data para mostrar a todos ao seu redor que existe muita coisa além do que conhecemos, de que não existe nada de errado em ter fetiches, ser masoquista ou sádico. Seja sério, sensato e deposite pitadas se curiosidades nas pessoas sobre o assunto; fale, viva, mostre o que realmente é e o que não é, desmistificando o assunto e quebrando tabus intrínsecos nas pessoas e as imagens distorcidas que a nossa anestesiante televisão mostra por muitas vezes.


Aceitem-se e vivam seus fetiches com todo o prazer que eles podem e devem proporcionar, seja no comando, seja na dor, seja em ambos. E faça com que esta data seja somente uma lembrança de velhos tempos e que logo, falar e praticar BDSM, Sadomasoquismo, Fetiche ou coisas assim seja tão normal quanto usar sapato.

*** Obrigada ao meu Monstrinho pela contribuição de idéias e letras...

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Desenhos pelo corpo

Cerveja, fim de noite, companhia dos amigos, uma sobremesa com chocolate bem melecado, lambuzado.

O combinado com um dos amigos havia sido feito ainda no início da semana. Há tempos não tomávamos uma; muitos devaneios a compartilhar.




Junto com ele, um estranho, quase bizarro, com o corpo todo tatuado, olhar profundo, grandes lábios, atitude provocativa de todos os nascidos sob o primeiro signo do zodíaco, misturada a uma quase enternecedora timidez.

Simpáticos e receptivos como sempre, acolhemos a nova "figura" com bom humor e a tradicional pitada de malícia que faz de mim e do Cosmo a dupla preferida de conversas pervertidas da Trindade.

Eu era apenas eu, uma mulher despachada, mas na minha minha. Comum até certo ponto. Nada de Lady Vulgata, por enquanto. Até que uma saída de 20 minutos revelou a minha identidade.

Ao voltar, notei que os olhares da mesa mudaram. Fui acompanhada no balançar das cadeiras até novamente me sentar. Um tanto tímida, notei a proposta no olhar de Cosmo (o delator). Ok, agora o estranho sabia da minha identidade secreta. Que fazer? Nada que me exigisse. Apenas fazer jus a personagem que tanto prazer me traz.

Cavou toda a ousadia que existia dentro do seu ser e se convidou para tomar mais uma cerveja na minha casa. Aceitei. Sabia que, antes de mais nada, estava curioso para saber mais dos seus próprios limites.

Estava cansada, confesso, porém preferi confiar na minha intuição e no faro de Cosmo - sempre excelente olho para perversões e conselheiro de boas trepadas. Não me arrependi. Pelo contrário, me surpreendi!

As únicas coisa da Lady que ele obteve, além de cordas num bondage simples, vendas e umas leves batidas de chicote vermelho, foi o olhar autoritário e a lascívia dominatrix. Em todo o resto, fui eu mesma, na essência de mulher voraz.

Me pegou de todas as formas, me virou, me penetrou todos os orifícios possíveis, me abraçou, me possuiu, se entregou, se abriu ao meu mundo naquele instante infinito. Um maravilhoso e invejável instrumento ele tem, é verdade, mas a atitude é sempre o que decide nessas horas. E uma boa pegada, qual mulher não gosta???

- Entendo um pouco de nós. Fui marinheiro
- É? Então se solte, vendado, e venha me comer...

Desmanchou parte dos nós com os dentes e o resto com a tal habilidade de marinheiro, conhecedor de nós!

Com toda autoridade que lhe concede a influência do signo, examinou meu peircing e as tatuagens. Olhou muito da minha intimidade e partilhou da maior delas: o sono! Pouco, mas suficiente para nos dar forças para a dança da manhã, equivalente a muitas cestas de chocolate!

Os desenhos do corpo do delicioso estranho ficaram, em parte, tatuados nos meus lençóis...

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Feromônios virtuais


Certa vez, num desses almoços cotidianos, uma nova amiga querida soltou uma frase que corrobora um pensamento antigo meu: os homens nos seguem pelo cheiro.

Pois pois, me questiono sobre isso há tempos, sobretudo quando penso nas relações virtuais...

- Mesmo quando eu brinco, eu falo sério
- E se eu te disser que também senti algo estranho aquele dia na despedida?

Esse algo estranho foi nada mais que um beijinho "bobo", daqueles que a gente erra a bochecha de propósito. Mas rendeu...

E vem rendendo graças aos feromônios virtuais. Ora, nosso objeto de escolha (porque somos nós mulheres quem escolhemos, no caso de uma relação hetero) nem sempre pode sentir nosso cheiro com as narinas, mas sente nossa ardência, ainda que por palavras mascaradas via msn, skype, twitter ou qualquer outro meio virtual!

Suspeito que os feromônios virtuais realmente existam e por conta deles sejamos atraídas ao pecado (ooooohhhhhhh) constante, deliciosamente proibido. Agora resta saber como eles se propagam, por que caminhos se dissipam, qual o algoritmo que os traduz.

O dia em que um vivente descobrir esta fórmula terá consigo a chave de muitas portas femininas preciosas, muitas delas escondidas sob avatares medíocres diante de seus potenciais e beleza.

A nós, simples mulheres mortais, donas de si e das suas vontades, ainda dependemos daquela parte que fica entre os olhos, acima da boca. Claro, com generosas pitadas de repertório gestual e palavras bem colocadas, muita carne, lábios e unhas vermelhas, cabelos bem tratados, um belo decote... e pé no chão! ;-)

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Poema do amor falso*

Não quero uma mulher que seja gorda ou magra, ou alta ou baixa, ou isto e aquilo.
Não quero uma mulher, mas sim um porto, uma esquina onde virar a vida e olhá-la de dentro para fora.
Não espero uma mulher, mas um barco que me navegue, uma tempestade que me aflija, uma sensualidade que me altere, uma serenidade que me nine.
Não sonho uma mulher, mas um grito de prazer saindo da boca pendurada no rosto emoldurado, no corpo que se apóie, nas pernas que me abracem.
Não sonho nem espero nem quero uma mulher, mas exijo aos meus devaneios que encontrem a única que quero sonho e espero. Não uma, mas ela.
E sei onde se esconde. E conheço-lhe as senhas que a definem. O sexo ardente, a volúpia estridente, a carência do espasmo, o amor com o dedo no gatilho.

Só quero essa mulher, com todos seus desertos, onde descansar a minha pele exausta e a minha boca sedenta, e a minha vontade faminta, e a minha urgência aflita, e a minha lágrima austera... e a minha ternura eloqüente.
Sim, essa mulher que me excite os vinte e nove sentidos, a única a saber o que dizer, como fazer, quando parar, onde esperar.
Essa a mulher que espero e não espero, que quero e não quero; essa mulherportoesquina que desejo e não desejo que outro a tenha.

Que seja alta ou baixa, isto ou aquilo, mas que seja ela, aquela que seja minha e eu seja dela. Que seja eu e ela. Eu ela eu lá nela. Que sejamos ela.
E eu então terei encontrado A mulher que não procuro, o barco, a esquina, Você. Sim, você, que espreita do outro lado da esquina, no cais, a chegada do marinheiro, como quem apenas me espera.
Então nos amarraremos sem vergonha à luz dos holofotes dos teus olhos e procriaremos gritos e gemidos que iluminarão todas as esquinas.
Será o momento de dizer: Achei/achamos, amei/amamos e por primeira vez vocalizar o Somos, pluralizando-nos na emoção do encontro.

Essa a mulher que não procuro nem espero. Você, viu? Você!

* Publicado originalmente no blog http://contosdapersonagem.blogspot.com
em 13 de Novembro de 2007

sábado, 18 de julho de 2009

Privação


Há tanto tempo eu pretendo manter um escravo numa situação que me desperta verdadeiro furor: privação de orgasmos. Porém, pelos revezes da vida e pelo estado civil de alguns, apenas passei perto do meu ideal.

A noite passada, porém, não sei se embebida pelo ópio dos remédios que me deram na emergência*, ou pelo acúmulo da vontade descrita, ou por ambos, tive um sonho muito interessante. O moço em questão, pessoa que não encontro fisicamente há algum tempo, vestia um casaco de couro preto, roupas claras por baixo e um jeans bem surrado. Os cabelos (como sempre) amarrados.

Fazia frio; estávamos num local bonito em meio ao nada. Era como um restaurante, rodeado de pedras e terra batida. Boa música e a comida tinha uma linda aparência. Parece que sinto os cheiros das panelas ainda agora.

Ele me abraçou e era muito carinhoso comigo. Sabíamos que seria imperativo ficar um tempo sem relações sexuais. Os motivos não eram claros, entretanto não chegava a ser um entrave. Sorríamos o tempo todo.

Em pouco tempo, peguei um pequena chave e disse que a esconderia num local seguro, porém não impossível de ser descoberto. Ele me olhou com aprovação, tesão e um pouco de apreensão.
[...]
Cenas depois ele estava no quartinho da pousada em meio às pedras com uma espécie de cinto de castidade. Olhava para mim com um ar de renúncia e fechava o cadeado.

Eu, maliciosa, sorri aprovando o ato. Logo além da cena, não parecia mais um cinto de castidade e sim a própria vontade de me agradar que o impedia de se excitar com qualquer estímulo. Ele foi impelido e exposto a diversas situações visuais, sensoriais, que o fariam ter uma ereção em segundos numa hipótese normal. Mas não; ele se mantinha casto apenas pela minha autoridade de Mistress.

Onde eu guardei a chave? Às vistas dele, guardei num coração de alcachofra que havia trazido para o quarto... Entendi que a alcachofra ficaria no local como um porto seguro, imóvel, sem a nossa presença, mas ao nosso alcance sempre que quiséssemos!

O sonho parece um tanto confuso e sequer sei se me fiz entender. Quis contar porque é algo que faz parte da minha imaginação e do meu universo de fetiches. Além disso, este blog nasceu com a pretensão de ser um espaço de confissões.

Mesmo considerando que a cada qual cabe suas irrealizações (desde ontem estou com essa frase na cabeça), aos sonhos tudo é permissivo e por eles todos somos libertos, amados, respeitados e adorados como merecemos!

* Tive um crise de pressão alta na sexta, fim de tarde, mas já estou bem!