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domingo, 22 de abril de 2012

Rótulos ficam bem em potes de molho*



Considerações sobre Tops, Bottons, Dommes, Doms, Masters, Mistress, Subs, Slaves, Sadistas, Sadeanos, Masoquistas, Sadomasoquistas, Fetichistas, Baunilhas e Switchers
             
            O cara entra num site e começa a ler o texto. Um festival de nomes deixa tudo mais confuso. “Se você for switcher, bla bla bla”; “Caso for do desejo do Top, o bottom deve blablabla”.
              Afinal, o que são essas palavrinhas que parecem denominar os papéis e dar as cartas dentro do cenário fetichista, ou pelo menos dentro do cenário sadomasoquista?
                Sabe aquela pessoa que adora mandar, sente prazer em ser servida, amada, idolatrada, quer ver seus desejos decifrados e realizados com maestria, dá risadas com a humilhação dos seus servos na tentativa de lhe agradar? Esta pessoa não é o seu chefe (pode até ser, mas neste caso não importa a profissão). Esta pessoa é o dominador. Uma Domme ou um Dom sempre terá prazer em ser servido. Os traços psicológicos variam bastante, mas alguns são comuns: altivez, autoritarismo, severidade, vaidade, rigidez, sarcasmo e boa dose de ironia. Os diferenciais sempre bem vindos são a responsabilidade, a ética com as suas ‘peças’ – nome dado por alguns deles aos seus submissos, e o cuidado com a segurança e a integridade de toda a cena, além da inteligência e do repertório sociocultural.

                Já a Mistress ou o Master podem cumprir o papel de dominadores, mas não necessariamente o são. Cabe eles primordialmente serem especialistas em alguma área ou fetiche. Portanto, o cara pode ser um Mestre Bondagista, por exemplo, e não gostar de dominar ninguém, não querer submissos ou submissas. O prazer dele é imobilizar e o prazer de quem está amarrado é se submeter ali, naquele momento, à MAESTRIA daquela pessoa em determinado assunto. A Mistress pode ser excelente hipnodomme, mas detestar vínculos. Só quer a cena e o prazer de dominar pelas técnicas da mente. Logo, em se tratando de Masters e Mistress, o submetido não necessariamente precisa ser submisso; pode ser um Dom, uma Domme, um switcher, um fetichista, outro Master ou Mistress, um curioso ou aluno. A confusão acontece porque algumas Dommes ou Doms se intitulam Masters ou Mistress de forma equivocada. Para estar enquadrado nos últimos nomes é preciso dominar a arte, o fetiche, e não a pessoa, ainda que seja a arte de humilhar, a arte de espancar e por aí vai. Portanto, iniciantes dificilmente serão Masters ou Mistress, a menos que tenham estudo ou praticado muito antes de entrar para as sociedades fetichistas ou sadomasoquistas.

                E o Top? Que diabo é o Top ou a Top então? O bom (confortável) dos Tops é não necessitar de nenhuma prática. Quem é Top detém notório conhecimento e habilidade psicossocial na interação com seu grupo e os demais. O Top sempre tem suas preferências e suas maestrias, mas muitas vezes escolhe ficar observando ou orientando. As principais características de um Top são a persuasão e a lealdade, já que – de acordo com o conceito desenvolvido ao longo dos anos e presente na literatura BDSM – tratam-se de pessoas que circulam em grupo, nunca apenas com um par. Para merecer a confiança dos seus, devem ser íntegros, apresentarem lisura nos atos e justiça nos seus julgamentos. E não é questão de considerar dicotomias como o bem e o mal, por exemplo. O Top deverá ser leal de qualquer forma, senão não terá seguidores. É uma figura que desperta admiração e aí reside a sua vaidade e o seu trunfo.

                Bottons são pessoas que servem aos Tops? Não necessariamente. A principal característica de um bottom é ser entregue; é um laboratório de descobertas para quem se dispõe, tem paciência e habilidade para aceitá-los. Esta pessoa quer ser conduzida literalmente de olhos fechados e por isso necessita de total confiança e entrega na sua relação. Frequentemente esta entrega também é afetiva, o que faz com quem muitos Dominadores e Masters rejeitem esta figura já que ela ‘perde’ sua personalidade na relação fetichista. Diferentemente do Slave ou Submisso, o Bottom não impõe limites; permite que o Top, Dom, Domme, Master, Mistress ou Switcher descubra seus limites. Quem aceita treinar, fazer sessão ou cena com um bottom deve ter suas anteninhas muito ligadas porque é comum que ele tente ultrapassar seus limites para agradar quem está no comando.

                Mas então o masoca – apelido carinhoso dado aos masoquistas – é um bottom? Não. O masoquista sente prazer em sentir dor e não necessariamente em se submeter ou realizar desejos. Na verdade, o masoquista não está ligando muito para o que quem está do outro lado da tala, chicote, vela ou qualquer outro instrumento que lhe aplique a dor, sente. Ele quer é sentir prazer e por isso aceita algumas situações que frequentemente são confundidas com a submissão. Masoquistas conscientes sabem seus limites, sabem o que lhes provoca o prazer e é comum que sejam pessoas de bastante repertório, inteligência e traquejo emocional. Por dominarem seus próprios desejos, acabam tendo comando indireto na cena a que aparentemente se submetem, provocando o delírio de Tops, Switchers, Doms, Dommes, Mistress e Masters que aceitem lhes impingir a dor.

                E o Switcher? Maluco indeciso? Não. Não consegui localizar nada que me desse subsídios referenciais para falar do Switcher, mas vou falar da minha experiência, sobretudo da observação de como as pessoas gostam de se posicionar dentro do universo fetichista. O Switcher, longe de ser um cara ou uma mulher que está indecisa, geralmente é uma pessoa madura, dona do seu nariz, que aceitou provar os dois lados da moeda e gostou de situações pertinentes tanto à magia de dominar, quanto à beleza e coragem de se entregar. Vejo o Switcher como uma pessoa que não gosta de rótulos, se permite novas experiências e não se incomoda com o julgamento alheio. Busca o prazer em primeiro lugar.

                Sádico ou sadeano? Sádicos todos somos em alguns dias da nossa vida. Quem nunca sorriu ao ver um malandro se dar mal? Quem não tem vontade de esfolar um vivo quando é prejudicado ou tem um amigo trapaceado? Ser sádico, por essência, é sentir prazer em impingir a dor, seja moral, seja física. O sofrimento alheio, encenado ou não, provoca prazer profundo no sádico. Já o sadeano é alguém de personalidade mais rara, adepto dos pensamentos e doutrinas do Marquês de Sade, mas não necessariamente se compraz no sofrimento; e quando o impinge, o faz para poder sanar o mesmo sofrimento que provocou. O sadeano, em essência, é alguém provocador, vaidoso, obseno, culto, malvado, mas extremamente carinhoso e protetor. O ‘moralismo’ de Sade está presente em suas atitudes e pensamentos, e ele quer viver o prazer na prática, nunca (apenas) no campo das expectativas.

                Sadomasoquista é um ser que aprecia todas as práticas que envolvam dor, não importa se na posição de provocar ou sofrer. Frequentemente confundido com Switcher, esta espécie fetichista nos diverte (porque promove grandes espetáculos), mas precisa ser consciente dos seus limites. Difere-se do Switcher por ser praticante de cenas que envolvam dor física ou moral, não necessariamente submissão ou entrega permanente.

                Slaves e submissos são as alegrias de todos. Graças a eles nós do outro lado da força sentimos prazer. Eles se jogam, aceitam, se humilham, servem, nos fazem rir e nos enternecem. É por eles que maquinamos planos, matutamos cenas, treinamos e aperfeiçoamos habilidades. Eles são nossos objetos de orgulho, de preocupação e de proteção. Infelizmente muitos são irresponsáveis, escorregadios e imprudentes, com gradações de chatices que beiram a loucura. Mas submissos nem sempre são slaves e slaves nem sempre são submissos. Daí vai do que cada um topa e do acordo que faz com cada dominante ou mestre, seja de cena ou seja permanente.

                O fetichista é tudo isso e um pouco mais. Pode ser tudo ou nada, mas sempre será a pessoa que assumiu que tem desejos com padrão incomum. O fetichista tem apenas uma premissa: se permitir, ainda que na observação. Pode se descobrir fetichista como voyeur ou como sádico no spanking; como submisso que gosta de ser pisado (um tipo de podólatra) ou como Dom que prefere ser idolatrado. Fetichistas somos todos nós que assumimos o nosso lado B.

                E se você leu até aqui e pensa que não se enquadra em nada disso é porque definitivamente você é baunilha. Pode até sentir prazer na estética e neste sentido poderia ser confundido com o fetichista. Porém, o mais comum é que seja apelidado de baunilha apimentado. E ser baunilha não é rejeitar e sim não sentir prazer em nada do que foi descrito até aqui.

                E antes que alguém me diga que estou errada, que é assim ou assado e que escrevi bobagens, este é um texto descritivo, baseado nas minhas pesquisas acadêmicas (que devem virar tese em breve), na minha observação, na minha própria vivência e na minha estada no grupo BDSM Santa Catarina. Provavelmente se você achar que estou errada, estou mesmo. O importante é que cada um seja feliz dentro do seu entendimento; que este entendimento ou rótulo seja preciso de acordo com suas convicções. Mas como tudo no mundo (ou quase) possui uma classificação em algum tempo, aqui está a minha.

*Artigo publicado originalmente no site iFetiche

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Oferta de sonhos

Sempre pensei que os sonhos são nosso maior combustível de movimento. Só acreditamos, construímos, modificamos, lutamos, perseveramos e mudamos porque sonhamos. E como amo de paixão a semiótica, não poderia me furtar de apresentar nossas (minhas e do meu querido Kurumin) últimas fotos como signos de transformação.

Nos conhecemos sem grandes expectativas. Ele como sub e eu como domme, na época pensando estar aposentada. A energia e a troca foram boas. Viramos amigos. Ok, sempre amigos coloridos. Nunca passamos mais de três semanas sem nos tocarmos, fosse um beijo, fosse um arreto dentro do carro, fosse uma boa transa.

A dúvida acerca dos sentimentos estava mais na mente dele do que na minha. Na verdade, sempre soube que seria meu par, no mais amplo sentido da palavra. E não era porque me aquecia o coração e os lençóis; mas porque sentia que nossas energias eram complementares.

Quando decidimos assumir o namoro, ainda havia alguma coisa pendente na nossa trajetória. Nem nós mesmos sabíamos do que se tratava, até descobrirmos que o que realmente queríamos era nos tornarmos também domme e submisso de maneira permanente.

E como diz meu amigo e brother de BDSM, Parallax, ainda estou experimentando essa sensação, mas confesso ser um sonho realizado. E na simbologia deste sonho, nada melhor que a ideia dele de me trazer sonhos de padaria para que os pisasse, num dos fetiches que mais nos dá prazer: o crushing.


Ofereço-te meus sonhos em troca dos teus, para que sejamos plenitude no fetiche, no prazer e no amor!

domingo, 17 de julho de 2011

A brincadeira

Na minha cabeça, BDSM é e sempre foi brincadeira de adultos e só pode ser bacana em curto, médio e longo prazo se existir respeito e responsabilidade do começo ao fim.

Não vale, no meu entender, burlar ou trair as regras estabelecidas na etiqueta geral, nos grupos dos quais se faz parte e entre os envolvidos. No máximo uma contestação bem argumentada para adaptações que devem ser feitas em concordância.

Vale muito respeitar o outro, sua imagem, suas ideias e principalmente seus sentimentos. Vale muito ter ética, ser leal, ser justo e contribuir para a manutenção da confiança. Vale conversar, dialogar (no mais amplo sentido da palavra) e ser verdadeiro. Vale sempre ser honesto, pelo riso ou pelo choro, pelo prazer ou pelo desgosto.

Entendo o BDSM como algo que acrescenta; nunca que denigra, que ofenda, que maltrate (no pior sentido da palavra, com perdão aos sádicos, quando não há concessão), que não seja SSC. O que for diferente disso pode ter qualquer nome, menos BDSM. E lamento quem me ache arrogante, quadrada, antiquada. Sempre conduzi as coisas assim, é dessa forma que aprendi e é assim que sempre encontrei soluções para os problemas que eventualmente surgiram, de forma amigável, gerando belas amizades.

É certo que relacionamentos são relacionamentos, não importa o tipo ou natureza. Gente tosca, ignorante, mentirosa e traiçoeira existe em qualquer lugar. Mas me reservo o direito de classificar como praticantes do BDSM apenas aqueles que se enquadram nesses parâmetros.

Neste contexto, hoje tive dois bons exemplos de pessoas bem diferentes, mas que são verdadeiras consigo mesmas e com os parâmetros da 'brincadeira': MistressBelle, do Espírito Santo, e Pexis, meu amigo filósofo, de Floripa.

E mais uma vez minha veia de professora fala mais alto...kkkkkkkkkkkkkkkk... Adoro!

Beijos da Vulgata


Meu novo brinquedo personalizado pela doce e talentosa Pekena, do Kadar

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Obrigada pelo carinho


Recebi este selo do Senhor Etrom, do blog Senhor Etrom e do portal BDSM-DF.

Pelo que li e pela opinião de outras pessoas que respeito muito no meio, fico mais lisonjeada ainda por ter este espaço considerado um local de boas ideias.

Volte sempre!

quarta-feira, 11 de maio de 2011

O mito da vida dupla *


Well well, de acordo com os próprios gregos, criadores do conceito de “mito”, este está ligado ao rito. Ou seja, o mito da vida dupla que quase todos os praticantes do sadomasoquismo vivem não pode ser separado do caráter simbólico, levando em consideração que um mito procura explicar a realidade, os fenômenos naturais, as origens de um comportamento e por aí vai. Ok, tem muito de pesquisa via world wide web, mas também há muito das minhas leituras e do meu empirismo aqui.

Ao mito está associado o rito. Ponto. “O rito é o modo de se pôr em ação o mito na vida do homem - em cerimônias, danças, orações e sacrifícios” (Wikipédia). Sacrifícios? O que é sacrifício para um dominador e para um submisso? E respeitando a liturgia, para um sádico ou para um masoquista?

Poderia fazer um longo apanhado aqui em cima de Kant, quando fala da fragilidade feminina e da ausência da capacidade de sublimação dos sentimentos em nome do prazer. Para o filósofo, a moralidade social, apartada entre homens e mulheres, explicaria os comportamentos de vida dupla e, talvez, pudessem ser justapostos aos conceitos que norteiam o BDSM e seus praticantes auto rotulados em personagens.

Já Sade, via Bataille, afirma que “[...] sem um elemento de acaso, sem capricho o acontecimento, não teria o mesmo alcance” (é por isso que ele é símbolo, por isso ele difere de fórmulas abstratas)” (BATAILLE, 1989, p.96). O lugar da soberania de Kant está no “Soberano Bem da ética filosófica” e a de Sade na soberania do arrebatamento? Talvez e é uma hipótese já levantada pela professora Elizabeth Bittencourt, da Universidade Federal do Paraná, membro da Sociedade de Psicanálise aqui do Rio.

Na prática, meus queridos, mesmo diante de tantos respaldos teóricos e práticos, cada um sabe bem o porquê de seus personagens, por mais marginais, ordinários e infantis que possam parecer. A vida dupla dentro do BDSM é quase uma praxe que protege seus praticantes de si mesmos e às suas sanidades. E não estou querendo dizer que quem assume seu lado B é maluco ou necessariamente tem tendência a distúrbios mentais. Estou querendo dizer que a sociedade ainda é muito hipócrita e suficientemente cruel para colocar em “parafuso” alguém que se expõe em seus dois mundos como que exibindo figurinos distintos.

E para quem acha que tudo isso é uma bobagem, eis Fernando Pessoa:
  
“O mito é o nada que é tudo.
 O mesmo sol que abre os céus
 É um mito brilhante e mudo.”


* Publicado originalmente no blog Literatura BDSM

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Transformando objeto de desejo em estudo


Quando recebi aquela twittada não imaginava que seria objeto de estudo de uma doce mocinha de Fortaleza. Na verdade não sou eu, pelo que entendi, mas a participação das mulheres no universo BDSM. Achei muito interessante e, claro, me dispus a participar.
E também por ela estou voltando a escrever neste espaço, com uma novidade: resolvi levar meus gostos picantes e minha prática, com algum conhecimento teórico, aos bancos acadêmicos. Vou levar a sério minha antiga ideia de usar o BDSM como objeto de pesquisa na interpretação de produtos culturais.
A Lady Vulgata jamais morrerá. Ela é forte o bastante para permanecer até na ausência ou demência desta que confere identidade e números ao corpo que lhe dá vida. E estou pronta para reviver e experimentar novas aventuras, sejam elas reais, imaginárias ou as duas coisas. ;-)


Especial apelo aos meus queridos JonJon e Monstrinho para que me ajudem a compilar os assuntos e torna-los algo que interesse à academia. E, claro, agradecimentos ao meu parceiro de tudo e de todos os dias, Tiaguito. Love ya!

Beijos da Lady

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Aviso às navegantes

Venho por meio desta (que cafona, mas é isso que vocês merecem...) avisar que qualquer domme que tente denegrir o meu nome perante ao meio BDSM, amigos ou namorado, encontrará como barreira não armas, minha raiva ou comportamento reativo; mas sim a minha reputação, construída em anos de prática e conhecimento, e sobretudo a minha ÉTICA - palavrinha que vocês, vulgares sem escrúpulos, desconhecem.

Aliás, domme que é domme não faz o que tu tens feito, né venenosa??? O primeiro passo para ser uma dominatrix é respeitar o espaço alheio! Já que me admiras tanto e me invejas tanto, pelo menos aprendas isto!

Obrigada

Lady Vulgata

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Proposta indecente

Segunda-feira, problemas feito erva daninha na minha horta, programação normal, em princípio, e muitos desafios... Mas, as tais surpresas da vida!

Pense numa pessoa respeitável e que nunca direcionou sequer um olhar malicioso para ti, não que tenhas notado. Pois então, de um ser assim veio uma proposta que incendiou minha semana em vários sentidos e despertou a Vulgata adormecida.

E como diz JonJon sobre mim: "Bom dia, dona lascívia. Hoje sou eu que mando!"

Chicotes a postos!

Beijos meus amores, Lady Vulgata renasceu das cinzas.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Novo post no TPMulheres

Hoje falei um pouco sobre o BDSM e seus conceitos básicos na minha coluna do TPMulheres. Vinha recebendo e-mails perguntando mais sobre o assunto e com algumas questões fundamentais.

Espero que gostem!

Beijos da Vulgata

quarta-feira, 3 de março de 2010

Indiretas comportadas


Dizem que encontros casuais produzem as mais arrebatadoras paixões. Está nos filmes, na literatura e no empirismo coletivo.

O primeiro encontro foi casual. O que ela queria era apenas jogar conversa fora com amigos e conhecer mais um do meio BDSM considerado 'legal' por sua parceira domme, corroborando sua luta diária para tirar o pessoal do armário. Ok, ok. Foi ótimo. Muitas risadas e conversa animada, regada a cerveja e batata frita.

Uma afinidade muito sutil pode ser percebida por alguns e passou na mesmice por outros.

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Dias de trovão. A vida dela vira de cabeça para baixo, sem aviso prévio, sem lutas, sem surpresas. Porém, que seja doce a dúvida e quem a verdade faz mal. Era o que todos esperavam... Resultado: portas abertas para o novo!

Ele se ofereceu para fazer algo por ela que levantasse seu astral. Ela propos, sem segundas intenções, que fossem dar uma volta e comer alguma coisa. Solícito, ele concordou e a buscou pontualmente, com todo o cavalheirismo e cordialidade que um gentleman sabe ter.

Nas entrelinhas, a submissão.

- Queres ir aonde?
- Dê mais uma volta e escolheremos

Mais alguns quilômetros e ela escolheu um restaurante japonês, saudosa dos sabores nipônicos há tempos experimentados e vividos. Sentaram-se. Comeram. Beberam. Conversaram. Indiretas comportadas eram expostas de forma natural em meio a olhares taciturnos. Ele entendeu. Ela desejou. Ele também.

Ambos se portaram como dois novos amigos com muita afinidade, respeitando a proposta inicial do encontro. Porém, acessórios são uma doce armadilha para um fetichista. No caso, dois. Além do couro dos bancos do carro, que sempre despertam lascívia nos praticantes do BDSM, ele havia comprado 'a coleira', junto com as cordas que há tanto ansiava que fossem usadas em seu corpo. Talvez a consciência o tivesse traído e, lá no fundo, ele havia feito de propósito, prevendo sua luxúria.

Ao colocar a coleira no pescoço dele, a perfeição impensada das medidas contribuiu para que todas as convenções fossem quebradas. Encaixou a guia e o puxou para si num beijo cheio de tesão.

E aquele cheiro que só nosso detector de feromônios reconhece se fez presente, pleno e saudoso por dias mais alegres. Misto de nostalgia e esperança. E seu chicote ganharia plenitude novamente.

Estava selada a união mais sublime entre duas pessoas: a que congrega a química, admiração, afinidade e uma mesma busca...

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Tá bom, eu conto! *

Não há nada de errado comigo. Nem certo. Sei lá, me acho uma mulher comum, apenas com uma pitadinha de ousadia a mais, sobretudo em bancar meus desejos e pensamentos. Vejo por aí, ao meu lado inclusive, pessoas que sonham, falam, apregoam e deliram. Mas fazer é muito pouco... Eu não. O que falo é o que faço e, se falo, é porque acho que muitas vezes o que falta é um incentivo, um 'empurrãozinho'... E como dizem que sou persuasiva, quem sabe meu 'empurrãozinho' não torne alguém mais feliz?

Pois então, um capítulo inusitado da minha vida foi um relacionamento com um gay. Sim, gay mesmo. Nada de bi; gay e ponto. Falo pouco sobre isso porque foi uma época de muitas dúvidas para mim. Fiz terapia e tudo para conseguir entender o que se passava comigo e com ele. O pouco tempo em que conseguimos ficar juntos, quase isolados do mundo, longe dos preconceitos alheios e dos nossos próprios, foram dias muito felizes.

A idéia foi a seguinte: ele sempre se entendeu como gay e eu como hetero, no máximo heteroflexível. Porém, aquele homem me chamou a atenção desde o primeiro dia em que pus meus olhos nele. Da mesmo forma, segundo ele, aconteceu quando me viu. Algo era estranho para mim, mas não o identificava com o meu radar infalível de 'bibas'. Um começou a puxar papo com o outro, descobrimos afinidades imediatas (inclusive o BDSM) e eu passei a ter mais gosto em ir para a aula. Passaram-se cerca de duas semanas e ele me convidou para almoçar. Era tudo o que eu queria...

Perguntou se eu me importava de pegarmos um lanche e comermos numa praia. Disse que não e até gostaria. Paramos num local muito bonito daqui chamado Praia das Bruxas. Não sei quem estava mais sem graça. Incrível como nessas horas a gente fica tímido e deixa toda e qualquer ousadia no fundo da bolsa. Uma mordida no sanduíche e uma olhada de canto de olho. Na metade do lanche ele parou, fechou a caixinha do McDonalds, respirou fundo (pude sentir o suspiro quase dentro de mim) e me encarou:

- Letícia, acho que tu já percebeu que eu sou gay, né? Quer dizer, sempre fui...
- Desconfiava sim (olhei um tanto assustada, parando de comer)
- Mas desde que eu te conheci, não consigo parar de pensar no teu jeito, teus olhos, as risadas que damos. E eu to bem preocupado com isso
- Por quê?
- Porque eu nem sei como é abordar uma mulher. A idéia é estranha e nunca me atraiu. Só que eu preciso tentar.
- Tentar?
- Sim, tentar...

Como um adolescente que suava frio, ele se aproximou de mim, segurou meu rosto e me beijou. Confesso que foi um dos beijos mais emocionantes da minha vida, não pela paixão, mas pelo inusitado de um sentimento recíproco que 'cavava' lugar onde teoricamente não poderia existir.

- Será que tu topa tentar namorar um cara confuso com a própria orientação sexual, mas que não consegue te tirar da cabeça?
- (pensei uns segundos) Sim, vamos tentar. Afinal, tenho que fazer jus ao meu lema de vida - de me arrepender apenas do que fiz.

A partir dalí, gente, foi um dos melhores namorados que tive. Muito carinhoso, divertido, original. Sexo maravilhoso e intenso. Nada era muito comum. Até romântico ele conseguiu ser. Tudo foi eterno enquanto durou e começamos a disputar os bofes nas praias, cinema, barzinhos... Não banquei. Dei um ponto final. Ainda nos enrolamos um tanto e ele acabou voltando para o ex-namorado. Porém, até hoje nos falamos. Tenho um grande carinho por ele e sei que é recíproco. Hoje acordei estranha e o encontrei no msn. Bateu a saudade e resolvi homenageá-lo aqui no meu cantinho. Apesar dos pesares, agradeço a tua passagem pela minha vida, consciente de que tudo transcende essa existência e talvez na próxima a gente entenda qual a nossa missão!

Grande beijo, meu querido

* Ai, foi tão bom conseguir contar essa história sem aperto no peito. Desabafo, redenção, superação! Hoje me sinto curada, olho pra trás e gosto das cenas que povoam minha mente quando me lembro dele...

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

O prazer da inversão

Eis um dos mais polêmicos fetiches: a inversão. Mexe com as fantasias masculinas e femininas, independente da orientação sexual. Pira a cabeça dos machões de plantão, que não conseguem compreender como um homem “de verdade” sentiria prazer fazendo papel de “maricas”. Em contrapartida, muitos dos que já experimentaram lutam contra seus próprios preconceitos para se auto-convenceram de que não são viados.

Well, meus queridos, falarei da minha própria experiência – que não é modesta...


Mais de 90% dos homens com quem pratiquei a inversão são heterossexuais. Dos outros 10%, a maioria tem tendências bissexuais e uma porcentagem reduzidíssima é de fato gay! E por que o gay não curte inversão? Porque o que o atrai é o cheiro, a pele e a “pegada” masculina. Uma mulher que pratica inversão, por mais poderosa e/ou agressiva que seja, será sempre uma mulher, com cheiro, hábitos, pele e formas suaves. Logo, meus caros, livrem-se do fantasma da ‘boiolice’ ao pensarem nos seus desejos. Com todo respeito aos meus queridos amigos homossexuais, inversão é coisa pra macho!

Um dado que corrobora minha experiência é que frequentemente rola sexo convencional após a inversão. O homem fica mais excitado e quer devolver o prazer à mulher com a penetração. E mesmo na hora em que está sendo 'comido', ele curte o toque dos seios, dos cabelos e o perfume da mulher que o penetra.

Algumas pessoas riem de mim quando digo que é preciso ser muito homem para dar o cu. É verdade, gente! Assim como é preciso ser muito homem para namorar uma garota fora dos padrões e sair com ela de mãos dadas no shopping, ou assumir qualquer comportamento socialmente questionável, que vá contra os parâmetros aceitos por gentinha medíocre. Assumir o que se é, o que se gosta e como gosta é, infelizmente, privilégio de poucos. Admiro os homens que praticam a inversão porque vejo neles um rompimento de barreiras em nome do prazer.


Outro dado importante a ser ressaltado aos que se questionam e fantasiam sobre o tema é que ABSOLUTAMENTE TODOS OS HOMENS SENTEM PRAZER ANAL. Sim, podem me xingar, mais eis uma verdade fisiologicamente definitiva. Algumas mulheres também sentem prazer anal, mas muito mais pelas sensações psicológicas do ato do que na fisiologia do corpo humano. Já os homens possuem próstata que, quando estimulada, intensifica o prazer de forma considerável.

Alguns conselhos que posso dar aos homens que se permitirem experimentar é:

1. Procurar uma mulher que realmente goste de inversão, que sinta prazer em dar prazer ao seu homem e se sinta poderosa com o ato. Esta mulher não precisa ser uma dominatrix; pode ser sua própria esposa ou namorada. Basta que ela descubra a sensação de dominar a cena eventualmente no ato sexual.

2. Jamais force sua namorada ou esposa a fazer isso. Além de correr o risco de se machucar, porque ela pode fazer com raiva e trata-se de uma região delicada, você certamente causará um trauma sexual nela. Nem todas as mulheres curtem esse fetiche. Aliás, esse número ainda é reduzido. Estimo pelo que leio e vivo, que para 100 homens que curtem inversão, temos uma mulher que realmente goste da prática. Portanto, converse com sua parceira, tenha paciência com as possíveis barreiras que ela oferecer e saiba respeitar os gostos dela. Caso veja que realmente com ela não rolará, seja franco quanto à sua curiosidade e deixe claro que tentará uma sessão com uma domme ou outra moça que curta o fetiche.

3. Use bastante lubrificante e equipamentos adequados. O tradicional strap-ons ou ‘cinta-caralha’ apresenta muitos formatos, tamanhos e materiais. Sua parceira precisa estar confortável com o modelo. Sabemos que as sexshops nem sempre permitem que se prove o artefato, mas é prudente que o faça sempre que possível. Da mesma forma, cuidado com a escolha do dildo que deve ser preferencialmente de silicone, com uma anatomia que se adapte ao seu formato de prazer. Há homens que toleram dildos mais grossos, texturizados e mais longos, e há outros que prefiram tamanhos e grossuras mais modestas, assim como é com as mulheres e suas anatomias vaginais e anais. Como o objetivo é o prazer, vale testar vários tipos, até porque dildos não costumam ser muito caros e achar um que encaixe direitinho realmente vale a pena. Existe ainda a opção de strap-ons com duas aberturas, onde a mulher pode cololocar um plug que a penetre enquanto faz a inversão. Eu aprovei!

4. Se realmente optar por uma dominatrix, procure uma que tenha certa experiência na prática, além de acordar com ela o que será feito durante a sessão. Tenho algumas amigas que curtem, mas não fazem apenas isso; querem outras práticas associadas. Portanto, a menos que você também seja masoquista e/ou submisso, converse bem sobre os termos do encontro de vocês, seja ela profissional (que cobra para isso) ou não.

5. Se permita novos prazeres. Relaxe e curta a nova sensação. No começo sempre dói um pouco, mas depois eu garanto que será prazeroso. Fale sobre os possíveis desconfortos e posições e tudo fluirá a contento. Seja feliz e goze muito!

Enfim, meus queridos, espero ter contribuído para que mais e mais homens e mulheres encontrem as fontes de prazer que a inversão proporciona.

Um beijo

LV

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Agora sim!

Agora sim está tudo pronto: local definido, preços, horários das turmas à noite durante a semana e das turmas aos sábados para dezembro/2009, janeiro e fevereiro de 2010. Até o menu do coffee break já foi preparado! Então, amores, ajudem a Lady a divulgar por todos os meios que vocês considerem apropriados e eficientes.

Beijos e obrigada!

LV

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Duas novidades




Essa semana eu vou publicar dois grandes projetos meus, do Monstrinho e de amigos. Um é o workshop 'Os mistérios e delícias da dominação', que vou promover inicialmente aqui em Florianópolis. Assim que eu estiver com os horários e locais definidos, avisarei pelo blog e por outros meios.

E a outra novidade é a gestação (quase no final) do mais novo portal sobre fetiches do Brasil. Aguardem o iFetiche... Logo logo convido vocês pelo blog, pelo twitter, pelo orkut e por todos os meios que estiverem à minha disposição. Fiquem ligados!

domingo, 15 de novembro de 2009

A imagem de cada um

Ontem aconteceu o último encontro do grupo BDSM-SC do ano. Na minha avaliação, foi o melhor de 2009, não só pelo número de participantes, mas principalmente pela qualidade dos debates, a descontração e o clima amistoso.

Fui a primeira a ir embora porque tive que levar a futura fetichista que me chama de mãe. Passava da 1h e ela reclamava de sono, apesar dos muitos paparicos do pessoal que a adotou como mascote. Enfim, nunca escondo de ninguém, seja quem for, que tenho uma filha. Levá-la ao encontro não doeu nada, pelo contrário, conferiu um clima até familiar ao nosso grupo que está crescendo finalmente.

Acho que nós do G3 (Jonatan, Lady Vulgata e Parallax) finalmente estamos colhendo os frutos de um trabalho incansável de recepção aos novos e caça aos velhos fetichistas escondidos pelos cantos de Santa Catarina.

Tudo isso me levou a pensar na minha própria imagem e naquela que cada um constrói sobre si. Muitas vezes penso que passo longe da dominadora sádica idealizada nos filmes sobre o tema. Muitos submissos e homens em geral, inclusive, me dizem que tenho um semblante muito meigo, somente 'traído' por um certo olhar que nem bem eu sei qual é, mas que está presente em algumas fotos e memórias.

A verdade é que, ao entrar no meio BDSM, tentamos construir nossa faceta sob o que idealizamos ser a personagem que está dentro de nós. Pode ser no texto do 'quem sou eu' do orkut ou do fetlife, nas fotos dos nossos álbuns, na construção do avatar, na escolha dos nomes das personagens e na triagem dos submissos. Enfim, cada um acha o meio mais adequado de viver seu fetiche.

Porém, ontem olhando para cada um dos presentes, singelas lembranças de conversas no msn ou ao vivo me passaram como flashs mostrando que, no fundo, somos todos frágeis diante de nós mesmos. O fetiche é muito forte e feliz de quem o vive com leveza e equilíbrio. Senti algo muito importante em relação àqueles presentes; senti que fazem parte de um outro tipo de família que venho construindo em Florianópolis e da qual eu me orgulho muito de ser a Mommy. ;)



Obrigada Inativo, Chris Feet, Poderosa, Diego Capacho, Parallax, Jon Jon (Zepol), aos meus queridos amigos baunilha apimentados E. e D., e à minha filhota querida por estarem presentes.

sábado, 7 de novembro de 2009

Sensações


Sabe aquele dia que você tem certeza que deveria estar em outro lugar, mas uma manobra do destino manipulou você mesmou ou alguém para que a coisa desandasse? Essa é a minha sensação de hoje; publiquei no twitter que é um misto de impotência com entusiasmo. Impotência porque, apesar de ter feito o meu melhor, inclusive guardando segredo (sim, estou aprendendo a me preservar de energias nem tão adequadas), não obtive êxito nos meus (nossos) planos e terei que adiar as mil e uma novas formas de conduzir o prazer que eu havia "maquinado". Entusiasmo porque acho que estou aprendendo a desfrutar do que é concreto na minha vida.

Ontem ofereci a possibilidade de um exercício de colocar-se no lugar do outro. A conclusão foi o que eu imaginava; porque minha reação é até bem equilibrada diante dos revéses que vem se interpondo na minha trajetória de domme e mulher. Continuo firme na minha proposta de não alterar meu modo de pensar e agir exclusivamente em função de uma atitude alheia, seja no BDSM, seja no trabalho, seja no lado afetivo, seja na praticidade do dia-a-dia. Tenho por princípio explicar o que sinto, o que banco e como penso que a solução seria mais agradável a todos, mas nunca chutar o balde quando se trata de algo ou alguém especial. Sempre que isso acontece, tenho uma trava que me impede de voltar atrás. Não é questão de orgulho, mas porque algo 'morre' dentro de mim. Considero esse limite completamente desnecessário, sobretudo quando há uma relação de franqueza e leveza - como é o caso. Logo, compreender, ter paciência e passar por cima é o lema de hoje, até porque eu mesma já exigi muita paciência recentemente. Desafios de crescimento e maturidade, meus caros, e eu mesma ando me supreendendo comigo!

E o que é concreto são os meus amigos, minha família. Hoje cedo meus tios foram embora. Foi uma semana de muitos passeios, diversão e aconchego nas minhas raízes. Estou de outra cor, acreditem! (rs)

Segunda-feira é aniversário da minha pequena. Por conta disso, a correria de enrolar doces, preparar saquinhos de lembrança, balões, bolo, encomendas, decoração... já está a mil pelo Brasil. Ainda ontem à noite dois amigos me ajudaram a enrolar os 300 docinhos que eu preciso entregar na escola; uma diversão inimaginável para uma sexta-feira à noite. Babyboy e um outro querido, junto comigo e minha tia, fizemos uma linha de produção que daria inveja às doceiras mais experientes. Tudo pronto, lindo e embalado! Ver essa etapa concluída e saber que meu fim de semana será pacato, porém de dever cumprido, acabou por me trazer essa sensação diferente.

Além disso, brigadeiros e beijinhos me deram uma idéia tão excitante que nem me atrevo a contar aqui... por enquanto...

Sinto saudades? Sinto. Mas também sinto prazer em outros sorrisos!

Bom fim de semana a todos

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

O jogo da rebeldia

Há quem pense que obedecer cegamente a uma domme é o caminho para conquistar a coleira com mais rapidez. Há quem discorde e prefira o caminho da contestação como forma de se "localizar" no mundo. Entender o universo dos próprios fetiches já é complicado; entender o alheio, nem se fala.

Porém, uma certa dose de rebeldia pode ser excitante, até pelo prazer da conquista que a domme terá quando se apropriar do seu objeto de desejo. ;-)


Ademais, pessoalmente adoro jogos e cartas-coringa...

domingo, 25 de outubro de 2009

A oportunidade e a honra

Oportunidade é algo que nem sempre acontece duas vezes na vida. Aquela conquista, aquele emprego dos sonhos, aquela pessoa fantástica, aquele momento inesquecível, aquele fetiche... quantas pessoas infelizmente perdem a oportunidade de viver esses momentos? As justificativas sempre são abundantes: "estou ocupado, não tenho tempo, tenho medo, não sei se é isso que quero realmente, vamos deixar pra próxima, estou sem dinheiro, não tenho coragem"... e por aí vai o estoque de desculpas.

Porém, queridos, a vida só é desfrutada plenamente por quem se permite vivê-la, ousa, enfrenta, corre riscos, acredita e não protela.

Acho que um ensinamento que aprendi muito cedo na vida foi o de me arrepender pelo que fiz e nunca pelo que não fiz. Odeios os "se" que as pessoas colocam nas suas vidas. E no BDSM não seria diferente. Lamentavelmente o que vemos por aí é um bando de submissos sedentos por ser dominados, porém covardes demais para enfrentar o que ainda desconhecem na prática, covardes demais para a entrega. Alguns até têm repertório (coisa que considero básica para confiar minha coleira), mas não têm suficiente ousadia para levar a brincadeira adiante. Para estas pessoas, mesmo a condição financeira ideal, a falta de compromisso matrimonial e a HONRA de uma domme como eu estar disposta a dominá-los não é o suficiente simplesmente porque o problema não está comigo, nem em outras dommes, nem no BDSM. O problema está neles e tem nome: covardia!

Estes dias li uma frase muito interessante no blog Sexo Verbal. É sobre ousadia, sexo e amor. "O sexo é democrático: é para preto, puta, pobre, alemão, rico, asiático, anão... Já o amor impõe uma simples condição: só os corajosos!"

Da mesma forma, o BDSM só pode ser vivido, em sua plenitude, com coragem e maturidade. Implica riscos, como todo relacionamento humano, mas traz muito prazer a quem se permite. Não deixa de ser uma relação de amor porque pressupõe cumplicidade, confiança, consensualidade, treinamento, entrega, carinho e muitas vezes paixão e amizade. Portanto, queridos covardes, afastem-se de mim. Sou mulher para quem tem culhões; sou domme para quem se banca!

"Eu penso na deusa do amor, descida do Olimpo, indo ao encontro de um homem mortal, tremendo de frio nesta terra moderna, e procurando aquecer o corpo augusto em uma pele grande e pesada, os pés do regaço do amado; penso no escolhido de uma forma despódica, que quando se cansa de fustigar o seu escravo se põe a beijá-lo – é que por ele tanto mais é amada quanto mais o espezinha [...]" (Sacher-Masoch)

terça-feira, 20 de outubro de 2009

O infinito particular

Meu mundo não é nada de mais. Sou uma pessoa comum, com desejos, fraquezas, virtudes e defeitos. Sou mulher, mãe, amiga, amante, profissional e tento conciliar as tarefas domésticas, as obrigações de mãe, os compromissos profissionais e os momentos de prazer da forma mais equilibrada que consigo.

Ok, Lady, mas por que esse papo agora se todo mundo que te conhece bem sabe disso? Porque alguns dos momentos mais marcantes da vida da gente acontecem quando encontramos alguém com quem tenhamos afinidade descompromissada. Notem que tudo que falei acima implica de alguma forma em um compromisso: ser uma mulher bonita, ser uma mãe atenciosa, ser uma amiga presente, ser uma amante ardente e criativa, ser uma boa jornalista...


Pois é, meus caros, no último fim de semana eu estive no Rio de Janeiro, a terra onde vivi por mais de cinco anos e que continua linda, com umas das melhores energias que conheço, apesar dos tiros e da má fama que carrega. Fui visitar uma pessoa com quem há tempos conversava, numa afinidade tremenda e admiração crescente. ACM, o melhor bondagista da América Latina, é uma pessoa fantástica. Conhecê-lo pessoalmente provou que minha intuição continua afiada e que realmente não existem acasos.

Foram muitas horas de conversas, passeios, gravações, visitas e eu me senti desobrigada de tudo, com o único compromisso de ser eu mesma. Essa leveza tem um valor inestimável, relaxa, recarrega as baterias e dá um prazer indescritível.

Conhecendo o trabalho do ACM, fui apresentada a pessoas especiais, cheias de talento, carinho, profissionalismo. Conhecendo um pouco do infinito particular do meu querido amigo, pude ter certeza que realmente vale a pena continuar a ser como sou, encarando o fetiche como parte de uma mulher que fez um pacto com o hedonismo!

Obrigada a todos que me receberam com tanto carinho e em especial ao ACM por ser quem é e fazer parte da minha vida. "Cada um dá o que tem de melhor, não é amigo?" ;-)

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Relaxando em meus braços

Há algum tempo venho estudando hipnose. Sempre achei algo interessante e uma vez até me submeti a uma sessão em Brasília sob a supervisão de um profissional.

O interesse pela hipnose erótica começou como uma curiosidade do meu Monstrinho no início do nosso relacionamento. Passei a devorar tudo que encontrava sobre o tema e até um curso de técnicas básicas fiz. O que sempre dificultou a prática entre nós é que a hipnose exige testes e tempo. Geralmente não dispomos de muito tempo e acabávamos por matar as saudades de outra forma. Por outro lado, com os outros submissos com quem me relacionei neste ano, não houve afinidade o suficiente para que eu me aventurasse a testar meus dotes de hipnodomme.

A primeira tentativa com MZ foi um desastre. Havia gravado alguns trechos, com direito a trilha celta e tudo, para usar na segunda parte do teste. Porém, não consegui fazê-lo relaxar e ainda por cima a ereção que ele manifestou logo nos primeiros minutos fizeram com que minha concentração fosse por água abaixo. Ok, não podemos acertar sempre de primeira, né... Mas minha natureza é insistente. Enquanto não esgoto as possibilidades de sucesso, não desisto!

Estava planejando como faria para testar novamente, sem muitas perspectivas. Na última sexta em que meu Monstrinho esteve aqui eu realmente não pretendia hipnotizá-lo. Mais uma vez ele não ficaria muito tempo e eu queria aproveitar para experimentar um novo "desenho" de bondage. Porém, a certa altura da noite, senti vontade de colocá-lo no meu colo; nem sei se por impulso de cuidar da sissy ou de realmente fazê-lo relaxar. Foi um momento especial entre nós porque foi muito além do bdsm... foi um momento onde os sentimentos afloraram!

E quem já me conhece um pouco sabe o quanto sou romântica na mesma medida em que sou safada...

Fui falando baixinho no seu ouvido enquanto manipulava algumas partes do seu corpo, alguns pequenos prendedores, intercalando com um lento cafuné. Ele fechou os olhos e fui dando alguns comandos. Percebi que estava cada vez mais relaxado e que, naturalmente, respondia fisicamente aos meus desejos sussurrados. Eu mesma me abismei com a pronfudidade que consegui obter por meio dos meus comandos despretenciosamente hipnóticos. Talvez por isso não tenha ficado muito tempo e o chamei. Tive que dizer três vezes seu nome verdadeiro para que voltasse a si, todo cheio de sorrisos, com os olhinhos verdes brilhando pra mim.


Sim, naquele momento fui mais Rainha do que normalmente sou; rainha porque consegui levá-lo, pelas minhas mãos, a lugares que ambos desconhecemos, mas que com certeza são prazerosos; rainha porque alcancei a plenitude da dominação, ainda que por alguns momentos; rainha porque sei que podemos progredir e realmente alcançar sensações ainda inimagináveis; rainha porque finalmente consegui abrir a porta de um novo fetiche.

Reviso, portanto, um texto anterior meu onde afirmo que um orgasmo simultâneo brinda um momento de afinidade absoluta entre domme e sub. Ainda concordo com isso; mas o que vivemos naquela madrugada prova que há meios de conseguir uma afinidade transcendente, que ultrapassa os limites do bdsm e consagra o amor e o respeito entre dois seres que se permitem o hedonismo!