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quinta-feira, 28 de junho de 2012

A história sem fim




Há centenas de anos, alguns espíritos errantes se encontraram pela primeira vez. De modo grosseiro, alguns se feriram, outros se abraçaram em meio à embriaguez. Construíram castelos de pedra e outros de areia. Destruíram aldeias, angariaram dívidas, perpetuaram uma leva.

Muito tempo e muitas existências depois, sem um fio de memória aparente, 22 cavaleiros se encontrariam novamente com a desculpa de profanar o desejo, de mergulhar no mundano.

Aparentemente alguns nada possuíam de afinidade, já outros estranhamente se reconheceram por razões nada lógicas. Eram 22 almas sem pretensão à santidade, porém não talentosas a ponto de coordenar o inferno. Seres nem tão despretensiosos, com o intuito único de encontrar o prazer. E acabaram por encontrá-lo basicamente, simplesmente, furtivamente na amizade.

A carga do ego os cegou por algumas vezes, mas esta força intrínseca que fez com que seus espíritos errantes buscassem uns aos outros venceu todos os contratempos. Assim, o insano, o bruxo, a matriarca, o autoritário, o lúcido, a sádica-meiga, a desbravadora, o disciplinador, a isolada, o inquieto, o promotor, o generoso, a criatividade, o perdido, a brilhante, a sutileza, o iluminado, a sensatez e a originalidade vêm escrevendo esta estória / história que está apenas começando.

Vivat tarot societatis!


domingo, 13 de maio de 2012

桜、日本の桜の木


Dizem que a cerejeira japonesa produz a mais delicada flor que dá o ar da graça neste Planeta. Ouvimos muito falar na Sakura, mas há quem nunca tenha visto nem fotografia desta beldade vegetal.

Dizem que a SophiaPsique é uma moça centrada, equilibrada (como boa oriental), excelente cozinheira, talentosa com números e letras, motoqueira aventureira, porém ‘dura na queda’ com seus sentimentos.

Dizem...

No Japão, a flor de cerejeira (sakura) é considerada uma metáfora para a vida, como um guia que garante o belo e farto outono sem falhas. Além de ser o símbolo dos Samurais, por se espalhar por todos os cantos que necessitam de sua presença.

No Brasil, mais especificamente no interior do Paraná, essa moça é certeza de tranquilidade, superação e aprendizado para quem tiver contato com ela. Gostos exóticos, cortinas arregaçadas, uma página da vida virada por dia com letras bem lidas em meio ao longo e denso manuscrito que ela aceitou descortinar nessa existência.

E nas suas torneadas pernas, as sakuras desfilam como símbolo da beleza feminina e sexualidade plena.  Subindo pelo corpo, as flores de cereja cumprem seu papel indicial de anunciação do amor.

De desenhos animados ao chá da felicidade matrimonial, as sakuras são usadas como prenúncio de alegria e de abundância. No moku hanga - uma arte japonesa milenar similar à nossa xilogravura – as sakuras demonstram a sensualidade feminina por meio das formas delicadas e cores intensas.

Assim como o perfume das flores de cerejeira, intenso e efêmero, Sophia nem sempre faz questão de ser notada. Como o gosto das sakuras, que de tão delicado foi comparado ao gosto do primeiro amor, sua presença sempre deixa uma sensação de querer mais.

Por tão poucas horas que passamos juntas e pela correria do dia a dia, nada explicaria a saudade que sinto dessa menina que agora me chama de mommy. Uma bela mulher, de altura e alma avantajadas, cujas sakuras representam a leveza do seu espírito.

E como viajar faz parte da minha mente fértil, nosso arcano 20, O Julgamento, não poderia estar em melhor arquétipo feminino. A precipitação de tudo que está por vir, assim como as sakuras anunciam uma nova estação.

Desejo que as lindas sakuras que percorrem teu corpo te tragam beleza, segurança, atrevimento e consensualidade, mas que sejam eternas como é marcante a tua presença. 



長く幸せライブ!

domingo, 22 de abril de 2012

Rótulos ficam bem em potes de molho*



Considerações sobre Tops, Bottons, Dommes, Doms, Masters, Mistress, Subs, Slaves, Sadistas, Sadeanos, Masoquistas, Sadomasoquistas, Fetichistas, Baunilhas e Switchers
             
            O cara entra num site e começa a ler o texto. Um festival de nomes deixa tudo mais confuso. “Se você for switcher, bla bla bla”; “Caso for do desejo do Top, o bottom deve blablabla”.
              Afinal, o que são essas palavrinhas que parecem denominar os papéis e dar as cartas dentro do cenário fetichista, ou pelo menos dentro do cenário sadomasoquista?
                Sabe aquela pessoa que adora mandar, sente prazer em ser servida, amada, idolatrada, quer ver seus desejos decifrados e realizados com maestria, dá risadas com a humilhação dos seus servos na tentativa de lhe agradar? Esta pessoa não é o seu chefe (pode até ser, mas neste caso não importa a profissão). Esta pessoa é o dominador. Uma Domme ou um Dom sempre terá prazer em ser servido. Os traços psicológicos variam bastante, mas alguns são comuns: altivez, autoritarismo, severidade, vaidade, rigidez, sarcasmo e boa dose de ironia. Os diferenciais sempre bem vindos são a responsabilidade, a ética com as suas ‘peças’ – nome dado por alguns deles aos seus submissos, e o cuidado com a segurança e a integridade de toda a cena, além da inteligência e do repertório sociocultural.

                Já a Mistress ou o Master podem cumprir o papel de dominadores, mas não necessariamente o são. Cabe eles primordialmente serem especialistas em alguma área ou fetiche. Portanto, o cara pode ser um Mestre Bondagista, por exemplo, e não gostar de dominar ninguém, não querer submissos ou submissas. O prazer dele é imobilizar e o prazer de quem está amarrado é se submeter ali, naquele momento, à MAESTRIA daquela pessoa em determinado assunto. A Mistress pode ser excelente hipnodomme, mas detestar vínculos. Só quer a cena e o prazer de dominar pelas técnicas da mente. Logo, em se tratando de Masters e Mistress, o submetido não necessariamente precisa ser submisso; pode ser um Dom, uma Domme, um switcher, um fetichista, outro Master ou Mistress, um curioso ou aluno. A confusão acontece porque algumas Dommes ou Doms se intitulam Masters ou Mistress de forma equivocada. Para estar enquadrado nos últimos nomes é preciso dominar a arte, o fetiche, e não a pessoa, ainda que seja a arte de humilhar, a arte de espancar e por aí vai. Portanto, iniciantes dificilmente serão Masters ou Mistress, a menos que tenham estudo ou praticado muito antes de entrar para as sociedades fetichistas ou sadomasoquistas.

                E o Top? Que diabo é o Top ou a Top então? O bom (confortável) dos Tops é não necessitar de nenhuma prática. Quem é Top detém notório conhecimento e habilidade psicossocial na interação com seu grupo e os demais. O Top sempre tem suas preferências e suas maestrias, mas muitas vezes escolhe ficar observando ou orientando. As principais características de um Top são a persuasão e a lealdade, já que – de acordo com o conceito desenvolvido ao longo dos anos e presente na literatura BDSM – tratam-se de pessoas que circulam em grupo, nunca apenas com um par. Para merecer a confiança dos seus, devem ser íntegros, apresentarem lisura nos atos e justiça nos seus julgamentos. E não é questão de considerar dicotomias como o bem e o mal, por exemplo. O Top deverá ser leal de qualquer forma, senão não terá seguidores. É uma figura que desperta admiração e aí reside a sua vaidade e o seu trunfo.

                Bottons são pessoas que servem aos Tops? Não necessariamente. A principal característica de um bottom é ser entregue; é um laboratório de descobertas para quem se dispõe, tem paciência e habilidade para aceitá-los. Esta pessoa quer ser conduzida literalmente de olhos fechados e por isso necessita de total confiança e entrega na sua relação. Frequentemente esta entrega também é afetiva, o que faz com quem muitos Dominadores e Masters rejeitem esta figura já que ela ‘perde’ sua personalidade na relação fetichista. Diferentemente do Slave ou Submisso, o Bottom não impõe limites; permite que o Top, Dom, Domme, Master, Mistress ou Switcher descubra seus limites. Quem aceita treinar, fazer sessão ou cena com um bottom deve ter suas anteninhas muito ligadas porque é comum que ele tente ultrapassar seus limites para agradar quem está no comando.

                Mas então o masoca – apelido carinhoso dado aos masoquistas – é um bottom? Não. O masoquista sente prazer em sentir dor e não necessariamente em se submeter ou realizar desejos. Na verdade, o masoquista não está ligando muito para o que quem está do outro lado da tala, chicote, vela ou qualquer outro instrumento que lhe aplique a dor, sente. Ele quer é sentir prazer e por isso aceita algumas situações que frequentemente são confundidas com a submissão. Masoquistas conscientes sabem seus limites, sabem o que lhes provoca o prazer e é comum que sejam pessoas de bastante repertório, inteligência e traquejo emocional. Por dominarem seus próprios desejos, acabam tendo comando indireto na cena a que aparentemente se submetem, provocando o delírio de Tops, Switchers, Doms, Dommes, Mistress e Masters que aceitem lhes impingir a dor.

                E o Switcher? Maluco indeciso? Não. Não consegui localizar nada que me desse subsídios referenciais para falar do Switcher, mas vou falar da minha experiência, sobretudo da observação de como as pessoas gostam de se posicionar dentro do universo fetichista. O Switcher, longe de ser um cara ou uma mulher que está indecisa, geralmente é uma pessoa madura, dona do seu nariz, que aceitou provar os dois lados da moeda e gostou de situações pertinentes tanto à magia de dominar, quanto à beleza e coragem de se entregar. Vejo o Switcher como uma pessoa que não gosta de rótulos, se permite novas experiências e não se incomoda com o julgamento alheio. Busca o prazer em primeiro lugar.

                Sádico ou sadeano? Sádicos todos somos em alguns dias da nossa vida. Quem nunca sorriu ao ver um malandro se dar mal? Quem não tem vontade de esfolar um vivo quando é prejudicado ou tem um amigo trapaceado? Ser sádico, por essência, é sentir prazer em impingir a dor, seja moral, seja física. O sofrimento alheio, encenado ou não, provoca prazer profundo no sádico. Já o sadeano é alguém de personalidade mais rara, adepto dos pensamentos e doutrinas do Marquês de Sade, mas não necessariamente se compraz no sofrimento; e quando o impinge, o faz para poder sanar o mesmo sofrimento que provocou. O sadeano, em essência, é alguém provocador, vaidoso, obseno, culto, malvado, mas extremamente carinhoso e protetor. O ‘moralismo’ de Sade está presente em suas atitudes e pensamentos, e ele quer viver o prazer na prática, nunca (apenas) no campo das expectativas.

                Sadomasoquista é um ser que aprecia todas as práticas que envolvam dor, não importa se na posição de provocar ou sofrer. Frequentemente confundido com Switcher, esta espécie fetichista nos diverte (porque promove grandes espetáculos), mas precisa ser consciente dos seus limites. Difere-se do Switcher por ser praticante de cenas que envolvam dor física ou moral, não necessariamente submissão ou entrega permanente.

                Slaves e submissos são as alegrias de todos. Graças a eles nós do outro lado da força sentimos prazer. Eles se jogam, aceitam, se humilham, servem, nos fazem rir e nos enternecem. É por eles que maquinamos planos, matutamos cenas, treinamos e aperfeiçoamos habilidades. Eles são nossos objetos de orgulho, de preocupação e de proteção. Infelizmente muitos são irresponsáveis, escorregadios e imprudentes, com gradações de chatices que beiram a loucura. Mas submissos nem sempre são slaves e slaves nem sempre são submissos. Daí vai do que cada um topa e do acordo que faz com cada dominante ou mestre, seja de cena ou seja permanente.

                O fetichista é tudo isso e um pouco mais. Pode ser tudo ou nada, mas sempre será a pessoa que assumiu que tem desejos com padrão incomum. O fetichista tem apenas uma premissa: se permitir, ainda que na observação. Pode se descobrir fetichista como voyeur ou como sádico no spanking; como submisso que gosta de ser pisado (um tipo de podólatra) ou como Dom que prefere ser idolatrado. Fetichistas somos todos nós que assumimos o nosso lado B.

                E se você leu até aqui e pensa que não se enquadra em nada disso é porque definitivamente você é baunilha. Pode até sentir prazer na estética e neste sentido poderia ser confundido com o fetichista. Porém, o mais comum é que seja apelidado de baunilha apimentado. E ser baunilha não é rejeitar e sim não sentir prazer em nada do que foi descrito até aqui.

                E antes que alguém me diga que estou errada, que é assim ou assado e que escrevi bobagens, este é um texto descritivo, baseado nas minhas pesquisas acadêmicas (que devem virar tese em breve), na minha observação, na minha própria vivência e na minha estada no grupo BDSM Santa Catarina. Provavelmente se você achar que estou errada, estou mesmo. O importante é que cada um seja feliz dentro do seu entendimento; que este entendimento ou rótulo seja preciso de acordo com suas convicções. Mas como tudo no mundo (ou quase) possui uma classificação em algum tempo, aqui está a minha.

*Artigo publicado originalmente no site iFetiche

quarta-feira, 21 de março de 2012

Pekenas atitudes

 É sempre assim. Frases feitas desde criança, na escola, na rua, no trabalho, na filosofia, na ideologia. ‘É de pequeno que se aprende’; ‘pequenas atitudes, grandes mudanças’; ‘nos pequenos frascos estão os grandes perfumes’...

Sim, é nos pekenos detalhes que mora a diferença. Pekenas gentilezas, pekeno gesto de afeto, pekeno olhar, pekena pretensão. Grande amizade, carinho em abundância, completo entendimento, ‘monstruosas’ conquistas.

Há alguns meses conheci uma Pekena de parar o trânsito. Ruiva meio tímida, jeito desconfiado e observador, corpo esculpido pelo tempo e pela mãe natureza. Poucas palavras e as portas foram se abrindo. Pekena de tamanho, mas grande na sensibilidade. Em poucas horas já conhecia os trajetos de todos, com nuances bem profundas. Talvez o ar que a enternece e a assusta em movimento seja o pai das suas intuições. Aquariana criativa, cheia de ideias, guiada pela força de Oiá, o que lhe confere certa teimosia, postura cheia de razão paradoxalmente equilibrada com uma doçura que faz com que todos queiram protegê-la.

Ledo engano. Pekena acaba protegendo quem a conquista não pelo tempo ou pelos títulos, mas por algo que não tem muita explicação e ao que muitos chamam sexto sentido. A habilidade com as mãos é apenas um pekeno detalhe do seu encantamento, misto de hipnose, alegria e luxúria. É como uma pekena interrogação que anseia pela resposta qual menino que correu atrás de uma pipa por horas, admirando um céu e um ponto colorido.

Nosso Arcano 14 - número complexo e representativo de acesso – carrega A Temperança como símbolo da nossa família. Um pouco de temperança faz tanta diferença... Hoje, lembrando de quando ela ainda não estava entre nós, enxergo com clareza esta lacuna de Inspiração e Alquimia.

E como não poderia deixar de ser, são pekenas palavras estruturadas de forma singela num pekeno texto que tem a pekena pretensão de demonstrar publicamente meu IMENSO carinho, minha GRANDE admiração e meu PROFUNDO respeito por ti, guria linda!





terça-feira, 17 de janeiro de 2012

A primeira impressão nem sempre é a que fica

 Diz o ditado que a primeira impressão é a que fica. Eu discordo. Essa história de “meu santo não bateu” nem sempre se perpetua. Sim, nosso “santo” pode se enganar.
    E foi assim com a mocinha dona de um dos cabelos mais lindos que já vi ao vivo. Nossa Lua me causou estranheza quando a conheci. Não foi propriamente um “não gostar”, mas uma incógnita que me parecia indecifrável. Talvez essa minha incapacidade de compreensão momentânea tenha mexido com minha vaidade e por isso resolvi pensar que “os santos não haviam batido”.
    Pois então. Havia uma grande barreira que me incomodava. Ela era o novo amor do meu querido JonJon. Como eu poderia conviver com alguém ao lado dele sem ter certeza que ela o faria feliz? Tá bom, Vulgata, tu não és o Xangô do mundo. Então fiquei me autoconvencendo que havia algo de errado com esta impressão. Torrei o saco do Monstrinho e do Duduh com minha verborragia, na busca de que eles me convencessem do contrário.
    Mas felizmente tudo mudou na Play de outubro, quando consegui finalmente conversar com a Aurorah. Descobri que assim com a Lua, arcano que ela bem representa na SAT, Aurorah é de uma beleza profunda tanto quanto seu olhar, realmente invulgar, que só se decifra diante da entrega paciente e desprendida de pudores. A doce bruxa tirou aquele véu que me assustava dos olhos. Véu que só me era estranho porque representava um espelho de energias que eu mesma precisava trabalhar em mim.
    Generosa, Aurorah me ofereceu lições de humildade, carinho, paciência e admiração, unidos a atributos que eu ainda não possuo, mas que admiro. O mistério pode ser positivo e a angústia de querer ter o controle de tudo muitas vezes atrapalha nossa visão.
    Por isso resolvi não contar uma fábula ou mesmo transformar esse episódio em parábola. Trata-se de um post de gratidão e desejos positivos acerca de uma menina-bruxa com quem aprendo muito sempre... e com quem pretendo conviver mais e mais, apesar da distância física.
    Aurorah, querida, nenhuma palavra que eu escreva aqui faz jus à tua beleza e ao bem que tu tens oferecido ao grupo, sobretudo ao Jon. E é por isso que trata-se de um escrito com a maior simplicidade possível, quase uma dissertação, pois ainda não me sinto com talento para poetizar sobre a tua presença...

Com todo o carinho, da Mommy!


   

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Parabéns, minha Estrela!

Como blog de confissões, nem sempre elas são novidade. E hoje é aniversário de uma mocinha muito especial não só na minha vida devassa, mas principalmente na minha vida cotidiana.

Há pessoas com as quais simpatizamos de cara, como se nossa alma reconhecesse de algum lugar. Sem motivo aparente, gostei da Jeh desde o primeiro dia... e olha que ela me olhou toda desconfiada quando fui abraçar seu amo, o meu mano-amigo Parallax.

São apenas 22 primaveras da nossa Estrela em uma cabeça cheia de originalidade, franqueza e maturidade, ordenadas por um coração seletivo, amigo, leal. Confio na Jeh, tenho prazer em estar ao seu lado, acho ela linda e desejo de toda a minha alma que ela seja cada dia mais feliz com suas escolhas. Que seus sonhos se renovem sempre e que a vida lhe sorria com todos os seus dentes...


quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Prazer, sou bonita! Olá, sou O Mundo!



    A pobreza de espírito do ser humano faz com que criemos pré-conceitos, rótulos desnecessários que só atrasam os verdadeiros objetivos de quem se permite. Mas felizmente as histórias de nós mortais podem ter finais felizes.
    Pois bem, vou contar uma fábula para vocês, bem ao estilo Vulgata...
    Era uma vez uma mocinha de longas madeixas cor de ouro, rosto de boneca, jeito e voz de gata, corpo esculpido com generosidade pelos anjos. Não bastasse o visual impecável, o Olimpo a premiou com cultura e inteligência temperadas com personalidade forte, ideias próprias e pontos de vista bem definidos, tornando o conjunto de uma beleza ímpar.


    Certo dia a deusa felina resolveu assumir seu lado B, o que incluía chicotes, cordas, prendedores, dominação e sadismo. Pronto! Estava tudo confuso no reino dos malvadinhos. Por ser tão linda, roubaram-lhe o direito de ser livre nos seus desejos. Esqueceram de perguntar à moça o que ela sentia e como sentia. Sua emoção era igual à de todos os demais malvadinhos do condado. Tinha sentimentos, anseios, desejos, erros e acertos. Mas seu ‘crime’ era ser bonita demais. Logo, teria que se conformar em ser apenas admirada. Viver era para os de aparência ‘normal’.
    Porém, Olimpo e contos de fadas chegaram a um acordo e permitiram a um certo príncipe Pendurado que ultrapassasse a redoma e a libertasse do fardo de ser a bela inexperiente.
    E desde então esta história tem sido escrita com muitos sorrisos, descobertas e prazeres para ambos e para aqueles que admiram a honestidade e a coerência dos quereres.
    E como todo conto de fadas carrega uma moral, eis a da deusa felina e do príncipe consorte: quase tudo na vida passa – beleza, amores, empregos, dinheiro, algumas amizades... O que realmente fica são as lembranças, o aprendizado e a verdadeira emoção do que foi vivido intensamente!


    O Mundo é assim. Uma constante mudança, metamorfose de sentimentos, brilhos, matizes com presença certamente inesquecível.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

A galera ‘tri’ do Sul



                “Este é um grupo de gente chata, pouco democrática e rigorosa em quesitos como ética”. Assim é a SAT. Antipática por natureza. Mesmo assim, volta e meia aparecem novas figuras querendo saber ‘qualé’ da chatice dessa gente um tanto estranha. E foi assim que conhecemos o Senhor H e sua mimosa, a subamanda e a Mistress Atena. 


                A última é do Sul de Santa Catarina e os demais da Grande Porto Alegre. O primeiro contato com a galera gaúcha, ao que tudo indica, partiu do JonJon; não sei bem quais os meandros e como surgiu o convite. Por fim, o nosso cônsul oficial, MZ – vulgo Monstrinho -, fez as honras da casa ao participar do encontro BDSM de Porto Alegre recentemente. Já com Mistress Atena a conversa já era longa há mais de um ano. Eu a conhecia de longos papos virtuais e por telefone, assim como ela já havia conversado com JonJon e Kurumin. Logo, o convite tardou, mas aconteceu.

                E como não existe acaso, nesta última play estavam todos lá com seus sorrisos largos, francos, como todo bom sulista sabe dar quando quer ser bem aceito. Chegaram apenas no sábado, mas puderam desfrutar conosco do ápice da confraternização, além do bom churrasco feito pelo duduh no domingo.

                Ainda não tenho muitos elementos para discorrer sobre eles e nem pretendo ser o Olho de Rá do grupo, exceto um pouco mais sobre a Atena. Do Senhor H tive a impressão de ser um praticante cauteloso, de bastante conhecimento e curiosidade. A simpatia é típica do gaúcho – sim, eu tenho que puxar a sardinha pro meu lado. E ele protagonizou uma das cenas mais lindas desta play com a nossa querida Sophia (foto). A emoção de ambos foi contagiante.

                Da mimosa, creio que a alcunha foi escolhida com muita propriedade. No Rio Grande do Sul, costumamos chamar ‘mimosas’ as moças que são graciosas, bonitas e de imagem terna. E a mimosa é realmente muito bonita. O rosto de traços fortes, a personalidade marcante não tira seu ar meigo. E aquele sininho no pescoço foi fantástico!

                E a subamanda é um amorzinho de pessoa. Delicada e simpática, mesmo tímida diante da vergonha que sentia de mim, pode mostrar que tem excelente senso crítico e eu aprecio pessoas de idéias lúcidas. A vergonha, aliás, poderia ser dispensada. Fiquei feliz dela ter se entregado às cordas do meu Monstrinho. E quem sabe uma hora ela não toma coragem para o resto?

                Por fim, minha amiga Atena deu um show de humildade. Atenta e observadora, foi cooperativa, espontânea e alegre o tempo inteiro, além de ter me ajudado na mumificação da Naivara. Eu bem sei que sua mente é altiva, mas ela realmente provou que eu estava certa na minha intuição. Desejo, amiga, que estejas mais e mais presente às nossas plays para que todos possam conhecer teu lado generoso.
                Enfim, essa gente 'tri legal' fez da nossa play um evento mais hospitaleiro, divertido, cheio de olhos curiosos e ouvidos atentos. 

Obrigada aos quatro pela oportunidade de conhecê-los pessoalmente e esperamos tê-los em breve em novos encontros.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

O Monstrinho e O Pendurado



                Existem problemas difíceis de resolver, sobretudo quando nascem de situações engraçadas. Há duas figuras que estão na SAT as quais me orgulho muito de ter introduzido no grupo: MZ e duduh - e eles têm problemas...rs. 


                O primeiro é e será meu eterno Monstrinho, protagonista de muitas histórias deste blog. Corresponde ao arcano 19, cujo arquétipo é representado pelo Sol. E quem conhece MZ sabe que ele é o Sol. Trata-se de uma alma cheia de luz, sapiência e conciliação. Ao lado dele, nunca há tempo ruim e há solução para tudo.
                “Se não for para ser divertido, não deve acontecer”. Assim ele sempre conduz as relações, mesmo sendo submisso, com muito bom humor, talento e criatividade, marca deste ariano que adora desafios num limite extenso de mente libertina.
                Nesta play, ele teve o prazer de ter a condução da Morgana – ou Senhora M13 – cuja inexperiência no BDSM não lhe tirou o brilho do olhar típico de domme, nem aliviou suas mãos aparentemente pequenas e frágeis, mas cheias de intenções sádicas. Para mim uma alegria ver meu Monstrinho feliz. Para Morgana, uma oportunidade ímpar de começar com um dos melhores submissos disponíveis no meio BDSM brasileiro.
                A mommy aqui ficou muito feliz de provar novamente desses abraços que sempre reenergizam e me fazem acreditar do quanto vale a pena viver, progredir e optar pelas soluções generosas que a vida apresenta.
                E as suspensões estão cada vez mais lindas e criativas. Parabéns!



                O segundo talvez seja um dos mais gatos submissos que se tem notícia, além de ser um menino de ouro, no melhor sentido da palavra. Duduh também é meu pupilo, com todo orgulho do mundo, e também é personagem de alguns posts mais antigos deste blog. Seu arquétipo é O Pendurado, arcano 12, número que representa o equilíbrio e a justiça pela generosidade.
                Posso afirmar a vocês que se há alguém prestativo neste mundo é o meu protegido duduh. E com toda essa entrega, nas voltas que a vida dá e dentro da SAT, ele encontrou a florzinha Manndy, uma jovem promessa do SM do Sul. Mais linda impossível, com um abraço franco e sorriso encantador, ela tem feito meu querido duduh muito feliz, para a alegria dessa matriarca coruja. Ambos são belíssimos e se complementam na estética; mas nem só de beleza eles vivem porque têm mostrado excelentes progressos dentro do BDSM e, pelo que senti, fora também, já que mantêm um relacionamento estável.

                Juntos são considerados o casal mais fofo do grupo, o que eu concordo, até porque é impossível estar ao lado deles sem rir. Duduh tem um senso de humor surpreendente, além de transmitir doçura no olhar, mesmo quando conta piadas. E ser bonito muitas vezes é mais difícil do que ser feio. O preconceito existe e o ‘provar pra todo mundo que também sou legal’ se torna tarefa árdua diante dos olhares desconfiados de algumas pessoas. Mas eles nos provam que sim, é possível ser lindo, ser legal e ter repertório!
                Guris queridos, obrigada pelos momentos de prazer, de alegria, pela generosidade e pelo carinho que sempre devotam a mim. A cena militar foi impagável e ver MZ de vestido com unhas pintadas, e duduh de biquíni cortininha, com óleo de bebê realmente não tem preço!!! Gurias, obrigada por conduzirem tão bem meus meninos e por fazê-los tão felizes...


segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Um certo Mago e o Louco que enxergava longe



                Eu tenho uma teoria: a vida só faz sentido se encontrarmos pares que comunguem conosco dentro dos diversos guetos dos quais faremos parte durante a vida (seja encarnada ou desencarnada). E eu me considero uma das pessoas mais realizadas dentro do BDSM brasileiro por fazer parte de um grupo pequeno, porém coeso e sincero. E dentro deste grupo, intitulado SAT BDSM, existem duas pessoas que considero partes de um pentágono perfeito – ímpar inclusive nas imperfeições: JonatanStrange e Pexis, respectivamente arcanos 1 e 0, ou O Mago e O Louco.


                Nesta play, não houve surpresa quanto aos papéis de ambos. JonJon foi o organizador abdicado e dedicado de sempre e Pexis foi o dominador psicológico da cena, com todo seu repertório no mínimo original. Mas para mim, partilhar a companhia de ambos é sempre um evento. Meu babyboy JonJon tem tantas histórias comigo que produziriam um blog inteiro bem extenso. Ele está feliz, mais maduro, mais seguro, mais tranqüilo e com mais controle de si mesmo – porque dos outros ele sempre teve. Enxergo a plenitude no fundo dos seus olhos e a tal autodestruição típica dos arianos está ficando cada vez mais distante da sua realidade. Eu como mommy não poderia ficar mais feliz. E boa parte dessa responsabilidade testemunhada nesta play deve-se a uma certa elfa, de lindos cabelos ruivos, cuja alcunha remete à força das linhas do céu. Aurorah é uma moça que me confundiu e talvez tenha confundido o próprio JonJon. Mas dela falarei mais tarde. O que importa agora é dizer que ela é fundamental nas nossas vidas e no nosso grupo.

                Ao meu amado JonJon, minha gratidão, meu carinho e meu amor por ser o que é e por me dar tanto de si em todos os momentos.


                Pexis Pexis, o aparente maluco desconexo que enxerga mais longe do que todos nós. Poucas vezes na vida senti tanta afinidade e entendimento com alguém como sinto com esse irmão querido, de citações filosóficas, quase incompreensíveia à maioria dos mortais. Por que eu o entendo? Não é por atingir semelhança com sua mente brilhante, mas por sentir as palavras que não possuem tradução. Nossos olhares não necessitam do léxico, mas nem por isso são menos cúmplices.

                Ao meu irmão de alma Pexis, minha admiração e meu amor incondicional; minha gratidão ao Universo por ter me permitido esse encontro nesta existência e neste grupo.



Ode à ausência



Esta play de outubro foi bastante marcante para mim por alguns motivos pontuais, os quais pretendo descrever em posts separados. Tenho muito a dizer... sobretudo a mim mesma. São análises que ainda permanecem fervendo na mente. E decidi, então, começar pelas ausências.

Algumas pessoas foram sentidas na presença e outras na ausência. A mim, especificamente, foram cruciais as ausências dos meus irmãos Cosmo_Vain e Parallax. O primeiro porque é meu cúmplice dentro e fora do BDSM e sua energia é quase vital para mim; o segundo, porque é o Imperador do grupo. E como fica uma Imperatriz sem o Imperador?

Também senti muita falta da Jeh, a sub mais completa que já conheci na vida e uma pessoa que prezo na essência; do bousfieldy, o bottom mais bottom do grupo e o vencedor do troféu ‘guerreiro play julho 2011’; da MistressAmanda, minha sister afastada cuja autoridade está no olhar e ética está em cada gesto e palavra; e do meu mestre bondagista ACM que, por problemas pessoais, não pode comparecer. Dele nem me atrevo a dizer nada agora porque seria tudo redundante ou simples demais diante de tanto talento, generosidade e sabedoria.

A dança das cadeiras rodou e é lindo ver a vida girando e se acomodando conforme as boas intenções e as oportunidades de aprendizado.

Aos presentes na play de 14 a 16 de outubro de 2011, meu muito obrigada nesta abertura de post especiais sobre o evento. Aos ausentes, meu sentimento de ausência e minha saudade...


terça-feira, 16 de agosto de 2011

Arquétipos

O nosso grupo BDSM Santa Catarina tem ultrapassado fronteiras, o que nos obrigou - os seis fundadores que ainda permanecem - a criar algumas regras que assegurem o relacionamento saudável entre os membros. Por percebermos que, apesar de irmãos, somos um grupo bastante heterogêneo, notamos que praticamente todos os elementais e biotipos estão presentes entre nós. Por isso, também decidimos identificar cada membro desta irmandade - agora chamada de SAT BDSM - de acordo com um dos arcanos maiores do tarô.



A escolha foi feita levando em consideração os aspectos negativos e positivos de cada carta, as características e gostos pessoais dentro e fora do BDSM, a energia relacionada aos elementais de cada um e a posição que ocupam dentro do grupo.

Inicialmente algumas cartas remetem a análises negativas e outras a somente positivas. Não é verdade. Todos os arcanos possuem pontos a favor e contra. De acordo com o elemental de cada um, montamos uma descrição personalizada que pode definir melhor como é aquela peça dentro deste imenso jogo chamado BDSM.

Nossa pretensão não é sermos uma sociedade secreta, apenas delimitarmos nossas posições dentro de uma irmandade de forma original, já que boa parte de nós é ligado à espiritualidade ou totalmente mergulhado, como eu.

No grupo eu represento o arquétipo III - A Imperatriz:


"A Imperatriz carrega o poder da beleza e da riqueza. Arcano de realização, tem na sua mão o cetro do poder. Desconfiada, é prudente na entrega e aparece com um escudo para se proteger, pois na posição em que se encontra, atrai muita inveja. Sempre preocupada com os seus, é mandona, autoritária e gosta de ser reverenciada. Zela por suas posses assim com as dos demais. Justa e soberana, eventualmente aparece grávida, o que significa que há uma preparação, há um processo que ainda não está concluído. De temperamento errante, o seu reino é a razão e a comunicação, completos pelo arcano II - A Sacerdotisa. Não aceita seguir só a intuição e a emoção, que já possui bem aguçadas, uma vez que tem A Lua a seus pés. Como aspectos negativos, há nela um pouco de arrogância e vaidade pelas conquistas já feitas. Meticulosa, prima pela perfeição e pela lisura nas relações. Pode ter uma serpente e um baú de jóias de cada lado, simbolizando, respectivamente, a sabedoria e a riqueza"  

"Realizo os teus desejos em troca da tua adoração"

Disse Wanda a Severin, em A Vênus das Peles: "Foste tu que me inculcaste o egoísmo, o orgulho e a crueldade, e serás tu a primeira vítima. Agora sinto realmente prazer em ter sob meu poder e maltratar um homem que tem, como eu, pensamentos, desejos e vontades, um homem que é mais forte que eu, física e intelectualmente, e sobretudo um homem que me ama… Amas-me ainda?"