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quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Parábola do caranguejo



Eita bichinho estranho esse tal de caranguejo: só anda pros lados, foge de tudo e quando se sente ameaçado se volta pra dentro da carapaça! Pouco vive porque tem medo de tudo. O que julga ser os riscos que corre, não passa de ilusão da sua própria mente que insiste em desenhar um mapa contrariado pelo destino, sabotado pelo que sente. E dentro do seu medo, é míope e incapaz de aprender outros modos de sobreviver.

Não é à toa que está ameaçado de extinção o pobre e, mesmo sabendo disso, não faz nada para mudar. O que busca fora de si, cotemplando por horas e horas aquela praia imensa, não está no fundo do mar das suas ilusões e sim dentro de si, aprisionado em sua carapaça.

Pois era um desses, jovem, lá pela idade de testar o mundo com suas pinças em forma de fortes garras, quem resolveu entrar no universo do fetiche. Curioso, cheio de ansiedade e impulso desmedido, queria a todo custo viver uma fantasia DE VERDADE. Até então só tinha passeado pelas margens da coisa e ainda sim tudo o encantava.

Um dia ele encontrou uma certa carangueja, plena de si e cheia de convicções; frágil, sensível e exausta de ser rainha do grupo. Ela, ao contrário dos demais da sua espécie, não andava para os lados. Havia desenvolvido um método de andar para frente e para trás, sacrificando sua carapaça, pagando o preço de não ter mais refúgio como seus companheiros. Da carangueja quase todos gostavam, exceto os que não a compreendiam ou a invejavam.

Apesar de muito diferentes, a carangueja se encantou com o jovem e resolveu aceitar os flertes que o introduziram em seu mundo. Alertou que era difícil. Entretanto, ela tentava acompanhá-lo andando para os lados para que se acertassem não só nos fetiches crustáceos, mas principalmente nas cicatrizes que ambos mantinham. Ela queria levá-lo pela mão e mostrar como se andava para frente. Ele quis e até arriscou alguns passos. Mas por sua carapaça ser tão rígida, não resistiu às dores iniciais e não acreditou que logo logo eles estariam libertos para viver o que ele sempre sonhava ao contemplar o mar.

O que o caranguejo não sabia é que ela sofria muito andando para frente, mas que toda essa dor compensava e que a única coisa que lhe faltava era um caranguejo que a acompanhasse permanentemente. E embora sofresse, ela continuava andando e até volta e meia dava um passo para trás, retornando ao seu rumo sem desistir. Era comum vê-la acompanhada; gostava de rir com os amigos de outra espécie que andavam como ela. Por vezes andava com outro macho, sossegando de tempos em tempos seu caminhar. Porque a solidão é que dava o peso às costas da carangueja, mesmo sem ter mais aquela armadura.

Muitas vezes o jovem caranguejo foi visitá-la e ela estava banhada em lágrimas porque o caminhar adiante a consumia de forma quase insuportável, desgastando suas garras. Ele a contemplava admirado e, quando estava carente da força e dos cuidados da carangueja, até punha suas pinças por cima dela e a abraçava. Porém, assim como os demais do bando, ele não se sentia capaz de sacrificar-se para andar para frente como sua musa inspiradora.

E assim ele permaneceu parado, andando às vezes para o lado no arfã de encontrá-la em algum cruzamento. Infelizmente muito pouco ele viveu da sua fantasia porque não teve paciência para esperar um desses momentos de dor da carangueja que acontece quando ela dá um passo muito longo. Porque ao invés dele entender que somente esses passos dolorosos são os que fazem dela uma Rainha, ele preferiu continuar andando para os lados e jamais contemplar um horizonte de frente.


Hoje ele é um caranguejo aparentemente feliz, cheio de soberba, grudando nas raízes dos mangues próximos à praia, onde as árvores retorcidas muitas vezes o impedem de contemplar o mar que ele tanto ama e que guarda os segredos daquela carangueja que para sempre vai amar; e ela seguiu seu caminho. Nos seus sonhos, ele a encontra todos os dias num sentimento platônico, frustrado e covarde. No mais profundo da sua alma, ele guardou os desejos que endereçou a ela e a vontade de viver uma vida diferente.

Ela? Bem, ela... está por aí. Dando um passo por dia, às vezes mais largo. Ora recua de leve porque se enfraquece; ora anda para os lados devagarinho para descansar da maratona de uma vida sem carapaça, exposta e sem volta. Sim, ela gostaria que ele a tivesse acompanhado, mas até porque anda para a frente, entendeu que cada um ao seu tempo e que, sim, todos estão fadados a encontrar-se na mesma praia...

O fetiche ela guarda consigo e o vive quando quer; ele é só uma porta - de entrada ou saída. Afinal, ela é uma Rainha. Sem nada que a prenda, partirá para uma nova enseada, cheia de vontade de que seus passos sejam amparados por um caranguejo que se arrisque aprender a andar para frente como ela e compreenda que é muito mais fácil do que parece. Só exige CORAGEM e FÉ NA VIDA!

"[...] as pessoas mais sensíveis podem ser as mais fortes. É preciso coragem para chorar, para demonstrar dúvidas e sentimentos, para dizer 'Eu te amo' e até mesmo para mentir.[...]

Na lápide de mais um caranguejo falecido em sua alma ela gravou com a força do tempo, senhor de todas as respostas: "que um dia tu entendas que somente quando tu arriscares a viver o que a vida te oferecer serás feliz plenamente; e que geralmente essa oferta está muito distante dos planos mirabolantes que nossa mente limitada faz e das idealizações que cercam as surpresas de estar nesse mundo"!
 



sexta-feira, 12 de março de 2010

Sou infantil

Lembra que te disse que um dia me prometi que não ficaria mais de 12 horas triste com alguma coisa? Pois bem, vou cumprir essa promessa mais uma vez, mas antes vou escrever o que refleti. Talvez te sirva...

Hoje cheguei à conclusão que sou infantil. Sim sou muito infantil. Não posso dizer que sou ingênua porque muita água já passou por debaixo 'dessa ponte' e alguma malícia eu aprendi; porém mantenho meus olhos ingênuos diante das pessoas. Falo da minha vida como quem conta uma fábula sem se preocupar com o lúdico do outro. Falo falo falo... sem pudores, sem rancores, colocando todo o meu 'eu' sem artimanhas para obter isso ou aquilo. Dispo-me das roupas expondo minhas imperfeições e cicatrizes, assim como dispo minha alma em busca do novo. Não sei tramar, medir, articular. Se conquisto é por eu mesma, pela minha essência; minha manipulação é a minha transparência.

Sinto saudades de acreditar nas pessoas e daquele tempo onde as únicas promessas e planos eram as brincadeiras do dia seguinte (sempre cumpridas, diga-se de passagem, a não ser que caísse um toró). Sinto saudades de quando não existia msn e e-mail era algo complicado para usar; assim éramos obrigados a olhar nos olhos das pessoas e conversar. Sim, o msn, skype, e todas essas parafernálias facilitam a nossa vida em algumas ocasiões, mas tiram toda a nossa expontaneidade diante das emoções próprias e alheias. Sim, tenho um olhar infantil sobre tudo isso e adoraria ser criança para ter como única diversão os joguinhos e desenhos coloridos em multimídia. Mas eu sou adulta... e fetichista...

Há algumas semanas eu conheci um rapaz que me fez acreditar que algo ainda poderia valer a pena nesse mundo complicado do BDSM. Diante de tantos chatos desprovidos completamente de qualquer repertório, das montanhas de mentirosos que já cruzaram a minha vida, até hoje somente duas pessoas realmente valeram a pena na minha trajetória sadomasoquista - e peloamordedeus não pensem meus amigos que estou falando de vocês, ok! Falo dos famosos e controversos submissos. Sim, até porque submissAs são tão raras por essas bandas quanto araras azuis.

Conheci muita, mas muita gente mesmo. Nem saberia precisar. A maioria não me fez tremer nem um dedo, quanto mais me despertar a vontade de colocar pra fora a Lady Vulgata e seus diabólicos olhos verdes... Alguns valeram a pena pelo corpinho, confesso. Sabia que não seriam bons submissos, mas poderiam ser boas 'saídas'. E foram. Outros foram esforçados, mas não conseguiram conciliar suas vidas com as 'atividades' SM.

Mas valer a pena pra mim é criar cumplicidade, permitir aprendizado, confiar e se entregar ao hedonismo da cena, do momento e do relacionamento que se cria. É ter mais que afinidade; é ter química, parceria e respeito mútuos, não só pelos sigilos sociais, mas pelos sentimentos envolvidos. Já disse aqui que BDSM dessa forma, na minha opinião, é um tipo de amor... e muito prazeroso! Porém tão raro... tão tão raro...

E quem valeu a pena até hoje foi quem me iniciou como domme (sim, isso existe e quem me acompanha aqui sabe da importância do Tolkien na minha vida) e permaneceu com a minha coleira por mais de 2 anos;  e meu amado Monstrinho MZ Submisso, com quem completei um ano de relacionamento SM em fevereiro. Jurava que havia encontrado o terceiro... e este post não tem a pretenção de ser saudosista, tampouco falar das vezes em que nos decepcionamos na vida ou nos equivocamos, mas sim em lançar uma reflexão de como o BDSM pode causar medo nas nossas vidas por ser tão distante dos sonhos que fantasiamos.

Não estou aqui para falar mal do moço. Pelo contrário. Sei que ainda seremos amigos e confidentes. Tive o mais íntimo dele nas minhas mãos e vi nos olhos dele que não é pouco (coisas que nem ele sabia que estavam na sua alma; coisas que resplandeceram no seu sorriso em cada palmada e chicotada que eu dei). Extremamente honesto, franco, carinhoso e cavalheiro, além de inteligente e bem humorado. Entretanto, foi mais um vencido pelos fantasmas da consciência. Acho que todos nós já passamos por isso e são poucos os que enfrentam e vão adiante, por isso é tão comum dizer que "BDSM tem início difícil". Pessoas que acreditam que podem matar seus desejos em nome do que socialmente ou moralmente se convenciona como o correto. Pessoas que se deixam morrer um pouco a cada dia por desejar e abafar!

E também quero falar de algo muito importante que é o mau uso que os submissos fazem das dommes. Somos usadas por vocês, "senhores" (tsc), e nem sempre da melhor forma. Por que digo isso??? Por que a última coisa com que vocês se preocupam quando estão decidindo se querem ou não querem entrar neste mundo é com os sentimentos e as expectativas das mulheres que ali estão para lhes dar prazer (porque não adianta virem com esse blablablá pra mim que o escravo só existe pra dar prazer pra Rainha - é uma via de mão dupla!).

Que me perdoem as profissionais que cobram por isso, mas eu sou domme por prazer. Não recebo nada em dividendos a não ser as carinhas de felicidade dos meus submissos e essa tal cumplicidade tão difícil de se encontrar por aí. Promessas vocês fazem mil: desde expor-se ao ridículo, até desejar coleiras permanentes ("pode mandar fazer" lembra???). Colocam nossos nomes em seus orkuts e msns, dão presentinhos, mandam sms, escrevem todos os tipos de devaneios para que tenhamos certeza da sua entrega. Mas na primeira crise de consciência jogam a toalha e a descartável domme que se lixe e procure outro que a faça feliz!

Infelizmente não é assim. Com essa atitude de vocês, "senhores" (tsc), muitas boas dommes também já jogaram suas toalhas, desencantadas com essa irresponsabilidade com os sentimentos e tempo alheios. Eu mesma conheci algumas e estou no limiar de ser a próxima. Estou muito cansada. Muito mesmo. E se eu sair do cenário saibam que ainda existe a Lady Vulgata, só que ela perdeu a paciência de tentar ensinar, iniciar, ajudar e abrir as portas do prazer para pessoas que só pensam nos seus próprios umbigos. Talvez ela volte a ser aquela mulher baunilha recatada que foi descoberta 'por acaso' por um aluno insistente. E assim eu vivo minha vida pacata, eventualmente encontro meu Monstrinho (porque este é de fé!) e deixo essa loucura de lado.

Eu também passei por isso. Também fiquei com os meus sentimentos confusos após as primeiras sessões. Até porque era casada e nunca gostei de ser infiel. Porém, procurei compreender, serenar, conversar com o Tolkien, expor meus medos e angústias. O tempo mostrou que ele estava certo e que tudo isso passaria (as angústias, os temores, as dúvidas). Mas eu tive paciência, eu me dispus, eu não chutei o balde antes do tempo! Portanto, se valeu para mim que sou domme, vale para vocês que são submissos e vale em muito na nossa vida. Sim, temos que saber o que queremos pra nós, o que sentimos, o que bancamos, mas precisamos dar oportunidade à vida de nos mostrar todos os viéses daquele novo matiz que nos apresenta chamado BDSM antes de tomar uma decisão final!

Queridos, não façam as dommes de bobas. Sei que há muitas mulheres que não mereceriam ser chamadas de dommes e fazem misérias com vocês, mas estas nem deveriam ser chamadas dommes e nós, mulheres hedonistas por essência, não temos que pagar por elas. Quando encontrarem uma boa mulher disposta a realizar as fantasias de vocês, sejam no mínimo gratos à vida... e espertos em mantê-las...
Jamais estabeleçam compromissos de submissão e de coleira se não têm ABSOLUTA CERTEZA do que querem. Se assim for, se há curiosidade mas não firmeza, sejam honestos. Certamente a boa domme os iniciará com o mesmo empenho, só que ela mesma não criará expectativas acerca de um novo submisso.

Realmente lamento por mais esse episódio. Fizemos tantos planos e eu sei que você estava falando a verdade. Assim como sei que já havia muito mais que BDSM entre nós. O olhar, a pele, o beijo e os abraços não mentem jamais, sobretudo para quem é fetichista. E que o tempo, o mais sábio dos conselheiros, resolva essa situação para ambos que estamos sofrendo!

Desculpem pelo desabafo, mas este é um blog primeiramente de Confissões.

Beijos

LV

quarta-feira, 3 de março de 2010

Indiretas comportadas


Dizem que encontros casuais produzem as mais arrebatadoras paixões. Está nos filmes, na literatura e no empirismo coletivo.

O primeiro encontro foi casual. O que ela queria era apenas jogar conversa fora com amigos e conhecer mais um do meio BDSM considerado 'legal' por sua parceira domme, corroborando sua luta diária para tirar o pessoal do armário. Ok, ok. Foi ótimo. Muitas risadas e conversa animada, regada a cerveja e batata frita.

Uma afinidade muito sutil pode ser percebida por alguns e passou na mesmice por outros.

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Dias de trovão. A vida dela vira de cabeça para baixo, sem aviso prévio, sem lutas, sem surpresas. Porém, que seja doce a dúvida e quem a verdade faz mal. Era o que todos esperavam... Resultado: portas abertas para o novo!

Ele se ofereceu para fazer algo por ela que levantasse seu astral. Ela propos, sem segundas intenções, que fossem dar uma volta e comer alguma coisa. Solícito, ele concordou e a buscou pontualmente, com todo o cavalheirismo e cordialidade que um gentleman sabe ter.

Nas entrelinhas, a submissão.

- Queres ir aonde?
- Dê mais uma volta e escolheremos

Mais alguns quilômetros e ela escolheu um restaurante japonês, saudosa dos sabores nipônicos há tempos experimentados e vividos. Sentaram-se. Comeram. Beberam. Conversaram. Indiretas comportadas eram expostas de forma natural em meio a olhares taciturnos. Ele entendeu. Ela desejou. Ele também.

Ambos se portaram como dois novos amigos com muita afinidade, respeitando a proposta inicial do encontro. Porém, acessórios são uma doce armadilha para um fetichista. No caso, dois. Além do couro dos bancos do carro, que sempre despertam lascívia nos praticantes do BDSM, ele havia comprado 'a coleira', junto com as cordas que há tanto ansiava que fossem usadas em seu corpo. Talvez a consciência o tivesse traído e, lá no fundo, ele havia feito de propósito, prevendo sua luxúria.

Ao colocar a coleira no pescoço dele, a perfeição impensada das medidas contribuiu para que todas as convenções fossem quebradas. Encaixou a guia e o puxou para si num beijo cheio de tesão.

E aquele cheiro que só nosso detector de feromônios reconhece se fez presente, pleno e saudoso por dias mais alegres. Misto de nostalgia e esperança. E seu chicote ganharia plenitude novamente.

Estava selada a união mais sublime entre duas pessoas: a que congrega a química, admiração, afinidade e uma mesma busca...

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Casa de campo

Era tarde na casa de campo. A maioria dos convidados já havia se recolhido. Ficamos apenas eu, ele e ela. Ela parecia distraída limpando o resto de sujeira que restou do jantar. Zelosa, quis conferir pessoalmente o trabalho das empregadas e do caseiro. Cabelos presos de forma displicente, blusa regata justa ao corpo esguio, short jeans, sandália e um colar de contas com algumas pedras.

Ele, parado, observava a lua hipnotizado. Cabelo soltos, roupa folgada, descalço. Nada parecia aborrecê-lo.



Eu estava tensa. Queria dormir, mas algo me consumia as entranhas. Um fogo libidinoso que me provocava a ser desleal com a dona da casa, assediando o distraído rapaz.

Era uma noite macabra, pelo menos para mim. A sombra que o corpo dele projetava na varanda me incendiava a libido. Me aproximei, contemplei, fiz silêncio, o encarei e senti uma reciprocidade que não poderia ser traduzida em palavras. Ambos olhávamos na mesma direção. Queríamos o mesmo.

Absorta na sua fiscalização doméstica, ela nem percebeu nossa presença. De onde estava, ainda mais sem óculos, no máximo nos confundiria com duas grossas colunas da extensa varanda.

Sem proferir palavra, ele me beijou. Sem pensar em egoísmos, retribuí. Aos poucos ele me arrastou para a parte de trás da varanda, onde os convidados não nos ouviriam, a menos que algum estivesse perdido no escuro do hall de entrada.

Ele me colocou sentada na soleira da varanda. Eu estava com um vestido longo, porém fácil de manipular. Ele vestia uma bermuda com elástico e foi bem fácil deixar tudo livre para um pequeno e intenso trecho de êxtase num dia de festa. Ambos agarrados nos cabelos do outro, beijos e mordidas, estocadas rápidas e constantes, gozo frenético, tremores de volúpia que perpetuaram a rapidez do momento. Meu corpo era só espasmo; o dele só satisfação.

Compostura.

- Amor? Cadê você? Me ajude a levar os pratos maiores para a cozinha da casa?
- aham... só um minuto... to chegando (com o humor habitual e dissimulado nas palavras)

Algo me encanta na dissimulação, talvez por ser um aspecto tão diferente da minha natureza e uma competência tão perigosa e útil. Eu me joguei na rede, como se estivesse a adormecer. E, sim, haveria de ser parceira na dissimulação proposta pelo meu hostel.

Francamente? Há coisas que não tem explicação...

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

sábado, 2 de janeiro de 2010

Renovação


Todo ano a gente se despede de um ciclo e comemora outro. Bobagem ou não, é um momento em que todas as energias do planeta estão voltadas para a RENOVAÇÃO. Quem não quer ser feliz? Todos queremos saúde, amor, paz, prosperidade, sucesso, alegrias...

Então, meus queridos que acompanham o Confissões de uma Mistress e aos que virão certamente, aproveito esse post para agradecer a todos vocês que por aqui passaram, comentaram, concordaram, discordaram e acompanharam meus prazeres, meus delírios, minhas tristezas, meus sonhos e minhas realizações. E, claro, desejo que cada um de vocês encontre o seu caminho de felicidade, tendo suas necessidades supridas por Aquele que, não importa o nome, sabe muito mais do que nós do que precisamos e na hora que precisamos.

Que 2010 seja um ano em que possamos nos abrir às energias do Criador e ao merecimento do que de fato é nosso. Ah, não posso esquecer de agradecer duas coisas muito especiais: ter conhecido meu Monstrinho e o meu Chatinho... Um encheu meus dias de 2009 com alegrias, apoio, prazer, diversão, compreensão e lucidez; o outro chegou no finzinho, mas me trouxe um viço que há tempos não tinha, uma nova maneira de acreditar no amor.

Ao primeiro, desejo que conquiste seus objetivos e tenha o retorno de toda sua alegria, brilhantismo, carinho, preocupação, generosidade e criatividade. Ao segundo, desejo plenitude, paz, ordem nas idéias, sossego nos tormentos e que seja muito amado (por mim, claro...), experimentando um carinho e uma dedicação que talvez nunca tenha provado; que reconheça o bom da vida e consiga se desligar do que não presta, vivendo o hoje, planejando e trabalhando pelo amanhã!

A todos vocês o meu obrigado e meus votos de um 2010 tudibão...

Beijos da Vulgata

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Perversões amorosas

Uma cabana simples e viver de amor... quando estamos apaixonados acreditamos que só o amor nos basta. E eu devo ser uma maluca às avessas porque me dá tremendo prazer viver as chatices do dia-a-dia, passar a camisa do namorado que vai trabalhar, limpar a casa juntos, ir às compras, brigar para depois fazer as pazes, jantar no supermercado do bairro, ligar para mil e um amigos atrás de um apartamento novo para alugar. Sim, 'viajo' 30 km todos os dias para ir e mais 30 para voltar se preciso for para apreciar aquele sorriso maroto...

E as perversões? Afinal, nem só de brincar de casinha vive uma mulher como eu. Ah, as perversões... Descobrir o sabor das sacanagens amorosas é um tesão sem fim. O cheiro dele misturado ao meu, nossas dezenas de sabores fundidos na volúpia de fantasias satisfeitas. Surpresa! Ele gosta do que eu gosto! Que bom! Porque seria doloroso e talvez até insuportável por muito tempo conviver com um amor que não aceite e/ou não curta a descoberta dos fetiches.



Não é meu sub, não é meu dom, é um fetichista que estou aprendendo a amar. Dois estranhos perversos fundindo sonhos e sentimentos.

Enfim, achei alguém todinho meu, gentem, e estou muito feliz. Mais feliz ainda porque posso ser eu mesma, nas mais perversas volúpias e nas mais inocentes manias, que ele vai me ouvir, me respeitar e pelo menos tentar. Hoje confesso a vocês, como mistress e sobretudo como mulher, que estou imensamente satisfeita com o meu presente de Natal desse ano...

sábado, 12 de dezembro de 2009

Na sua



Eu só quero que você saiba
Que estou pensando em você
Agora e sempre mais
Eu só quero que você ouça
A canção que eu fiz pra dizer
Que eu te adoro cada vez mais
E que eu te quero sempre em paz

Tô com sintomas de saudade
Tô pensando em você
E como eu te quero tanto bem
Aonde for não quero dor
Eu tomo conta de você
Mas te quero livre também
Como o tempo vai e o vento vem

Eu só quero que você caiba
No meu colo
Porque eu te adoro cada vez mais
Eu só quero que você siga
Para onde quiser
Que eu não vou ficar muito atrás... *

(* A Sua - Marisa Monte)

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Quem inventou o amor???


Ontem conversava com um muito querido meu, ex-namorado e grande amigo. Há alguns meses adotei o hábito de pegar no pé dele, puxar a orelha pra valer, dizendo tudo que antes - enquanto éramos namorados - eu tinha vontade de falar e não o fazia por medo de perdê-lo.

É estranho, bacana e ao mesmo tempo surpreendente ver uma frase colocada no perfil do orkut se concretizar: "...o amor muda de status, mas permanece na essência." A leveza que o amor pode adquirir quando alguns pré-conceitos se vão e algum tempo se passa é algo impagável, porém, infelizmente, pouco compreendido e aplicado. As teorias são muitas. Gente arrotando aos quatro ventos que é liberal, que tem cabeça aberta, que isso ou aquilo, mas pouco se vê no concreto. O que mais testemunhamos, ainda, é a imbecilidade imperando. Pessoas policiando, fiscalizando e sentido-se donas da vida de quem 'dizem' amar. "Quem ama cuida!" tem até comunidade no orkut numa tentativa de justificar o bichinho do ciúmes.

Mas Lady, você não é ciumenta? Sim, sou humana. Acho que a emoção dos sentimentos é comum a todo o ser humano, o que nos diferencia é a forma como lidamos com isso e a maneira com que valorizamos cada coisa na nossa vida. E há muito tempo eu decidi não dar tanta importância aos meus ataques de ciúmes, colocando em prática minha própria teoria de ser leal e não necessariamente fiel.

Receita de bolo? Estou longe de ter, mas a minha fórmula de encarar essa emoção chamada ciúme tem dado certo. E não pensem que não amo, porque sou extremamente visceral, sentimental com força...kkkkkkkkkkkk

Hoje pela manhã, falando com outro muito muito querido, meu Monstrinho, larguei uma das minhas pérolas em forma de insight: "sou visceral e tudo que me desperte essa profundidade, me conquista." Mas é verdade. Não sou morna e detesto isso. Vivo a vida com intesidade, me jogo, enfio o pé na jaca se for preciso, mas experimento tudo ao menos uma vez na vida (essa é pra MariaPos).


E o que é melhor nessa vida do que o amor, minha gente? Seja amor pelos filhos, pelos pais, pelos amigos, por si mesmo, pelo trabalho, por ele, por ela, por eles...? Quem inventou o amor, seja Deus, seja o nome que for, é um gênio irretocável. Que sentimento mais contraditório, didático e delicioso! Só se é pleno amando.


E é por isso, Jon Jon, que eu te dedico esse post. Primeiro porque meu amor por ti é verdadeiro e sabes disso. Segundo, porque se realmente a ama (sabes de quem estou falando), viva isso com intensidade e se permita trilhar caminhos desconhecidos, sem neuras e sem achar que 'sabe o que vai acontecer'. Deixe a vida te levar e abra seu coração pra valer.


O Cara que inventou o amor saberá te conduzir da melhor forma. Dê a cara a tapa, sofra, ame, seja amado, seja leveeeee, seja feliz, honey! Não tenha medo de ser piegas, ridículo (como a imagem do post, escolhida a dedo...rs), babão. O resto todo é aprendizado e crescimento... e eu estou sempre aqui! ;-)


"... que seja eterno enquanto dure!"

sábado, 7 de novembro de 2009

Sensações


Sabe aquele dia que você tem certeza que deveria estar em outro lugar, mas uma manobra do destino manipulou você mesmou ou alguém para que a coisa desandasse? Essa é a minha sensação de hoje; publiquei no twitter que é um misto de impotência com entusiasmo. Impotência porque, apesar de ter feito o meu melhor, inclusive guardando segredo (sim, estou aprendendo a me preservar de energias nem tão adequadas), não obtive êxito nos meus (nossos) planos e terei que adiar as mil e uma novas formas de conduzir o prazer que eu havia "maquinado". Entusiasmo porque acho que estou aprendendo a desfrutar do que é concreto na minha vida.

Ontem ofereci a possibilidade de um exercício de colocar-se no lugar do outro. A conclusão foi o que eu imaginava; porque minha reação é até bem equilibrada diante dos revéses que vem se interpondo na minha trajetória de domme e mulher. Continuo firme na minha proposta de não alterar meu modo de pensar e agir exclusivamente em função de uma atitude alheia, seja no BDSM, seja no trabalho, seja no lado afetivo, seja na praticidade do dia-a-dia. Tenho por princípio explicar o que sinto, o que banco e como penso que a solução seria mais agradável a todos, mas nunca chutar o balde quando se trata de algo ou alguém especial. Sempre que isso acontece, tenho uma trava que me impede de voltar atrás. Não é questão de orgulho, mas porque algo 'morre' dentro de mim. Considero esse limite completamente desnecessário, sobretudo quando há uma relação de franqueza e leveza - como é o caso. Logo, compreender, ter paciência e passar por cima é o lema de hoje, até porque eu mesma já exigi muita paciência recentemente. Desafios de crescimento e maturidade, meus caros, e eu mesma ando me supreendendo comigo!

E o que é concreto são os meus amigos, minha família. Hoje cedo meus tios foram embora. Foi uma semana de muitos passeios, diversão e aconchego nas minhas raízes. Estou de outra cor, acreditem! (rs)

Segunda-feira é aniversário da minha pequena. Por conta disso, a correria de enrolar doces, preparar saquinhos de lembrança, balões, bolo, encomendas, decoração... já está a mil pelo Brasil. Ainda ontem à noite dois amigos me ajudaram a enrolar os 300 docinhos que eu preciso entregar na escola; uma diversão inimaginável para uma sexta-feira à noite. Babyboy e um outro querido, junto comigo e minha tia, fizemos uma linha de produção que daria inveja às doceiras mais experientes. Tudo pronto, lindo e embalado! Ver essa etapa concluída e saber que meu fim de semana será pacato, porém de dever cumprido, acabou por me trazer essa sensação diferente.

Além disso, brigadeiros e beijinhos me deram uma idéia tão excitante que nem me atrevo a contar aqui... por enquanto...

Sinto saudades? Sinto. Mas também sinto prazer em outros sorrisos!

Bom fim de semana a todos

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Déficit e crédito

Imagine que você tem uma conta corrente num banco importante, que não costuma conceder crédito com muita facilidade, somente mediante garantias sólidas.


Este banco, além da linha de crédito, lhe concedeu um limite de cheque especial muito além do que você pode pagar (muito além do que você merece, na verdade). O gerente confiou cegamente na sua índole e nem lhe pediu muitas comprovações das informações fornecidas. Mesmo assim, com todas essas regalias e confiança, você não só usa todo o crédito disponível, como passa a usar o limite do cheque especial até estourá-lo. Na sua cabeça, a tolerância do gerente é grande e você é realmente um cliente tão especial que o banco jamais encerraria sua conta por má atividade. E para completar, eis que aparece no seu cadastro, no seu nome, como num passe de mágica, algumas "citações indevidas" que ajudam a sujar seu nome.

E mesmo tendo muito crédito - e de qualidade -, você opta por viver no déficit. É. Acho que o banco precisa tomar uma atitude se quiser continuar com credibilidade.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

O impulso ariano

Há algum tempo eu me pergunto do porquê de ter tantos arianos na minha vida. Podem pensar que é bobagem, que signo solar não determina nada. Ok, realmente para analisar uma pessoa mais a fundo, é necessário que pelo menos saibamos o signo solar e o ascendente.


Mas há, sim, características comuns nos nascidos sob o mesmo signo solar e cheguei à conclusão que o número de arianos com quem passei a ter contato estreito cresceu porque há cerca de dois anos passo por uma espécie de renascimento, um processo de auto-conhecimento, de transparência comigo mesma. E o que simboliza um ariano na sua essência? A gênese e o impulso criador.

Arianos são teimosos, convencidos, um tanto ingênuos em meio à sua arrogância de saber tudo, vaidosos e bastante egoístas. Porém são francos, diretos, cheios de vida, espontâneos, sensuais, inteligentes, curiosos e generosos. Características muitas vezes paradoxais, mas que casam perfeitamente na eterna busca que têm consigo de não permitirem que o fogo os consuma; de não se tornarem pessoas que apenas começam as coisas e não terminam nada; de desafiarem a si mesmos a "permanecer" e não serem vencidos pelos próprios impulsos e pela auto-imagem equivocada e abusada.

Estou postando esta reflexão hoje para agradecer aos meus arianos queridos que transformaram e movem minha vida na direção do recomeçar, do impulso criador e da energia de estar viva. Com vocês estou aprendendo a correr riscos e resistir nos solos mais áridos; a me entregar, ser intensa, empreendedora e mesmo assim ser mais simples; a não ter medo do desconhecido e ser mais auto-suficiente; a ser mais pragmática e dizer NÃO;  a colocar mais energia no que realmente amo; a encarar meus problemas de frente e resolvê-los AGORA; a me reconhecer poderosa; a ligar o "foda-se" SEM CULPA!


"Áries é como a primavera, que faz brotar a vida à partir da solidão do inverno".
É assim que me sinto, saída de um longo inverno de apatia e comodismo...

Obrigada ao meu irmão querido, ariano do dia 17; à minha única tia paterna e grande amiga, do dia 16; à minha prima confidente, do dia 15; ao meu ex-marido, pai da minha filhota, do dia 7; ao meu babyboy JonJon, do dia 18; ao meu Monstrinho, do dia 6; ao meu amigo-doido-advogado-pervertido Alemão, do dia 4; ao meu novo amante-amigo Yuri, do dia 24/3; e à minha mais nova amiga libertina, do dia 5. Há até gente que já se foi, gente que me desafiou e brigou comigo, gente que não tenho muita convivência, gente que me provocou. Todos têm algo em comum: me despertaram mudanças, tenha sido pelo prazer e pela alegria; tenha sido pela dor do dedo na ferida.

Amo vocês, carneirinhos!

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Derrota parcial

Sempre acreditei que emoções geram consequências físicas e sempre foi fácil falar delas discorrendo sobre energias e reflexos no corpo, perispírito e aquele blá blá blá de todo espiritualista. Discurso que hoje pela manhã se perdeu no silêncio dos meus medos.

A verdade é que fui derrotada e estou com medo. Derrotada parcialmente pela somatização das emoções no meu corpo. Sem querer (ou sem perceber?) eu gerei algo estranho em mim. Parcialmente porque faz parte de mim não aceitar a derrota e crer que tudo é possível que se transforme em coisas boas.


 
Enfim, como blog de confissões, faz parte do meu compromisso com as dezenas de pessoas que me acompanham diariamente dar uma satisfação. Quero dizer que estou bem, apesar de tudo, e que acredito sim que seja algo passageiro, por mais estranha e nublada que se mostre a linha do destino.

Tenho muito a contar do que aconteceu nas últimas duas semanas. Fui brindada com uma visita linda do meu Monstrinho, vi meu babyboy se libertar de algo importante, saí do emprego, recebi o carinho de alguém muito especial na minha trajetória amorosa recente, além da presença plena dos meus amigos queridos e companheiros de fé. Foram muitas emoções para alguns dias apenas e mesmo as ruins acabam se convertendo em fragmentos positivos.

Segunda-feira a pessoa mais importante da minha vida retorna ao meu convívio. Quem me conhece um pouquinho sabe o quanto isso representa pra mim. O intuito agora é transformar boas emoções em saúde para este corpitcho que tanto prazer já teve e ainda terá...

Obrigada pelo carinho de todos. Os esperados e os inesperados - gratas surpresas, aliás! O próximo post será diversão, com a cara da Lady Vulgata.

Muitos beijos.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Ser ou não ser?


Ontem mais uma vez me perdi nos questionamentos após o ato e o cigarro. A costura do edredon ficou mais evidente, assim como os contornos da barba dele e a brasa que queimava na penumbra.

Ser domme é muitas vezes renunciar aos anseios da mulher. Quantas vezes eu quis apenas deitar e sentir um corpo pesando sobre o meu, sem a preocupação de comandar a cena. Ou adormecer com alguém ao lado sem a paranóia de estar agradando ou não.

Pois foi nos braços de um menino estranho que eu consegui essa leveza após longos meses de renúncia de mim mesma; da renúncia da mulher pela personagem. E cá não estou dizendo que é um sacrifício ser a Mistress ou que não me alimente da vaidade dela. Tampouco estou reclamando da imensa sorte que a vida me sorri quase todos os dias também no campo afetivo / sexual. Mas às vezes é tão bom ser leve, ser uma mulher simples, que quer um orgasmo comum numa foda comum com um papo comum, longe de elucubrações, teorias e pesos que não me pertencem (ou não, diria Dudu). Longe dos chicotes, das vendas, das velas, das roupinhas sexys. Apenas corpos nus, imperfeitos, excitados pela água quente correndo pelo corpo em meio à espuma do sabonete.

Aliás, venhamos e convenhamos, como é bom fazer sexo no chuveiro!!!

Não sei se ainda verei o menino, mas ele com certeza aliviou meus ombros e colocou um sorriso mais maroto nos lábios maliciosos da menina que ainda habita em mim. Lembrou-me o quanto é bom ser simples!

terça-feira, 30 de junho de 2009

Fui dominada

Sim, a Lady Vulgata foi dominada e por alguém que ela jamais esperaria tal gesto. Não foi concensual e nada tem a ver com a cartilha BDSM, mas foi uma inesperada, revitalizante e excitante experiência. Hoje à noite volto para minha vida normal, nem tão pacata, nem tão comum. Volto com a certeza que as surpresas que a vida nos traz são as mais deliciosas aventuras que nos permitimos viver! ;)
Carpe Diem!

P.S.Muitas saudades do meu Monstrinho...