Lembra que te disse que um dia me prometi que não ficaria mais de 12 horas triste com alguma coisa? Pois bem, vou cumprir essa promessa mais uma vez, mas antes vou escrever o que refleti. Talvez te sirva...
Hoje cheguei à conclusão que sou infantil. Sim sou muito infantil. Não posso dizer que sou ingênua porque muita água já passou por debaixo 'dessa ponte' e alguma malícia eu aprendi; porém mantenho meus olhos ingênuos diante das pessoas. Falo da minha vida como quem conta uma fábula sem se preocupar com o lúdico do outro. Falo falo falo... sem pudores, sem rancores, colocando todo o meu 'eu' sem artimanhas para obter isso ou aquilo. Dispo-me das roupas expondo minhas imperfeições e cicatrizes, assim como dispo minha alma em busca do novo. Não sei tramar, medir, articular. Se conquisto é por eu mesma, pela minha essência; minha manipulação é a minha transparência.
Sinto saudades de acreditar nas pessoas e daquele tempo onde as únicas promessas e planos eram as brincadeiras do dia seguinte (sempre cumpridas, diga-se de passagem, a não ser que caísse um toró). Sinto saudades de quando não existia msn e e-mail era algo complicado para usar; assim éramos obrigados a olhar nos olhos das pessoas e conversar. Sim, o msn, skype, e todas essas parafernálias facilitam a nossa vida em algumas ocasiões, mas tiram toda a nossa expontaneidade diante das emoções próprias e alheias. Sim, tenho um olhar infantil sobre tudo isso e adoraria ser criança para ter como única diversão os joguinhos e desenhos coloridos em multimídia. Mas eu sou adulta... e fetichista...
Há algumas semanas eu conheci um rapaz que me fez acreditar que algo ainda poderia valer a pena nesse mundo complicado do BDSM. Diante de tantos chatos desprovidos completamente de qualquer repertório, das montanhas de mentirosos que já cruzaram a minha vida, até hoje somente duas pessoas realmente valeram a pena na minha trajetória sadomasoquista - e peloamordedeus não pensem meus amigos que estou falando de vocês, ok! Falo dos famosos e controversos submissos. Sim, até porque submissAs são tão raras por essas bandas quanto araras azuis.
Conheci muita, mas muita gente mesmo. Nem saberia precisar. A maioria não me fez tremer nem um dedo, quanto mais me despertar a vontade de colocar pra fora a Lady Vulgata e seus diabólicos olhos verdes... Alguns valeram a pena pelo corpinho, confesso. Sabia que não seriam bons submissos, mas poderiam ser boas 'saídas'. E foram. Outros foram esforçados, mas não conseguiram conciliar suas vidas com as 'atividades' SM.
Mas valer a pena pra mim é criar cumplicidade, permitir aprendizado, confiar e se entregar ao hedonismo da cena, do momento e do relacionamento que se cria. É ter mais que afinidade; é ter química, parceria e respeito mútuos, não só pelos sigilos sociais, mas pelos sentimentos envolvidos. Já disse aqui que BDSM dessa forma, na minha opinião, é um tipo de amor... e muito prazeroso! Porém tão raro... tão tão raro...
E quem valeu a pena até hoje foi quem me iniciou como domme (sim, isso existe e quem me acompanha aqui sabe da importância do Tolkien na minha vida) e permaneceu com a minha coleira por mais de 2 anos; e meu amado Monstrinho MZ Submisso, com quem completei um ano de relacionamento SM em fevereiro. Jurava que havia encontrado o terceiro... e este post não tem a pretenção de ser saudosista, tampouco falar das vezes em que nos decepcionamos na vida ou nos equivocamos, mas sim em lançar uma reflexão de como o BDSM pode causar medo nas nossas vidas por ser tão distante dos sonhos que fantasiamos.
Não estou aqui para falar mal do moço. Pelo contrário. Sei que ainda seremos amigos e confidentes. Tive o mais íntimo dele nas minhas mãos e vi nos olhos dele que não é pouco (coisas que nem ele sabia que estavam na sua alma; coisas que resplandeceram no seu sorriso em cada palmada e chicotada que eu dei). Extremamente honesto, franco, carinhoso e cavalheiro, além de inteligente e bem humorado. Entretanto, foi mais um vencido pelos fantasmas da consciência. Acho que todos nós já passamos por isso e são poucos os que enfrentam e vão adiante, por isso é tão comum dizer que "BDSM tem início difícil". Pessoas que acreditam que podem matar seus desejos em nome do que socialmente ou moralmente se convenciona como o correto. Pessoas que se deixam morrer um pouco a cada dia por desejar e abafar!
E também quero falar de algo muito importante que é o mau uso que os submissos fazem das dommes. Somos usadas por vocês, "senhores" (tsc), e nem sempre da melhor forma. Por que digo isso??? Por que a última coisa com que vocês se preocupam quando estão decidindo se querem ou não querem entrar neste mundo é com os sentimentos e as expectativas das mulheres que ali estão para lhes dar prazer (porque não adianta virem com esse blablablá pra mim que o escravo só existe pra dar prazer pra Rainha - é uma via de mão dupla!).
Que me perdoem as profissionais que cobram por isso, mas eu sou domme por prazer. Não recebo nada em dividendos a não ser as carinhas de felicidade dos meus submissos e essa tal cumplicidade tão difícil de se encontrar por aí. Promessas vocês fazem mil: desde expor-se ao ridículo, até desejar coleiras permanentes ("pode mandar fazer" lembra???). Colocam nossos nomes em seus orkuts e msns, dão presentinhos, mandam sms, escrevem todos os tipos de devaneios para que tenhamos certeza da sua entrega. Mas na primeira crise de consciência jogam a toalha e a descartável domme que se lixe e procure outro que a faça feliz!
Infelizmente não é assim. Com essa atitude de vocês, "senhores" (tsc), muitas boas dommes também já jogaram suas toalhas, desencantadas com essa irresponsabilidade com os sentimentos e tempo alheios. Eu mesma conheci algumas e estou no limiar de ser a próxima. Estou muito cansada. Muito mesmo. E se eu sair do cenário saibam que ainda existe a Lady Vulgata, só que ela perdeu a paciência de tentar ensinar, iniciar, ajudar e abrir as portas do prazer para pessoas que só pensam nos seus próprios umbigos. Talvez ela volte a ser aquela mulher baunilha recatada que foi descoberta 'por acaso' por um aluno insistente. E assim eu vivo minha vida pacata, eventualmente encontro meu Monstrinho (porque este é de fé!) e deixo essa loucura de lado.
Eu também passei por isso. Também fiquei com os meus sentimentos confusos após as primeiras sessões. Até porque era casada e nunca gostei de ser infiel. Porém, procurei compreender, serenar, conversar com o Tolkien, expor meus medos e angústias. O tempo mostrou que ele estava certo e que tudo isso passaria (as angústias, os temores, as dúvidas). Mas eu tive paciência, eu me dispus, eu não chutei o balde antes do tempo! Portanto, se valeu para mim que sou domme, vale para vocês que são submissos e vale em muito na nossa vida. Sim, temos que saber o que queremos pra nós, o que sentimos, o que bancamos, mas precisamos dar oportunidade à vida de nos mostrar todos os viéses daquele novo matiz que nos apresenta chamado BDSM antes de tomar uma decisão final!
Queridos, não façam as dommes de bobas. Sei que há muitas mulheres que não mereceriam ser chamadas de dommes e fazem misérias com vocês, mas estas nem deveriam ser chamadas dommes e nós, mulheres hedonistas por essência, não temos que pagar por elas. Quando encontrarem uma boa mulher disposta a realizar as fantasias de vocês, sejam no mínimo gratos à vida... e espertos em mantê-las...
Jamais estabeleçam compromissos de submissão e de coleira se não têm ABSOLUTA CERTEZA do que querem. Se assim for, se há curiosidade mas não firmeza, sejam honestos. Certamente a boa domme os iniciará com o mesmo empenho, só que ela mesma não criará expectativas acerca de um novo submisso.
Realmente lamento por mais esse episódio. Fizemos tantos planos e eu sei que você estava falando a verdade. Assim como sei que já havia muito mais que BDSM entre nós. O olhar, a pele, o beijo e os abraços não mentem jamais, sobretudo para quem é fetichista. E que o tempo, o mais sábio dos conselheiros, resolva essa situação para ambos que estamos sofrendo!
Desculpem pelo desabafo, mas este é um blog primeiramente de Confissões.
Beijos
LV
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sexta-feira, 12 de março de 2010
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Relaxando em meus braços
Há algum tempo venho estudando hipnose. Sempre achei algo interessante e uma vez até me submeti a uma sessão em Brasília sob a supervisão de um profissional.
O interesse pela hipnose erótica começou como uma curiosidade do meu Monstrinho no início do nosso relacionamento. Passei a devorar tudo que encontrava sobre o tema e até um curso de técnicas básicas fiz. O que sempre dificultou a prática entre nós é que a hipnose exige testes e tempo. Geralmente não dispomos de muito tempo e acabávamos por matar as saudades de outra forma. Por outro lado, com os outros submissos com quem me relacionei neste ano, não houve afinidade o suficiente para que eu me aventurasse a testar meus dotes de hipnodomme.
A primeira tentativa com MZ foi um desastre. Havia gravado alguns trechos, com direito a trilha celta e tudo, para usar na segunda parte do teste. Porém, não consegui fazê-lo relaxar e ainda por cima a ereção que ele manifestou logo nos primeiros minutos fizeram com que minha concentração fosse por água abaixo. Ok, não podemos acertar sempre de primeira, né... Mas minha natureza é insistente. Enquanto não esgoto as possibilidades de sucesso, não desisto!
Estava planejando como faria para testar novamente, sem muitas perspectivas. Na última sexta em que meu Monstrinho esteve aqui eu realmente não pretendia hipnotizá-lo. Mais uma vez ele não ficaria muito tempo e eu queria aproveitar para experimentar um novo "desenho" de bondage. Porém, a certa altura da noite, senti vontade de colocá-lo no meu colo; nem sei se por impulso de cuidar da sissy ou de realmente fazê-lo relaxar. Foi um momento especial entre nós porque foi muito além do bdsm... foi um momento onde os sentimentos afloraram!
E quem já me conhece um pouco sabe o quanto sou romântica na mesma medida em que sou safada...
Fui falando baixinho no seu ouvido enquanto manipulava algumas partes do seu corpo, alguns pequenos prendedores, intercalando com um lento cafuné. Ele fechou os olhos e fui dando alguns comandos. Percebi que estava cada vez mais relaxado e que, naturalmente, respondia fisicamente aos meus desejos sussurrados. Eu mesma me abismei com a pronfudidade que consegui obter por meio dos meus comandos despretenciosamente hipnóticos. Talvez por isso não tenha ficado muito tempo e o chamei. Tive que dizer três vezes seu nome verdadeiro para que voltasse a si, todo cheio de sorrisos, com os olhinhos verdes brilhando pra mim.
Sim, naquele momento fui mais Rainha do que normalmente sou; rainha porque consegui levá-lo, pelas minhas mãos, a lugares que ambos desconhecemos, mas que com certeza são prazerosos; rainha porque alcancei a plenitude da dominação, ainda que por alguns momentos; rainha porque sei que podemos progredir e realmente alcançar sensações ainda inimagináveis; rainha porque finalmente consegui abrir a porta de um novo fetiche.
Reviso, portanto, um texto anterior meu onde afirmo que um orgasmo simultâneo brinda um momento de afinidade absoluta entre domme e sub. Ainda concordo com isso; mas o que vivemos naquela madrugada prova que há meios de conseguir uma afinidade transcendente, que ultrapassa os limites do bdsm e consagra o amor e o respeito entre dois seres que se permitem o hedonismo!
O interesse pela hipnose erótica começou como uma curiosidade do meu Monstrinho no início do nosso relacionamento. Passei a devorar tudo que encontrava sobre o tema e até um curso de técnicas básicas fiz. O que sempre dificultou a prática entre nós é que a hipnose exige testes e tempo. Geralmente não dispomos de muito tempo e acabávamos por matar as saudades de outra forma. Por outro lado, com os outros submissos com quem me relacionei neste ano, não houve afinidade o suficiente para que eu me aventurasse a testar meus dotes de hipnodomme.
A primeira tentativa com MZ foi um desastre. Havia gravado alguns trechos, com direito a trilha celta e tudo, para usar na segunda parte do teste. Porém, não consegui fazê-lo relaxar e ainda por cima a ereção que ele manifestou logo nos primeiros minutos fizeram com que minha concentração fosse por água abaixo. Ok, não podemos acertar sempre de primeira, né... Mas minha natureza é insistente. Enquanto não esgoto as possibilidades de sucesso, não desisto!
Estava planejando como faria para testar novamente, sem muitas perspectivas. Na última sexta em que meu Monstrinho esteve aqui eu realmente não pretendia hipnotizá-lo. Mais uma vez ele não ficaria muito tempo e eu queria aproveitar para experimentar um novo "desenho" de bondage. Porém, a certa altura da noite, senti vontade de colocá-lo no meu colo; nem sei se por impulso de cuidar da sissy ou de realmente fazê-lo relaxar. Foi um momento especial entre nós porque foi muito além do bdsm... foi um momento onde os sentimentos afloraram!
E quem já me conhece um pouco sabe o quanto sou romântica na mesma medida em que sou safada...
Fui falando baixinho no seu ouvido enquanto manipulava algumas partes do seu corpo, alguns pequenos prendedores, intercalando com um lento cafuné. Ele fechou os olhos e fui dando alguns comandos. Percebi que estava cada vez mais relaxado e que, naturalmente, respondia fisicamente aos meus desejos sussurrados. Eu mesma me abismei com a pronfudidade que consegui obter por meio dos meus comandos despretenciosamente hipnóticos. Talvez por isso não tenha ficado muito tempo e o chamei. Tive que dizer três vezes seu nome verdadeiro para que voltasse a si, todo cheio de sorrisos, com os olhinhos verdes brilhando pra mim.
Sim, naquele momento fui mais Rainha do que normalmente sou; rainha porque consegui levá-lo, pelas minhas mãos, a lugares que ambos desconhecemos, mas que com certeza são prazerosos; rainha porque alcancei a plenitude da dominação, ainda que por alguns momentos; rainha porque sei que podemos progredir e realmente alcançar sensações ainda inimagináveis; rainha porque finalmente consegui abrir a porta de um novo fetiche.
Reviso, portanto, um texto anterior meu onde afirmo que um orgasmo simultâneo brinda um momento de afinidade absoluta entre domme e sub. Ainda concordo com isso; mas o que vivemos naquela madrugada prova que há meios de conseguir uma afinidade transcendente, que ultrapassa os limites do bdsm e consagra o amor e o respeito entre dois seres que se permitem o hedonismo!
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Derrota parcial
Sempre acreditei que emoções geram consequências físicas e sempre foi fácil falar delas discorrendo sobre energias e reflexos no corpo, perispírito e aquele blá blá blá de todo espiritualista. Discurso que hoje pela manhã se perdeu no silêncio dos meus medos.
A verdade é que fui derrotada e estou com medo. Derrotada parcialmente pela somatização das emoções no meu corpo. Sem querer (ou sem perceber?) eu gerei algo estranho em mim. Parcialmente porque faz parte de mim não aceitar a derrota e crer que tudo é possível que se transforme em coisas boas.
Enfim, como blog de confissões, faz parte do meu compromisso com as dezenas de pessoas que me acompanham diariamente dar uma satisfação. Quero dizer que estou bem, apesar de tudo, e que acredito sim que seja algo passageiro, por mais estranha e nublada que se mostre a linha do destino.
Tenho muito a contar do que aconteceu nas últimas duas semanas. Fui brindada com uma visita linda do meu Monstrinho, vi meu babyboy se libertar de algo importante, saí do emprego, recebi o carinho de alguém muito especial na minha trajetória amorosa recente, além da presença plena dos meus amigos queridos e companheiros de fé. Foram muitas emoções para alguns dias apenas e mesmo as ruins acabam se convertendo em fragmentos positivos.
Segunda-feira a pessoa mais importante da minha vida retorna ao meu convívio. Quem me conhece um pouquinho sabe o quanto isso representa pra mim. O intuito agora é transformar boas emoções em saúde para este corpitcho que tanto prazer já teve e ainda terá...
Obrigada pelo carinho de todos. Os esperados e os inesperados - gratas surpresas, aliás! O próximo post será diversão, com a cara da Lady Vulgata.
Muitos beijos.
A verdade é que fui derrotada e estou com medo. Derrotada parcialmente pela somatização das emoções no meu corpo. Sem querer (ou sem perceber?) eu gerei algo estranho em mim. Parcialmente porque faz parte de mim não aceitar a derrota e crer que tudo é possível que se transforme em coisas boas.
Enfim, como blog de confissões, faz parte do meu compromisso com as dezenas de pessoas que me acompanham diariamente dar uma satisfação. Quero dizer que estou bem, apesar de tudo, e que acredito sim que seja algo passageiro, por mais estranha e nublada que se mostre a linha do destino.
Tenho muito a contar do que aconteceu nas últimas duas semanas. Fui brindada com uma visita linda do meu Monstrinho, vi meu babyboy se libertar de algo importante, saí do emprego, recebi o carinho de alguém muito especial na minha trajetória amorosa recente, além da presença plena dos meus amigos queridos e companheiros de fé. Foram muitas emoções para alguns dias apenas e mesmo as ruins acabam se convertendo em fragmentos positivos.
Segunda-feira a pessoa mais importante da minha vida retorna ao meu convívio. Quem me conhece um pouquinho sabe o quanto isso representa pra mim. O intuito agora é transformar boas emoções em saúde para este corpitcho que tanto prazer já teve e ainda terá...
Obrigada pelo carinho de todos. Os esperados e os inesperados - gratas surpresas, aliás! O próximo post será diversão, com a cara da Lady Vulgata.
Muitos beijos.
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