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segunda-feira, 5 de julho de 2010

Prazer, me reconheço!

Olá queridos

Minha porção inquieta não consegue ficar muito longe das letras; e entre muitos rascunhos resolvi deixar algo aqui registrado após ler o texto do JonJon sobre prazer. Confuso, assim como aquela cabecinha errante; porém profundo como aquele coração de Iaiá!

Há 10 dias eu findei um ciclo com uma pessoa muito importante. Não sei se é definitiva a participação como amor desse alguém na minha vida, mas sei que daquela forma que estava não tinha mais jeito de manter. Tomei coragem, tomei as rédeas há muito perdidas e resolvi bancar os medos e a solidão, entre muitas saudades que saberia certas dalí pra frente.

Vamos vivendo porque nem só de amor vive uma Lady, não é... Cada dia alguma emoção nova, entrecortada pela saudade imensa que sinto daquele cheiro, daquelas mãos e até daquele tom quase sempre rude nas palavras, porém carregado de ternura nas entrelinhas.

Mas o prazer é algo necessário por uma questão instintiva. Quando o prazer some, algo adoeceu seriamente em nós. Eu me sentia assim. E preocupada que andava, direcionei minhas atenções aos pobres amigos que sempre me aturam nos bons e maus momentos, entendendo minhas visceralidades como um toque exótico na minha pessoa. E em meio a eles, recuperei meu prazer; um prazer imediato, sem frescuras, sem pedidos e sem cobranças. Um prazer simples como deve ser o do bicho; real como deve ser o do humano.

E viv la féte!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Casa de campo

Era tarde na casa de campo. A maioria dos convidados já havia se recolhido. Ficamos apenas eu, ele e ela. Ela parecia distraída limpando o resto de sujeira que restou do jantar. Zelosa, quis conferir pessoalmente o trabalho das empregadas e do caseiro. Cabelos presos de forma displicente, blusa regata justa ao corpo esguio, short jeans, sandália e um colar de contas com algumas pedras.

Ele, parado, observava a lua hipnotizado. Cabelo soltos, roupa folgada, descalço. Nada parecia aborrecê-lo.



Eu estava tensa. Queria dormir, mas algo me consumia as entranhas. Um fogo libidinoso que me provocava a ser desleal com a dona da casa, assediando o distraído rapaz.

Era uma noite macabra, pelo menos para mim. A sombra que o corpo dele projetava na varanda me incendiava a libido. Me aproximei, contemplei, fiz silêncio, o encarei e senti uma reciprocidade que não poderia ser traduzida em palavras. Ambos olhávamos na mesma direção. Queríamos o mesmo.

Absorta na sua fiscalização doméstica, ela nem percebeu nossa presença. De onde estava, ainda mais sem óculos, no máximo nos confundiria com duas grossas colunas da extensa varanda.

Sem proferir palavra, ele me beijou. Sem pensar em egoísmos, retribuí. Aos poucos ele me arrastou para a parte de trás da varanda, onde os convidados não nos ouviriam, a menos que algum estivesse perdido no escuro do hall de entrada.

Ele me colocou sentada na soleira da varanda. Eu estava com um vestido longo, porém fácil de manipular. Ele vestia uma bermuda com elástico e foi bem fácil deixar tudo livre para um pequeno e intenso trecho de êxtase num dia de festa. Ambos agarrados nos cabelos do outro, beijos e mordidas, estocadas rápidas e constantes, gozo frenético, tremores de volúpia que perpetuaram a rapidez do momento. Meu corpo era só espasmo; o dele só satisfação.

Compostura.

- Amor? Cadê você? Me ajude a levar os pratos maiores para a cozinha da casa?
- aham... só um minuto... to chegando (com o humor habitual e dissimulado nas palavras)

Algo me encanta na dissimulação, talvez por ser um aspecto tão diferente da minha natureza e uma competência tão perigosa e útil. Eu me joguei na rede, como se estivesse a adormecer. E, sim, haveria de ser parceira na dissimulação proposta pelo meu hostel.

Francamente? Há coisas que não tem explicação...

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Rapidinha


De lá pra cá são mais ou menos 30 km pela SC-401, estrada com alguns trechos duplicados e outros que são um desafio ao olho humano durante à noite e/ou quando chove. Sim, essa é a Florianópolis real, sem desmerecer essa Ilha maravilhosa que amo.

Mas tenho feito esse caminho todos os dias, praticamente, levando e buscando meu querido Chatinho até que o carro dele saia da loja. Hoje, no percurso de ida, conversávamos sobre libido e cheiros que despertam desejos. Ao contrário de quase todas as manhãs, tínhamos alguns minutos de sobra porque saímos antes de casa. Dia nublado, bastante chuva e, às 6h da manhã, quase nenhum movimento. Pois há um longo trecho da SC-401 praticamente deserto, onde só existe mato e asfalto. Creio que falamos tanta bobagem que a tal libido tomou conta. Alguns segundos de silêncio e ele me surpreendeu:

- Pára o carro.
- Parar aonde, honey?
- Pára no acostamento.

Como a ordem foi acompanhada de uma bela metida de mão por baixo do meu vestido, me tornei a mais submissa das mulheres. Mal parei o carro e ele já estava me engolindo com seus beijos e aquela delícia de mão que sabe me pegar como ninguém.

O clima estava ótimo. Os vidros rapidamente embassaram. Ele recuou o banco e eu subi nas coxas dele, erguendo a roupa que parece ter sido escolhida propositalmente (hum, preciso usar mais vestidos curtos...). Já estava todo arrumadinho e cheiroso para entrar na aula e eu o dessarrumei abruptamente. Não há como resistir àquele cheiro que meu nariz reconheceu como familiar desde a primeira noite.

Agimos rápido, como dois experientes devassos. Não demorou 5 minutos toda aquela volúpia, mas foi o suficiente para impregná-lo do meu cheiro pelo dia todo! Excelente dia eu tive...

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Janela indiscreta

Quando cheguei a Florianópolis, em 2007, morei num condomínio novo, desses projetos múltiplos tão comuns agora na Ilha. Duas torres e muita diversão. Uma inusitada eu descobri em algumas semanas... Havia um casal que gostava de exibir suas noites apimentadas nas janelas do seu apartamento. Devido à arquitetura do imóvel, ninguém conseguia detectar exatamente de que andar vinham os gemidos, mas a cada semana eles ficavam mais 'criativos' e intensos.

Eu me divertia com o prazer alheio, mas os puritanos de plantão reclamavam. Era começar a sessão de sexo e os interfones disparavam a tocar. Do 9° andar eu podia contemplar o coitado do porteiro dando voltas e voltas nas torres tentando achar os libertinos, sem sucesso. Na minha fantasia, eles se escondiam todas as vezes que alguém pudesse descobri-los cruamente. Uma vez até a polícia chamaram e, claro, nada pôde fazer!

Pois contei essa fábula da vida real ao meu digníssimo titular da vaga cardíaca atual. Coincidentemente ele mora no mesmo bairro onde vivi meu primeiro ano na capital catarinense. Da janela da sua sala é possível avistar as duas torres do condomínio onde o tórrido casal animou muitas das minhas noites. Ele mora no 5° andar e atrás do prédio há algumas casas com quintais visíveis, numa comunhão forçada de intimidades. O morrinho acentua essa 'invasão' imobiliária; já pude ver a vizinha trocando de roupa para entrar na piscina, já presenciei a moça atravessando a cozinha apenas de calcinha, assim como eles devem ter me visto fumando um cigarro, só de sutiã, escorada no parapeito da janela.

Não contente com essa intimidade, excitado com a minha história, veio da cozinha, onde preparava nosso jantar. Me abraçou longamente pelas costas. O vento batia de leve nos meus cabelos e senti 'alguém' animado. Delícia de sensação de desejo! Perguntei se o jantar estava pronto.

- Quase.
- Falta muito?
- Falta eu te comer

Silêncio e sorriso maroto.

- Como assim?
- Tu me deixou de pau duro com aquela história dos teus ex-vizinhos e eu quero o mesmo. Vamos divertir o prédio um pouco.

Quem se faria de rogada com uma proposta tão deliciosamente indecente? Eu? Jamé...

Me pus de costas de novo. Lentamente ele abaixou a minha calcinha, beijando e mordiscando as minhas costas. Afastei as pernas de leve, com a devida pressão que sentia na minha bunda. Sentindo que estava mais do que molhada, de uma vez só ele deu a primeira estocada. As duas mãos se apoiavam nos meus seios e eu não tinha outra alternativa senão segurar o parapeito da janela e gemer.



Não consigo fazer sexo sem gemer, ainda que baixinho. E era um momento de fetiche extremo, então nem me controlei. Em poucos minutos já havia alguns vizinhos das casas de trás observando a cena extasiados. Imagino que eles viam minha cara de satisfação, ouviam meus gemidos e apreciavam o balançar do meu corpo, ora suave, ora agressivo contra a janela. Embora não fosse possível que os espectadores vissem também meu amor me comendo, sabiam que havia alguém comigo pelos barulhos e porque ninguém poderia fingir daquela forma. A máxima do voyerismo...

O gozo veio simultâneo e intenso. Nos jogamos no tapete da sala e rimos, satisfeitos, exaustos, plenos de prazer.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

O prazer da inversão

Eis um dos mais polêmicos fetiches: a inversão. Mexe com as fantasias masculinas e femininas, independente da orientação sexual. Pira a cabeça dos machões de plantão, que não conseguem compreender como um homem “de verdade” sentiria prazer fazendo papel de “maricas”. Em contrapartida, muitos dos que já experimentaram lutam contra seus próprios preconceitos para se auto-convenceram de que não são viados.

Well, meus queridos, falarei da minha própria experiência – que não é modesta...


Mais de 90% dos homens com quem pratiquei a inversão são heterossexuais. Dos outros 10%, a maioria tem tendências bissexuais e uma porcentagem reduzidíssima é de fato gay! E por que o gay não curte inversão? Porque o que o atrai é o cheiro, a pele e a “pegada” masculina. Uma mulher que pratica inversão, por mais poderosa e/ou agressiva que seja, será sempre uma mulher, com cheiro, hábitos, pele e formas suaves. Logo, meus caros, livrem-se do fantasma da ‘boiolice’ ao pensarem nos seus desejos. Com todo respeito aos meus queridos amigos homossexuais, inversão é coisa pra macho!

Um dado que corrobora minha experiência é que frequentemente rola sexo convencional após a inversão. O homem fica mais excitado e quer devolver o prazer à mulher com a penetração. E mesmo na hora em que está sendo 'comido', ele curte o toque dos seios, dos cabelos e o perfume da mulher que o penetra.

Algumas pessoas riem de mim quando digo que é preciso ser muito homem para dar o cu. É verdade, gente! Assim como é preciso ser muito homem para namorar uma garota fora dos padrões e sair com ela de mãos dadas no shopping, ou assumir qualquer comportamento socialmente questionável, que vá contra os parâmetros aceitos por gentinha medíocre. Assumir o que se é, o que se gosta e como gosta é, infelizmente, privilégio de poucos. Admiro os homens que praticam a inversão porque vejo neles um rompimento de barreiras em nome do prazer.


Outro dado importante a ser ressaltado aos que se questionam e fantasiam sobre o tema é que ABSOLUTAMENTE TODOS OS HOMENS SENTEM PRAZER ANAL. Sim, podem me xingar, mais eis uma verdade fisiologicamente definitiva. Algumas mulheres também sentem prazer anal, mas muito mais pelas sensações psicológicas do ato do que na fisiologia do corpo humano. Já os homens possuem próstata que, quando estimulada, intensifica o prazer de forma considerável.

Alguns conselhos que posso dar aos homens que se permitirem experimentar é:

1. Procurar uma mulher que realmente goste de inversão, que sinta prazer em dar prazer ao seu homem e se sinta poderosa com o ato. Esta mulher não precisa ser uma dominatrix; pode ser sua própria esposa ou namorada. Basta que ela descubra a sensação de dominar a cena eventualmente no ato sexual.

2. Jamais force sua namorada ou esposa a fazer isso. Além de correr o risco de se machucar, porque ela pode fazer com raiva e trata-se de uma região delicada, você certamente causará um trauma sexual nela. Nem todas as mulheres curtem esse fetiche. Aliás, esse número ainda é reduzido. Estimo pelo que leio e vivo, que para 100 homens que curtem inversão, temos uma mulher que realmente goste da prática. Portanto, converse com sua parceira, tenha paciência com as possíveis barreiras que ela oferecer e saiba respeitar os gostos dela. Caso veja que realmente com ela não rolará, seja franco quanto à sua curiosidade e deixe claro que tentará uma sessão com uma domme ou outra moça que curta o fetiche.

3. Use bastante lubrificante e equipamentos adequados. O tradicional strap-ons ou ‘cinta-caralha’ apresenta muitos formatos, tamanhos e materiais. Sua parceira precisa estar confortável com o modelo. Sabemos que as sexshops nem sempre permitem que se prove o artefato, mas é prudente que o faça sempre que possível. Da mesma forma, cuidado com a escolha do dildo que deve ser preferencialmente de silicone, com uma anatomia que se adapte ao seu formato de prazer. Há homens que toleram dildos mais grossos, texturizados e mais longos, e há outros que prefiram tamanhos e grossuras mais modestas, assim como é com as mulheres e suas anatomias vaginais e anais. Como o objetivo é o prazer, vale testar vários tipos, até porque dildos não costumam ser muito caros e achar um que encaixe direitinho realmente vale a pena. Existe ainda a opção de strap-ons com duas aberturas, onde a mulher pode cololocar um plug que a penetre enquanto faz a inversão. Eu aprovei!

4. Se realmente optar por uma dominatrix, procure uma que tenha certa experiência na prática, além de acordar com ela o que será feito durante a sessão. Tenho algumas amigas que curtem, mas não fazem apenas isso; querem outras práticas associadas. Portanto, a menos que você também seja masoquista e/ou submisso, converse bem sobre os termos do encontro de vocês, seja ela profissional (que cobra para isso) ou não.

5. Se permita novos prazeres. Relaxe e curta a nova sensação. No começo sempre dói um pouco, mas depois eu garanto que será prazeroso. Fale sobre os possíveis desconfortos e posições e tudo fluirá a contento. Seja feliz e goze muito!

Enfim, meus queridos, espero ter contribuído para que mais e mais homens e mulheres encontrem as fontes de prazer que a inversão proporciona.

Um beijo

LV

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Nas curvas da estrada que leva ao paraíso

Muitas estradas são belos caminhos que nos levam a destinos os quais ansiamos por visitar, conhecer ou rever. Algumas estradas são apenas metáforas de tempos de saudades, distâncias físicas ou desejos incontidos.

O dia havia sido cansativo. Cheguei em casa e só queria o chuveiro e a cama. Fui arrancando as roupas pelo corredor e me joguei embaixo da água morna. A cabeça, que antes fervia, agora começava a ficar livre das impurezas.

Ouvi o barulho das chaves girando. Pensei que fosse o Cosmo me devolvendo a chave do carro. Silêncio de vozes ou passos e a porta do box se abre. Tomei um tremendo susto, logo recuperado pela visão do meu Monstrinho nu, de cabelos soltos. Não esperava vê-lo aquela hora, naquele dia...

Abracei longamente meu cabeludo preferido que estava com o corpo fervendo, não sei se pelos 36 graus que fizeram durante a tarde, ou pelo tesão acumulado. Senti que estava tão livre de suas próprias resistências que se atirou embaixo da água junto a mim, sem se preocupar em molhar as longas madeixas ou se havia alguém em casa. Se despiu literalmente e completamente. E eu adoro entregas...

Tomamos um ótimo banho, claro, com alguns amassos, mãos bobas e beijos ardentes. Uma toalha para nós dois, muitas brincadeiras, uma leve ameaça de esconde-esconde e eu me esparramei na cama com os cabelos ultra-molhados. Fiz aquela cara de pidona e ganhei uma massagem maravilhosa que começou nos pés e terminou nas costas.

Quase dormi, não fosse pelo fogo que saía de mim. Ele tocou meu corpo para que virasse de frente; ajeitou meu pescoço num travesseiro macio, se livrou da toalha que ainda impunha alguma barreira entre nós e foi até os meus pés. Beijou-os com carinho, chupou meus dedinhos, lambeu minhas solas, acariciou cada pétala da flor que tenho tatuada no pé e tornozelo direito. A estrada que se coloca a sua frente era cheia de curvas, algumas serras e um 'monte' no final. Sem pressa, ele percorreu o caminho com sua língua servindo de veículo.

Por vezes, diminuiu a velocidade e parou para pequenas trocas com as mãos ou mordidas de leve, atiçando mais e mais minha lascívia e meu desejo de ser invadida. Chegando às coxas, abri as pernas o máximo que consegui. Aqueles olhos verdes já cintilavam o resumo do tesão que pairava.

Com sofreguidão, ele abocanhou o 'fim da estrada' e o começo do paraíso de ambos. Meu corpo se contorcia, as mãos dele seguravam as minhas, cúmplices.


Dizer que tive um orgasmo seria um eufemismo ofensivo. Prefiro dizer que foi uma estrada muito bem percorrida, com destino certo e tranquilo, passagem para as outras formas de prazer que nos consumiram por mais algumas horas deste dia incomum!

domingo, 6 de setembro de 2009

dia do sexo

desligue o computador e vá transar - adorei essa campanha de uma marca de preservativos. apoiada com todo o prazer!

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Fábula do hedonismo - a Rainha da luxúria e seu súdito voluptuoso


Num reino muito distante, exatos 314 km, vivia uma Rainha muito generosa, mas um tanto sádica. Tinha gosto por chicotes, clamps, plugs, cordas, strap-ons e outros acessórios poucos convencionais, sobretudo para uma majestade. Muitos bravos cavaleiros já haviam tentado desposá-la, porém ela era conhecida por seu temperamento excêntrico e exigente. Além do gosto distinto, as más (ou boas) línguas espalhavam sua fama de habilidosa nas artes da felação.

A Rainha vivia com seus súditos e muitos amigos, aos quais concedera regalias e honras de nobreza. Era feliz, voraz e sacana, com toda liberdade que uma Rainha tem em ser o que bem entende.

Um dia, um amável forasteiro de longos cabelos escuros, olhos de um verde de matizes invulgares, apareceu nas redondezas daquele reino. Talentoso, encantava às moças do povoado com suas músicas, suas estórias e sua beleza. Carregava consigo a habilidade de divertir, inventar e improvisar. Em pouco tempo, muitas senhoritas do reino da Rainha sádica e generosa já estavam caídas de amor pelo forasteiro. Ele, numa busca errante, embora sempre sorrindo, sentia uma parte do seu coração vazio, como se um incansável vento minuano o atormentasse nas noites de inverno ou como quando a lua brindava Hades com sua ausência. Precisava de calor, do novo e do inusitado. Não sabia bem ao certo porque havia parado naquelas terras, mas algo o atraía para lá.

A Rainha há alguns dias se sentia sedenta por algo novo e mandou, quase que por engano, convocar alguns plebeus para um novo baile. Numa de suas saídas matutinas, cruzou com o forasteiro e, confundindo-o com um nobre poeta da corte, convidou-o para o baile pessoalmente. O forasteiro, encantado com o verde esmeralda dos olhos da Rainha e os cabelos mais rubros que já havia contemplado, sentiu um perfume odor di faemina invadir seu corpo e sua mente. Era um cheiro forte, delicioso, provocador... Precisava ter aquela mulher.

Era dispensável que questionasse quem era porque todos se curvavam quando Ela passava. Mesmo assim ele quis confirmar quem era a dona do perfume mais inebriante que seu nariz havia provado.

- Ora, pois, senhor. Estás tolo? Cá passou a dona de tudo que teus olhos podem contemplar. É a Rainha de tudo e todos nós.

Seus pensamentos voaram. Era um tanto pedante e não enxergava obstáculos para seus quereres.

O dia do baile chegou. O forasteiro pediu emprestadas algumas roupas do verdureiro que o hospedava. Embora as duas filhas do gentil senhor estivessem perdidas de amor pelo rapaz, ele havia observado como a Rainha o fitou com aquele olhar dominatrix que todos no Reino conheciam e admiravam. Resolveu não atrapalhar o caminho da majestade. Não seria prudente...

Os longos e lisos cabelos do rapaz por si só eram um belo adorno. Ao entrar no palácio real, o forasteiro foi recebido com aquele olhar misterioso e impositivo que fazia da Rainha uma majestade sem armas. Lentamente ela se aproximou do belo estranho, pegou na sua mão com força. Ele, sem saber bem como reagir, beijou a mão da Rainha, curvando o corpo ligeiramente em respeito à Sua Majestade. Ela deu as costas, ordenando que a acompanhasse. Como dos seus diversos talentos, não era a dança o seu forte, se esmerou em fazer os passos mais básicos e perder-se nos olhos dela, tentando encontrar alguma utilidade no momento em que sentia seu ser escravizado.

A Rainha, impetuosa, deu vazão à sua luxúria e arrastou o forasteiro para seus aposentos, desafiando todas as regras de boa anfitriã, que sempre procurava manter com maestria.

Abriu a porta delicada e firmemente. Sem ao menos perguntar o nome do moço a quem desejava ter em sua cama, foi logo dizendo:

- Há uma regra neste reino que diz que todo e qualquer homem desejado pela Rainha, entrando em seus aposentos reais, se for pego com uma única peça de roupa, será condenado a perder o que Deus lhe concedeu como objeto de prazer e está exatamente entre o meio de suas pernas, abaixo do ventre e acima do joelho. Pretende ser punido?
- Majestade, Magnífica Rainha, se puder ser complacente com seu súdito e me der a chance de cumprir suas ordens, prometo e juro pela minha honra que em três minutos estarei conforme desejar.

Ao lado da cama estava um pequeno cane com a qual a Rainha costumava brincar. Ela o pegou e batendo firme nas palmas das próprias mãos, deu duas voltas em torno do corpo do forasteiro. Esfregou uma parte do cane nas suas nádegas e ele já afrouxava seu plastron em respeito àquela lei mais que original.

- Sim, meu rapaz, mas aviso que serão apenas 3 minutos, nem um segundo a mais! E em parte do cumprimento da lei, eu devo ajudar o senhor a despir-se para a garantia do dever cumprido.
- Como a senhora quiser, Majestade!

A Rainha tirou a camisa do forasteiro, abocanhando seus mamilos rosados, cravando seus dentes com furor. Com a outra mão, habilidosa por sinal, ela retirou suas calças e suas ceroulas, segurando com firmeza o objeto de punição. Faltavam os sapatos e a essa altura, o forasteiro não conseguia conter seu tesão...

- Por favor, alteza, tenha a bondade de afrouxar o meu membro para que eu consiga tirar os meus sapatos e assim possa honrar a minha promessa.
- Cale a boca, insolente! Restam 30 segundos para que cumpras as minhas ordens e verás como sou rígida nesse ínterim.

Abocanhando o pau rígido do forasteiro, mantendo um olhar sarcástico, a Rainha submeteu o pobre rapaz ao suplício de abaixar-se um tanto de lado, equilibrando-se ao mesmo tempo em que era chupado, para tirar os sapatos e as meias. Enfim o conseguiu, felizmente no tempo determinado.

A Rainha o empurrou contra a cama, ajoelhou-se diante daquele falo formoso e, de uma vez só, o colocou na boca novamente, sugando, lambendo, chupando. A essa altura o moço via seus sentidos o abandonarem. Perdia a noção do tempo e do espaço. Parando por alguns segundos, a generosa Rainha explicou:

- Como vê, meu Reino possui algumas leis um tanto diferentes e por essa razão eu me permito ajoelhar diante de um súdito ou mesmo de um escravo, desde que meu prazer esteja em primeiro lugar para ambos.

Voltando à arte do cunilingus, a Rainha deslizou sua língua para cima e para baixo, enquanto seus dedos reais percorriam o ânus do rapaz, um tanto assustado, mas satisfeito e entregue demais para qualquer recusa ou mesmo protesto.

- Agora a ordem é expressa. Despir-me-ei e deitarei sobre a cama, onde o senhor deve ajoelhar-se na altura dos meus ombros, penetrando minha boca como faria em outra parte do meu corpo que, se eu gostar deste serviço, poderás ter a honra de conhecer. Não pararás um momento sequer e, quando estiver prestes a me inundar, segurarás minha cabeça por trás dos meus cabelos a fim de que eu me prepare para o momento de júbilo. Se assim o fizer, serás agraciado com a oportunidade de beijar todo o meu corpo, inclusive as partes mais baixas.

- Nem em sonho eu imaginava receber uma ordem tão prazerosa como esta, minha Rainha.

Como ela ordenou, sentou de forma que seu membro penetrava os lábios quentes e macios da Majestade como se fossem a própria vulva a engoli-lo. Em poucos minutos, com a furiosa habilidade da Rainha e o incrível prazer que sentia, segurou seus lindos cabelos vermelhos com delicadeza por trás do seu lindo e perfumado pescoço. Sua língua ágil se esmerou em lambê-lo de forma constante, aumentando o tônus para o êxtase e uma enxurrada de esperma esquentou a úvula da Rainha, satisfeita com a ordem cumprida e o prazer alcançado. Suas duas esmeraldas brilhavam com paixão desenfreada. O forasteiro atreveu-se a descer o corpo, sem as ordens da sua Majestade, para beijar-lhe os lábios. O beijo longo selou o amor de Rainha e súdito, que assim permaneceria na eternidade daquele fogo infindável de ambos.

O súdito, honrado com aquela concessão celestial, beijou todo o corpo da Rainha que agora possuía sua alma e seu físico. E era só o começo de uma história com muitos capítulos de felicidade, luxúria, volúpia e prazer recíprocos.

Swinburne


All thine the new wine of desire
The fruit of four lips as they clung
Till the hair and the eyelids took fire;
The fan of a serpentine tongue,
The froth of the serpents of pleasure.
More salt than the foam of the sea,
Now felt as a flame, not at leisure
As wine-shed for me!

They were purple of rainment, and golden,
Filled full of thee, fiery with wine,
Thy lovers, in haunts unbeholden,
In marvellous chambers of thine.
They are fled and their footprints escape us
Who appraise thee, adore, and abstain,
O daughter of Death and Priamus!
Our Lady of Pain.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Os longos cabelos de trigo

Este texto é uma homenagem à uma amiga. Foi publicado em outros sites, mas agora eu o reproduzo com todo prazer, relembrando o momento:

O cheiro da pele, o toque de veludo, os cabelos de trigo grudados de suor... O beijo nem tão delicado, nem tão maldito, nem tão esperado.
O sono já era bem-vindo, quando senti tuas mãos invadindo meu corpo e o calor da tua boca dilacerando meu sexo. Nunca te havia imaginado em mim, não desta forma.
Com a plenitude das almas enamoradas, me entreguei a ti, surpresa com gosto de baunilha. Preenche meu vazio, invade meus sonhos, me dá novo sopro para que assim siga meu caminho sem perder o rumo.
Arrancou de mim o gozo, o suspiro, o devaneio. Conquistou em mim uma nova forma de ver o mundo, de enxergar as pessoas, de reler quem amo, de amar de forma múltipla.
No gesto de domingo, muito mais que volúpia... redenção!