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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Concessão macabra

Uma noite escura. O brilho da lua foi roubado por alguma das aves de rapina que sobrevoavam aquele bosque. Andávamos em silêncio por entre as árvores; parecíamos conhecer o caminho aberto na relva. Não era claro onde estávamos indo nem mesmo o porquê.

Estava vestida com um corset negro, feito de um tecido pesado, com apliques que lembram um voal. Calça colada e uma saia estranha por cima. Botas de cano longo, maquiagem pesada, cabelos lisos e soltos em estilo gótico. Ele vestia calça e camisetas cor de chumbo, botas punk e uma longa capa preta por cima. Os cabelos também estavam soltos e voavam ao toque da brisa da noite.

De vez em quando erguíamos o rosto e nos olhávamos embebidos numa malícia macabra. Certa hora uma árvore frondosa se interpos em nosso caminho. O tronco era largo o suficiente para suportar um corpo em sua base. E como nos sonhos não há muita explicação para o que surge de repente, muitas cordas apareceram nas mãos dele. Lentamente encostei na árvore e ele me amarrou a ela. Os laços marcavam as minhas carnes, aflorando uma lascívia carregada de pesar.

Quando terminou sua arte, baixou minha saia e a calça, tirou as suas próprias e me possuiu, não tirando os olhos dos meus por nenhum instante. O ritmo da respiração era a música rasgando o silêncio da floresta.

...

Exaustos, sabíamos que era imperioso prosseguir, ainda que nossos corpos quisessem permanecer ali embriagados no prazer; me soltou e me refiz, enquanto ele mesmo se recompos.

Seguimos o caminho e um clarão se fez a frente do bosque. Um barulho de água foi quebrando o silêncio e aos poucos um sorriso invadiu meus lábios. Carregava uma espécie de coleira numa das mãos e na outra um chicote de couro. Novamente o olhar que nos convidava ao instinto nos fez interromper a caminhada. Era uma linda queda d'água, naquele momento prateada pela lua baixa que refletia na margem.

Pus a coleira nele e o mandei que se abaixasse em posição de reverência. Sem muitas palavras ele o fez aguardando o açoite. Foram muitos e sonoros, embora nenhuma vez ele tenha reclamado ou mesmo gemido; apenas erguia os olhos quando me cansava.

Achei que era o suficiente. Fiz com que se erguesse e me tomasse nos braços. O momento de concessão que só o prazer nos impõe...

Sem nenhuma julgamento ou censura, seguimos até o castelo que, no meu sonho, representa a nossa vida real. Trabalho, família, compromissos, tudo que sustenta e permite que vivamos o que realmente queremos e o que é latente nos nossos corações. E quem dera pudéssemos permanecer neste caminho por mais tempo além dos sonhos...

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

A Midwinter Night's Dream***

I arrived at my Mistress place and all of my feelings where touched by that pleasant atmosphere. It was inviting enough for wishing a hole life standing there close to my owner. She informed me all the instructions for the night as I entered her garçoniere."-I'm going to set you ready as I'm used to doing. I'm going to leave you alone as long as I want it. I need to take a refreshing shower and latter some delicious meal for dinner. Be polite!, Do not disturb my silence! I want you thinking about how good is this pleasure I offer you!

I was left there naked! My mouth was muted by a silver tape forcing my words inwards. My
silence was enhanced when she inserted those ear protectors due to leave me in contact with the thoughts inside my desire. My Mistress bandaged my head keeping my eyes totally in the dark. Without further words she left.

I was getting blue for feeling nothing but the cold floor under my empty butt. What a sad sadness! I love to be left tied, immobilized for hours and senseless. How I wonder she had tied me, plugged me in! Sad!

Suddenly I felt her hands on my butt cheeks inserting me a toy. My legs were bent to wear some panties. I heard her voice saying "-That makes you more comfortable!".



I was getting excited then I heard a new age song. Calm, soft... my time was coming.

The song was not clear anymore! My Mistress surprised me with her voice, close to my head. I couldn't feel her next to me but her voice. Maybe she was far from me, speaking with her red lips into the microphone.

I got the clue! It was a relaxing game. She was telling me to breath slowly, release the strength I had on my muscles. I was already relaxed with the voice of Her. Everything was perfect! I was constantly ordered not to move my arms and legs.

She told me to feel the scent of patchouli and it was getting stronger! It seemed to be within my nose. I was getting confused! I couldn't tell if my feelings were real or just my mind surrounded by desire.

This feeling play was getting more exciting as I felt a hand pressing my nipples and taking off my panties on my knees. I was confused, and the voice in my brain was telling me lots of nasty words. I was hot! My cock was hard as I've never felt it before.

The tape (as I presume) told me to feel the soft texture of her mouth sliding along my cock. I would love to never stop that feeling. I was put in a trance. I tried hard to move my body but I was immobilized, not with ropes but with my mind. I couldn't move my legs and arms. The voice was there saying what to feel. I was exposed to those words that my body and mind were under control.

I lost the track of reality among those feelings, words and senseless members.

Everything was precisely synchronized that I couldn't notice if I had lost my sanity or not. The voice of my Mistress told me to cum and my cock obeyed! Then I was told to relax and be in silence. It was so confusing, wonderful and inebriating. I was sure my arms and legs where there but I cummed immobilized.

I was relaxed! The voice told me my Mistress was unhappy that she could be healed punishing me. My mind started another cruising trough words and feelings. I was told to imagine a long and flexible cane touching the inner part of the thigh. At first I felt a light burning an then it started a torrent of crackings like rain beating down on my thighs.

Then I heard I would feel a hand turning my body aside to leave my butt free for another punishing act. The voice was telling me the facts that made me deserve those violent blows. I was remembered that I had to be an obedient submissive. That was the only way to make my Mistress happy.

It was so painful each rhythmic stroke I could feel inside my soul. My inert body was taken by the command of my Mistress severe as never.That feeling would remain for a long time as I was informed by the voice not to forget the power of my Mistress.

After consolidating in my mind the sensation of burning in my butt the voice made me relax again. The voice was gone and I could listen to the relaxing music again. The next song came with the presence of my Mistress letting my eyes and ears free again. Then she fed me.

Her skin was fresh and scented as she had just left the shower. The dinner was ready. There was no evidence of incense, cum or cane in the room. Everything was carefully in the same way. My buttocks were burning. That was the only thing that made me sure about everything I'd been through in that room (or in my mind). I touched the burning skin with my hand but it seemed normal. But the burning feeling was there!

*** Conto escrito pelo meu Monstrinho e fofamente traduzido / adaptado pelo Cosmo.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Beijo roubado

Ela amava João. Mas João ainda não a amava. Mesmo assim, eles tinham um porém, misto de reticências, dores e prazeres. João negou o beijo e o afago. Ela, impertinente, procurou na madrugada o consolo para a rejeição.

Maria era bonita, doce, pervertida. Ela não amava Maria, mas a conhecia muito bem.

Pedro era um garoto bonito, descolado. Pedro não a conhecia, mas sabia de Maria todas as noites.

E naquele pequeno espaço de veludos azulados, Maria amou a menina por um instante, quase o mesmo em que Pedro roubou seu beijo... seus beijos, seus afagos. Então ela que amava João, foi amada por Maria e beijada por Pedro.

E beijo roubado é mais doce do que pirulito açucarado... Amor adoçado é elogio-curativo em coração adormecido.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Desenhos pelo corpo

Cerveja, fim de noite, companhia dos amigos, uma sobremesa com chocolate bem melecado, lambuzado.

O combinado com um dos amigos havia sido feito ainda no início da semana. Há tempos não tomávamos uma; muitos devaneios a compartilhar.




Junto com ele, um estranho, quase bizarro, com o corpo todo tatuado, olhar profundo, grandes lábios, atitude provocativa de todos os nascidos sob o primeiro signo do zodíaco, misturada a uma quase enternecedora timidez.

Simpáticos e receptivos como sempre, acolhemos a nova "figura" com bom humor e a tradicional pitada de malícia que faz de mim e do Cosmo a dupla preferida de conversas pervertidas da Trindade.

Eu era apenas eu, uma mulher despachada, mas na minha minha. Comum até certo ponto. Nada de Lady Vulgata, por enquanto. Até que uma saída de 20 minutos revelou a minha identidade.

Ao voltar, notei que os olhares da mesa mudaram. Fui acompanhada no balançar das cadeiras até novamente me sentar. Um tanto tímida, notei a proposta no olhar de Cosmo (o delator). Ok, agora o estranho sabia da minha identidade secreta. Que fazer? Nada que me exigisse. Apenas fazer jus a personagem que tanto prazer me traz.

Cavou toda a ousadia que existia dentro do seu ser e se convidou para tomar mais uma cerveja na minha casa. Aceitei. Sabia que, antes de mais nada, estava curioso para saber mais dos seus próprios limites.

Estava cansada, confesso, porém preferi confiar na minha intuição e no faro de Cosmo - sempre excelente olho para perversões e conselheiro de boas trepadas. Não me arrependi. Pelo contrário, me surpreendi!

As únicas coisa da Lady que ele obteve, além de cordas num bondage simples, vendas e umas leves batidas de chicote vermelho, foi o olhar autoritário e a lascívia dominatrix. Em todo o resto, fui eu mesma, na essência de mulher voraz.

Me pegou de todas as formas, me virou, me penetrou todos os orifícios possíveis, me abraçou, me possuiu, se entregou, se abriu ao meu mundo naquele instante infinito. Um maravilhoso e invejável instrumento ele tem, é verdade, mas a atitude é sempre o que decide nessas horas. E uma boa pegada, qual mulher não gosta???

- Entendo um pouco de nós. Fui marinheiro
- É? Então se solte, vendado, e venha me comer...

Desmanchou parte dos nós com os dentes e o resto com a tal habilidade de marinheiro, conhecedor de nós!

Com toda autoridade que lhe concede a influência do signo, examinou meu peircing e as tatuagens. Olhou muito da minha intimidade e partilhou da maior delas: o sono! Pouco, mas suficiente para nos dar forças para a dança da manhã, equivalente a muitas cestas de chocolate!

Os desenhos do corpo do delicioso estranho ficaram, em parte, tatuados nos meus lençóis...

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Quase quatro horas depois...

Passava das cinco da tarde e meu dia havia sido quase nulo no trabalho. A cabeça não parava de pensar naquelas coxas e naquela bundinha arrebitada, vestindo apenas uma calcinha minúscula por baixo da sainha plissada.

Decidi sair um pouco mais cedo. Foda-se. Amanhã chegaria duas horas antes para compensar o trabalho não feito, porém com certeza estaria muito satisfeita. Meus planos não eram nada modestos; incluíam várias horas de malabarismos instintivos...

Queria ser sádica, sórdida, mas apaixonada. No caminho vinha matutando as mil idéias que me consumiam. Era tanta pira para pouco tempo e um corpo balzaquiano. Bateria nele, com certeza, inclusive por me fazer esperar tanto tempo para tê-lo em minha cama.

Vamos, menina, seja original, pensava eu com meus botões. Abri a porta e decidi deixar minha voracidade falar (assim como dizia o bilhete perdido no casaco) . E onde estaria minha Sissi? Procurei por todos os cantos da casa e nada. Uma coisa me intrigava: a cópia reserva que eu havia dado a ele estava pendurada no chaveiro da cozinha. A pergunta agora era: como ele tinha saído e trancado a porta se a chave estava lá?

Pensei um pouco e nada me vinha como resposta. Já frustrada pelo tesão interrompido, decidi tomar outro banho para relaxar. Talvez assistisse um filme, talvez lesse um livro. Ligar praquela vadia? Nem pensar! Por mais que estivesse preocupada, seguiria meu código de ética com ele até o fim. Um bilhete e um sms não custariam nada praquele cretino...Enfim, não adiantaria arrancar os cabelos ou me estressar.

Pus uma música. Logo meu companheiro de moradia chegaria e com certeza riríamos muito. Fui tirando a roupa e lendo uma revista jogada no sofá ao mesmo tempo. Quando estava praticamente nua, escuto o barulho da fechadura. Putz, meu amigo chegou mais cedo, pensei. Procurei meu hobby e vesti rapidamente.

- Chegou mais cedo, colega?

Ninguém me respondeu.

- Agora tá surdo, é? Saí já rindo em direção à sala...

Qual a minha surpresa, quem está na porta é meu Monstrinho, com uma mochila enorme, sem as roupas que vestia de meio-dia (obviamente) e com ambas as mãos para trás. Os olhares se cruzaram surpresos. Tanto ele não esperava me ver, quanto eu não esperava que ele voltasse, ainda mais sem a chave...

- Como fez pra entrar? E por que foi embora sem me avisar?
- Minha Rainha, na verdade... Ai que droga, queria fazer uma surpresa!

Meu corpo voltou a incendiar. Não disse palavra, mas era como se o Etna retornasse à ativa. Se ele passasse a me fazer surpresas, teria aprendido mais uma das lições de "Sissi": o valor das surpresas para uma mulher.


Nada mais prazeroso e gratificante para uma alma feminina do que surpreender seu par ou ser supreendida.

- Se a Rainha permitir, eu ainda consigo montar parte dela.
- Claro. Agora estou curiosa e excitada pelo que me aguarda. Vi que traz alguma coisa que não posso ver e só por isso não vou me aproximar e te beijar, vadia. Não demore!

Entrei no banheiro e me preparei para um longo e delicioso banho.

- Por favor, Rainha, quando estiver pronta me avise para que eu ajeite tudo aqui a tempo e não estrague a surpresa, gritou minha Sissi querida do quarto.
- Take it easy, babe!

Me perdi nos devaneios. Como já estava excitadíssima, aproveitei para me tocar delicadamente. Passei um pouco de óleo de canela nos seios, com os bicos duríssimos e com o resto acariciava minha bunda, coxas e meu grelo. Quando estava quase chegando lá, decidi parar e ficar molhada. Sairia do banho ainda com o sexo encharcado de tesão, óleo perfumado e água. Pus o tapete mais perto da porta e avisei.

- Estou saindo...
- Um minuto, Rainha... Pode vir

Saí porta afora como uma leoa no cio. Parei na entrada do meu quarto quando vi a cena mais linda que uma dominatrix (e uma mulher) pode viver. Minha cama coberta de flores coloridas, de todos os tipos minúsculos. Um perfume maravilhoso no ar e ele, minha Sissi, vestidinha de meias arrastão, sapatos de saltos stiletto pretos, calcinhas e sutiã que eu dei de presente e uma camisola preta fininha por cima. Estava "linda", cabelos presos e a tradicional cara de safado que nunca me deixa esquecer que trata-se de um homem delicioso.

Ao me ver nua, seus olhos fixaram em algumas partes do meu corpo que sei que ele gosta como seios, pernas e pés. Volta e meia subia e me fitava os olhos com desejo. Ambos temos os olhos verdes, o que nos confere todo o ar de mistério e lascívia possíveis aos portadores desse matiz.

Lentamente eu me aproximei dos seus lábios e o beijei. O beijo dessa vez nada de "morno" tinha. Parecíamos estar num deserto, onde nossa única fonte era a própria saliva.

Passando minhas mãos delicadamente sobre seu corpo, fui sentindo cada pedaço da pele do meu objeto de prazer. É certo que a calcinha tinha um volume muito acima do normal para uma dama, o que me deixava mais e mais excitada. Vi que o safado tinha deixado todos os meus "intrumentos de trabalho" no banquinho ao lado da cama, separadinhos, incluindo as camisinhas, cordas, strap-ons, lubrificante, bolinhas e chicotes. Senti falta do plug verdinho básico. Um sorriso safado invadiu a carinha do meu Monstrinho. Pus a mão na bunda da minha putinha e senti o plug por baixo da calcinha. Meu tesão foi a milhão. Queria morrer trepando com aquele ordinário que tanto me fazia feliz...

Deitei minha Sissi na cama, com toda delicadeza que uma fêmea exige na preparação do coito. Beijos, carícias e minhas mãos tirando a camisola e as meias. Lambi cada parte do seu corpo com carinho. Peguei as cordas, amarrei cada pulso em uma das canelas. Beijei seus lábios e pedi que confiasse em mim.

Vesti meu strap-ons e retirei o plug do seu cuzinho. Lambi todo o seu sexo, as bolas e a entradinha apertada da minha menina. Fiz com que ficasse bem relaxado. Puxei um dos meus lenços da caixa e vendei seus olhos para que se deliciasse com a imaginação da cena, curtindo as sensações, os cheiros, o toque do meu corpo no dele.

Coloquei uma camisinha de menta, bastante lubrificante e aos poucos fui penetrando o cuzinho já arrombado pelo plug. Fui soltando as cordas que prendiam suas mãos para que mergulhasse na cena. O pretinho básico não é tão simples de ser "engolido", mas minha Sissi foi maravilhosa, sugando meu "membro" com voracidade, rebolando no meu corpo extensor, enquando apertava meus seios e gemia baixinho.

As flores se misturavam ao nosso suor. Deitei sobre ele. Os beijos cadenciavam com o vai-e-vem dos nossos corpos. O perfume das flores se misturava ao cheiro do óleo de canela e ao aroma da pele dele. Química mais perfeita entre uma Rainha e um submisso não poderia existir. Cumplicidade maior entre um homem, uma mulher e seus fetiches seria pouco provável.

Gozamos juntos em sincronia de corpos e desejos.

Quase desfalecendo em seus braços, dei por conta que a porta do quarto estava aberta e que, se meu amigo tivesse chegado, nem teria prestado atenção.

- Relaxa! Ele me ajudou. Ou como pensa que fiz para entrar aqui de novo sem a minha chave e como fiz para comprar as flores sem conhecer as redondezas?
- Safados...
- E ainda tem uma coisinha pra senhora comer lá na cozinha, moça
- Jura? Que chique! Estou com fome. Vamos?

Era algo delicioso, mas diante de tanta paixão, perde a graça contar o que os dentes mastigaram após esse tanto de amor...

sábado, 4 de julho de 2009

Doce vampiro


Era como uma sombra na noite fria e vazia. O sono estava abraçando todo o corpo cansado e curioso dela. Já sem expectativas, o telefone toca.

- Ainda me esperas?
- Na verdade estava entregando as vistas...
- Estou em frente à tua casa. Me permites subir?
- Venha

Todo sombrio, semblante e roupas, cabelos presos, mas o mesmo olhar ingênuo de quem imagina que todas as questões estão encerradas na vida aos 21 anos. Sua altivez sempre a comoveu, desde o dia em que cruzaram os olhares naquela tarde despretenciosa.

Mas ontem foi diferente. Ele veio disposto a se deixar conhecer, tanto em suas fragilidades, em seus medos, quanto nas suas virtudes mais secretas. Assim como Lestat se embrenharia na calma de uma noite sensual, ele penetrou na sua vida com uma exposição quase pornográfica.

Cantou, dançou, recitou e fumou. Se permitiu ficar embebido e embriagado com os muitos goles de cerveja e o discurso erótico provocador da rubra ameaçadora.

- Tenho medo de ti, mas anseio por tê-la de forma mais íntima
- O medo faz parte do desconhecido

Uma pirâmide de alumínio, seda e cinzas de cigarro e fumo, música, desenhos, conversas, provocações e diplomacia. Apenas os olhos eram certeiros e coerentes.

Sim, agora eu tenho certeza. Ele fechou o back, soltou os cabelos, deu longas baforadas e me olhou por vários segundos eternos. A concretude nem foi pela doçura dos lábios, mas pela fragilidade que se fez em meu colo e no discurso quase perfeito, denunciando a entrega...

- No fim é o que todos nós queremos: fazer sexo e encontrar o prazer mais básico
- Todo o resto se torna dispensável, meu caro

E assim foi...

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Fábula do hedonismo - a Rainha da luxúria e seu súdito voluptuoso


Num reino muito distante, exatos 314 km, vivia uma Rainha muito generosa, mas um tanto sádica. Tinha gosto por chicotes, clamps, plugs, cordas, strap-ons e outros acessórios poucos convencionais, sobretudo para uma majestade. Muitos bravos cavaleiros já haviam tentado desposá-la, porém ela era conhecida por seu temperamento excêntrico e exigente. Além do gosto distinto, as más (ou boas) línguas espalhavam sua fama de habilidosa nas artes da felação.

A Rainha vivia com seus súditos e muitos amigos, aos quais concedera regalias e honras de nobreza. Era feliz, voraz e sacana, com toda liberdade que uma Rainha tem em ser o que bem entende.

Um dia, um amável forasteiro de longos cabelos escuros, olhos de um verde de matizes invulgares, apareceu nas redondezas daquele reino. Talentoso, encantava às moças do povoado com suas músicas, suas estórias e sua beleza. Carregava consigo a habilidade de divertir, inventar e improvisar. Em pouco tempo, muitas senhoritas do reino da Rainha sádica e generosa já estavam caídas de amor pelo forasteiro. Ele, numa busca errante, embora sempre sorrindo, sentia uma parte do seu coração vazio, como se um incansável vento minuano o atormentasse nas noites de inverno ou como quando a lua brindava Hades com sua ausência. Precisava de calor, do novo e do inusitado. Não sabia bem ao certo porque havia parado naquelas terras, mas algo o atraía para lá.

A Rainha há alguns dias se sentia sedenta por algo novo e mandou, quase que por engano, convocar alguns plebeus para um novo baile. Numa de suas saídas matutinas, cruzou com o forasteiro e, confundindo-o com um nobre poeta da corte, convidou-o para o baile pessoalmente. O forasteiro, encantado com o verde esmeralda dos olhos da Rainha e os cabelos mais rubros que já havia contemplado, sentiu um perfume odor di faemina invadir seu corpo e sua mente. Era um cheiro forte, delicioso, provocador... Precisava ter aquela mulher.

Era dispensável que questionasse quem era porque todos se curvavam quando Ela passava. Mesmo assim ele quis confirmar quem era a dona do perfume mais inebriante que seu nariz havia provado.

- Ora, pois, senhor. Estás tolo? Cá passou a dona de tudo que teus olhos podem contemplar. É a Rainha de tudo e todos nós.

Seus pensamentos voaram. Era um tanto pedante e não enxergava obstáculos para seus quereres.

O dia do baile chegou. O forasteiro pediu emprestadas algumas roupas do verdureiro que o hospedava. Embora as duas filhas do gentil senhor estivessem perdidas de amor pelo rapaz, ele havia observado como a Rainha o fitou com aquele olhar dominatrix que todos no Reino conheciam e admiravam. Resolveu não atrapalhar o caminho da majestade. Não seria prudente...

Os longos e lisos cabelos do rapaz por si só eram um belo adorno. Ao entrar no palácio real, o forasteiro foi recebido com aquele olhar misterioso e impositivo que fazia da Rainha uma majestade sem armas. Lentamente ela se aproximou do belo estranho, pegou na sua mão com força. Ele, sem saber bem como reagir, beijou a mão da Rainha, curvando o corpo ligeiramente em respeito à Sua Majestade. Ela deu as costas, ordenando que a acompanhasse. Como dos seus diversos talentos, não era a dança o seu forte, se esmerou em fazer os passos mais básicos e perder-se nos olhos dela, tentando encontrar alguma utilidade no momento em que sentia seu ser escravizado.

A Rainha, impetuosa, deu vazão à sua luxúria e arrastou o forasteiro para seus aposentos, desafiando todas as regras de boa anfitriã, que sempre procurava manter com maestria.

Abriu a porta delicada e firmemente. Sem ao menos perguntar o nome do moço a quem desejava ter em sua cama, foi logo dizendo:

- Há uma regra neste reino que diz que todo e qualquer homem desejado pela Rainha, entrando em seus aposentos reais, se for pego com uma única peça de roupa, será condenado a perder o que Deus lhe concedeu como objeto de prazer e está exatamente entre o meio de suas pernas, abaixo do ventre e acima do joelho. Pretende ser punido?
- Majestade, Magnífica Rainha, se puder ser complacente com seu súdito e me der a chance de cumprir suas ordens, prometo e juro pela minha honra que em três minutos estarei conforme desejar.

Ao lado da cama estava um pequeno cane com a qual a Rainha costumava brincar. Ela o pegou e batendo firme nas palmas das próprias mãos, deu duas voltas em torno do corpo do forasteiro. Esfregou uma parte do cane nas suas nádegas e ele já afrouxava seu plastron em respeito àquela lei mais que original.

- Sim, meu rapaz, mas aviso que serão apenas 3 minutos, nem um segundo a mais! E em parte do cumprimento da lei, eu devo ajudar o senhor a despir-se para a garantia do dever cumprido.
- Como a senhora quiser, Majestade!

A Rainha tirou a camisa do forasteiro, abocanhando seus mamilos rosados, cravando seus dentes com furor. Com a outra mão, habilidosa por sinal, ela retirou suas calças e suas ceroulas, segurando com firmeza o objeto de punição. Faltavam os sapatos e a essa altura, o forasteiro não conseguia conter seu tesão...

- Por favor, alteza, tenha a bondade de afrouxar o meu membro para que eu consiga tirar os meus sapatos e assim possa honrar a minha promessa.
- Cale a boca, insolente! Restam 30 segundos para que cumpras as minhas ordens e verás como sou rígida nesse ínterim.

Abocanhando o pau rígido do forasteiro, mantendo um olhar sarcástico, a Rainha submeteu o pobre rapaz ao suplício de abaixar-se um tanto de lado, equilibrando-se ao mesmo tempo em que era chupado, para tirar os sapatos e as meias. Enfim o conseguiu, felizmente no tempo determinado.

A Rainha o empurrou contra a cama, ajoelhou-se diante daquele falo formoso e, de uma vez só, o colocou na boca novamente, sugando, lambendo, chupando. A essa altura o moço via seus sentidos o abandonarem. Perdia a noção do tempo e do espaço. Parando por alguns segundos, a generosa Rainha explicou:

- Como vê, meu Reino possui algumas leis um tanto diferentes e por essa razão eu me permito ajoelhar diante de um súdito ou mesmo de um escravo, desde que meu prazer esteja em primeiro lugar para ambos.

Voltando à arte do cunilingus, a Rainha deslizou sua língua para cima e para baixo, enquanto seus dedos reais percorriam o ânus do rapaz, um tanto assustado, mas satisfeito e entregue demais para qualquer recusa ou mesmo protesto.

- Agora a ordem é expressa. Despir-me-ei e deitarei sobre a cama, onde o senhor deve ajoelhar-se na altura dos meus ombros, penetrando minha boca como faria em outra parte do meu corpo que, se eu gostar deste serviço, poderás ter a honra de conhecer. Não pararás um momento sequer e, quando estiver prestes a me inundar, segurarás minha cabeça por trás dos meus cabelos a fim de que eu me prepare para o momento de júbilo. Se assim o fizer, serás agraciado com a oportunidade de beijar todo o meu corpo, inclusive as partes mais baixas.

- Nem em sonho eu imaginava receber uma ordem tão prazerosa como esta, minha Rainha.

Como ela ordenou, sentou de forma que seu membro penetrava os lábios quentes e macios da Majestade como se fossem a própria vulva a engoli-lo. Em poucos minutos, com a furiosa habilidade da Rainha e o incrível prazer que sentia, segurou seus lindos cabelos vermelhos com delicadeza por trás do seu lindo e perfumado pescoço. Sua língua ágil se esmerou em lambê-lo de forma constante, aumentando o tônus para o êxtase e uma enxurrada de esperma esquentou a úvula da Rainha, satisfeita com a ordem cumprida e o prazer alcançado. Suas duas esmeraldas brilhavam com paixão desenfreada. O forasteiro atreveu-se a descer o corpo, sem as ordens da sua Majestade, para beijar-lhe os lábios. O beijo longo selou o amor de Rainha e súdito, que assim permaneceria na eternidade daquele fogo infindável de ambos.

O súdito, honrado com aquela concessão celestial, beijou todo o corpo da Rainha que agora possuía sua alma e seu físico. E era só o começo de uma história com muitos capítulos de felicidade, luxúria, volúpia e prazer recíprocos.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Felicia, de Botticelli



Pensava nela como se pensa no nascimento da Vênus, de Botticelli. Algo ruivo e inatingível, a pele tão clara de doer sem óculos. Como uma aparição divina, surgia no silêncio e enchia tudo de música. A voz, o farfalhar dos panos sintéticos, o bater impiedoso do salto pesado. Pisava como se gritasse "estou aqui" e mesmo um tapete de algodão doce tinha o eco dos corredores de hospital. Eu ali, com a expressão cansada dos anêmicos, sonhava ser um dia um átomo do que ela era.

Não era inveja, nem medo. Um pouco de curiosidade talvez. E muito, muito desejo. Mas isso eu só soube depois. Antes, a cena vinha bege como o cardigã da diretora da escola. Bege feito um peido embalsamado, sem luz nem emoção. Como só um bege sabe ser. Aos poucos, porém, as cores tingiam as imagens que eu invocava no escuro de depois das 10 da noite, no quarto em que eu sozinha conciliava o sono com dificuldade, fumava escondido e descobria prazeres com a alma pesada de culpa. As cores dela, nuances vermelhos, primárias todas e nenhuma fria. Até o azul era aquecido, naquele tom dos céus de brigadeiro.

Na escola, ela chegou depois de todas. Ano adentro, veio a freira principal - aquela para quem todas levantam quando chega - e disse: Felicia acaba de chegar à cidade e vai estudar com vocês. Felicia de cachos ruivos, olhos brilhantes e uma boca que ela insistia em lamber antes de falar. Lábios úmidos, excessivos, que me faziam pensar bobagens proibidas. A boca de Felicia lembrava um número, que virando e desvirando é sempre igual. Um número gêmeo, tipo dois fetos numa mesma barriga. E que fazia ruborizar minhas tias. Mas o porquê disso eu soube depois.

Todos os dias, Felicia existia, e eu observava. Fazia amigos como quem vai à feira e enche a sacola de tomates. Pisava com aquele saltão e a corte se curvava em reverência. Não era mais velha, nem mais inteligente e - tenho quase certeza - não era mais rica. Mas tinha um jeito, uma maneira, um saber fazer inexplicável que deixava as gurias da oitava B e os guris do primeiro A com o queixo tremendo e as mãos suando. E o que mais me intrigava é que ela nem precisava rebolar para isso. Felicia existia, e eu observava de longe. Esquadrinhava, analisava, fazia cálculos. Sutiã 42, mas quase pedindo um 44. Calça 38 ali, espremida. Pés 36, quem sabe. A alma dela é que eu não podia saber o número, mas arriscava a cor. A alma de Felicia devia ser o reflexo de um prisma ao sol. Como o arco-íris que surgia depois daquela chuva de verão.

Depois de alguns meses, quando eu pensava ser Felicia uma obsessão ou uma estátua de mármore italiano, eu tive a visão que um mortal jamais pensou ter. No vestiário da escola, vazio porque há 10 minutos a aula de educação física começara, eu vi a Vênus.
Atrasada como eu, talvez cinco minutos a menos, Felicia perdera a chamada e decidira ficar por ali mesmo, à espera da próxima aula. Ela fumava sem medo das freiras, sem medo de nada. Tragava devagar e soprava fazendo rodinhas no ar. Nua, ou quase, ela estava espalhada no banco de madeira entre os armários - e na hora pensei que ninguém ouviria o pisar das botas. Aquele ser divino e branco tinha seios esculpidos pelo mais perfeito dos artistas. E um ventre de fazer inveja a um fio de prumo. Usava calcinhas vermelhas cavadas, rendadas e dadas a toda imaginação. Oferecia pernas roliças, tornozelos sem máculas e aqueles pés que diziam "estou aqui".

Tremi, vergonha e surpresa presas na garganta embolaram o "oi" que saiu como um "me desculpe". Pensei em sair rápido, mas ela sorriu com os olhos, daquele jeito que não precisa mover os lábios, nem os grandes, nem os pequenos, só um pouco da sobrancelha arqueando. O branco imenso do vestiário como testemunha silenciosa, ao longe o risinho histérico das meninas, mas tudo o que eu podia ouvir era o meu coração acelerado, fazia tanto barulho que eu tinha pânico de Felicia ouvir.

Aí, ela falou. Com aquela voz de música, um pouco rouca como quando se atende o telefone ao acordar de ressaca, um sussurro pecaminoso - e não sei por que eu pensava nessas coisas quando olhava pra ela. "Você também se atrasou, dá um pega aqui", ofereceu o cigarro na segundinha. Pensei dizer "não fumo" porque era verdade, mas peguei e traguei e tossi do jeito que os tuberculosos tossiram na Santa Casa quando as freiras nos levaram visitar. Ela riu, mas não com deboche, só riu parecendo a mãe que ri complacente do filho que dá o primeiro passinho e cai sentado. "Vem que eu te ensino". E tragou, respirou pela boca e a fumaça sumiu por segundos, aparecendo de novo num rolo cor-de-fantasma. Juro que não quis, mas nessa hora, nesse segundo eu olhei os seios dela e reparei que eles eram enfeitados por rosas abertas e não em botão. Rosas cheias de pétalas, de uma cor suave, e de novo pensei bobagens e senti um calor estranho um pouco abaixo da cintura, como se quisesse fazer xixi. Mas não era, só que isso eu soube depois.

Contava os minutos para que chegasse o escuro de depois das 10, quando eu fecharia os olhos e pensaria nela. Pensar eu podia, ninguém podia saber. Só que pensar era pouco, eu precisava de mais e isso me fazia lembrar o Galego do bar da Zana, que pedia mais uma e a Zana dizia chega.

Uma manhã, perto da aula de educação física, respirei fundo e falei: preciso te contar um segredo, Felicia. Vamos no vestiário durante a aula. E ela fez cara de espanto, mas foi. Lá, no silêncio branco, ela parada em pé com os olhos curiosos e a boca muda, os lábios aqueles de tantos que são, pensei "azar" e disse: "Você já beijou alguém?" Diante do quase riso dela, do jeito sábio, quase desmaio e emendo "na boca, com língua". Foi aí que tudo o que eu precisava saber eu soube. Tipo fada, ninfa, Vênus, ela chegou tão perto que senti o cheirinho do xampu e me tomou de leve e me pousou a boca de muitos lábios, primeiro como um pássaro novinho pousa num telhado desconhecido, depois como um morcego invade o quarto de uma virgem pagã. Uma viagem longa, descrever é complicado, mas até hoje eu tento e cada vez é diferente. Tinha música, cores e um gosto de babaloo de uva. Foi tudo tão rápido, do beijo para o resto, que a sensação de fazer xixi se fez molhada mas sem xixi de verdade, era um quente em ondas enquanto ela tirava a minha blusa e a dela e a gente se abraçava numa só, o jeans descendo fácil e os pêlos dela ásperos contra os meus. Na hora não pensei em pecado, nem proibido, só que estava bom e que eu queria mais como o Galego no bar da Zana. Imaginei que meus olhos tinham a velocidade da luz quando vi, num raio, que os lábios outros de Felicia tinham pêlos cor de fogo e formavam um triângulo quadrilátero. Talvez por isso eu ardesse tanto, eu queimasse sem sofrer, eu pedisse só mais uma dose. Ouvi quando ela suspirou, esperta para que ninguém ouvisse, apenas suspirou. Eu, meus líquidos dos prazeres que pesavam na alma escorrendo pelas pernas, ainda me sentia o Galego precisando de mais. Depois do suspiro, Felicia parou. Vestiu-se depressa e nem viu que eu estava ali, com minhas rosas nunca mais em botão e meus lábios todos querendo dizer tanto... Hoje eu já sei por quê.

* Texto maravilhosamente e excitantemente cedido pela minha querida amiga Chuchi Silva

terça-feira, 16 de junho de 2009

Como pimenta para vanilla


Em homenagem à deliciosa matéria-prima que recebi hoje no almoço, segue o conto:

Perto do almoço, o estômago toma conta de qualquer pensamento, ao menos que alguém ou um telefonema desvie a atenção...

- Ooooi
- Olá
- Podes falar?
- Só um minuto... Posso, fala meu tesão!
- Delícia, quero te ver agora
- Mas não pode ser de tardinha, como sempre?
- Não porque tenho aula mais tarde e tô com vontade de te devorar
- Certo. Passo no teu trabalho em 20 minutos, mas não vamos ter tempo de almoçar
- Quem precisa de comida quando se alimenta de hedonismo?
- Safada. Beijo.
- Te espero.

O volume nas calças superou qualquer fome. Precisava ligar para minha esposa no caminho e inventar uma boa desculpa.

- Amor, não dá pra gente se encontrar no almoço. Tenho cliente pra atender lá em Forqueta
- Nossa. Tá bom. Pena. Fazer o quê?
- Beijo. De noite a gente janta juntinhos e depois eu te como gostoso
- (risadinha) Beijo, meu amor

Karina era uma moça bonita, seios fartos, olhos expressivos e uma devoradora de pau. Tinha namorado, mas o cara não a comia direito, essa era minha suspeita. Talvez fosse uma ninfomaníaca, mas isso pouco me interessava. O tesão dela era o combustível dos nossos encontros esporádicos e deliciosos.

Corri para o carro, saí do trabalho dizendo que voltaria logo. Essas burocracias de estacionamento de empresas...
Em menos de 10 minutos encostei em frente ao shopping onde ela trabalha. Lá estava aquela delícia me esperando com a bolsa a tira-colo.
Entrou no carro sem me olhar direito. Esse era o combinado. Andei umas duas quadras até uma rua mais deserta e reduzi, sabendo que ganharia pelo menos um tranco.

Ah, aquela mão, que de boba não tinha nada, rapidamente achou meu pau quase saindo pra fora das calças. Me cobriu de beijos molhados e safados, sussurrando palavras pérfidas no meu ouvido direito.

- Me leve pra onde quiser, meu bem. Quero te foder como só uma boa puta faz: rápido e com muito prazer!
- Você é quem manda

Segui para um parque famoso aqui na cidade também por ser um local mais deserto e ponto de fodas rápidas de safados comprometidos como eu e ela. Estacionei na rua de descida, em frente a um templo massônico, unindo o sagrado ao profano. Era muito frio, chovia e fazia uma cerração fechada. Apesar da temparatura baixa, o clima era perfeito para esconder a trepada diurna em local público. Mal parei, a doida abriu o zíper da minha calça apenas o suficiente para que meu pau ficasse confortavelmente "cavalgável", baixou o banco do carona, mandou que eu trocasse de lugar. Ergueu a blusa para que eu chupasse seus peitos e começou a me comer.

Poucas vezes na minha vida fui comido com tanta rapidez, voracidade e prazer. Essa mulher gemia e apertava meu pau com a buceta de uma forma maluca, indescritível. Quem passava na calçada, com certeza estranhava os pulos do carro. E a gente se fudendo (literalmente) pros olhares alheios. Quanto mais ela rebolava no meu pau, mais eu mordia seus peitos e mais ela gemia. Não deve ter demorado mais do que cinco minutos pra nós dois gozarmos alucianadamente. Se não estivesse de camisinha, a porra teria furado o teto do meu carro, tamanho o meu tesão.

Exaustos, eu de pau mole, ela suada, arrumamos os cabelos, ajeitamos a roupa, trocamos de lugar no carro e voltamos pras nossas rotinas de bons trabalhadores. E eu ainda teria que ter um bom desempenho à noite...


Nada como a pimenta, mesmo quando o ingrediente principal é a baunilha. ;-)

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Minha Sissi


Há várias maneiras de uma Rainha se sentir plena. No meu caso, uma das mais gratificantes e excitantes é ver o esforço do sub em se tornar uma dama, com gestos e atitudes delicadas. Vai muito além das roupas e acessórios. Passa por comportamentos e modo de raciocinar a cena.

Ser uma verdadeira mulher é uma arte e é esse o esforço que tenho feito: treinar meu Monstrinho para ser minha dama. Não pretendo sair com ele "montado", muito menos pretendo que fique efeminado. Trata-se da arte da percepção do que é um ser feminino na essência.

Dez horas da manhã e eu já estava atrasada. Tinha que passar em casa e pegar uns documentos para levar aos Correios. Depois voltaria, almoçaria, tomaria um banho e retornaria ao trabalho com mil e uma reuniões e compromissos agendados até o final do dia. Quando abro a porta, uma surpresa. Vejo uma mochila familiar no canto do sofá. Imediatamente a pressa deu lugar à imaginação, tão fértil quando o assunto é perversão.

Com uma minissaia curtíssima, uma blusinha colada, meias com cinta-liga e um salto relativamente alto, lá estava ele arrumando minha cama. O cabelo estava preso em tranças bem feitas com fita de cetim, assim como a barba estava impecavelmente aparada. Até o perfume foi diabolicamente escolhido por ele para me deixar fora de órbita. Era incrível como ele sabia cada caminho da minha libido. Em segundos eu estava com as mãos nas coxas dele, sem pronunciar palavra, numa voracidade de dar inveja aos garanhões.

- Que pretendes? Não havíamos combinado no fim de semana?
- Sim, mas minha vontade de me tornar sua putinha foi tão grande que resolvi usar a chave que me destes de presente para te agradar.
- Estás uma delícia, vadia. Tenho ímpetos de arrancar tua roupa e te comer, perdendo o juízo e meus compromissos. Mas tenho que sair e é agora.
- Não vai almoçar comigo? (os olhos marejaram)
- Volto e quero o almoço servido. Rapidamente vou comer e tomar um banho antes de retornar ao trabalho.
- Farei tudo como mandou, Rainha!

Saí com a convicação de que meu dia estava decididamente perturbado. Além de tudo que eu tinha a fazer, a idéia de enrabar aquela vadia não sairia da minha cabeça. Despachei os documentos e voltei em transe dirigindo. Se algo dependesse da minha atenção naquele trajeto, certamente estaria fadado ao fracasso. Um misto de tesão, provocação e impotência tomava conta de mim. Eu sabia que não poderia nem deveria comê-lo porque dependia de mim seu treinamento. Se assim o fizesse, perderia a chance de mostrar a ele certas nuances de ser mulher. Quase numa mentalização forçada, estacionei o carro e subi as escadas dizendo "ommmmmmm" pra mim mesma a fim de evitar meus impulsos.

Abri a porta, coloquei minha bolsa sobre o sofá e me dirigi à cozinha. Tudo estava arrumado e pronto. O cheiro era ótimo e a fome já me consumia. Rapidamente ele saiu do quarto e veio até a cozinha me servir. Fez com maestria de uma empregada experiente, observando meu olhar sobre a comida e a arrumação da mesa. Ficou de pé um instante. Mandei que sentasse e comesse comigo, elogiando a comida de forma seca, apenas para satisfazer a necessidade teatral masculina de educação.

Ele agradeceu e sentou-se ao meu lado, servindo-se pouco. Comemos em silêncio. Uma tensão no ar. Eu me contendo para permanecer séria, sóbria, com limites. Terminamos. Ele retirou os pratos e se preparava para lavar a louça. O chamei na sala, dei-lhe um beijo suave, nada erótico, pedindo que preparasse minhas roupas. Precisava de um banho (agora, creio, frio...) e não tinha tempo para procurar, muito menos passar nada.

Um tanto decepcionado (isso só pode ser captado por uma alma feminina), baixou a cabeça diante do beijo frio e da ordem seca. Não sei se ele pôde perceber, mas naquele momento a primeira lição se materializou...

Cumpriu a ordem com esmero, assim como meu banho foi realmente frio em todos os sentidos. Eu sabia que aquilo era necessário, porém me doía fazê-lo perceber primeiro a parte ruim em ser mulher, para depois lhe mostrar a magia de uma vida sensível. Felizmente, estava lidando com alguém impressionamente habilidoso nas metamorfoses da vida. Eu mesma não me sentia capaz daquela forma.

Saí do banho, as roupas estavam prontas. Vesti tudo rapidamente, observada pelo olhar malicioso da minha Sissi querida.

- Quando eu voltar, em quatro horas, quero tudo limpo, inclusive meus sapatos.
- Sim senhora!

Não percebi, mas no bolso do meu casaco havia um bilhete, só percebido ao chegar no trabalho, quando busquei minhas chaves e celular. Nele dizia:

- Rainha, não pude deixar de perceber o quanto és bela, mesmo se esforçando para parecer que não me desejas. Estou tentando ser a fêmea perfeita: sensual, puta na cama; serviçal e eficiente; sensível e observadora. Espero que tenha apreciado minha surpresa e que não deixe de lado o que mais gosto em ti: a voracidade!

O ordinário sabia me provocar. Nunca quatro horas demoraram tanto para passar... mas passaram... e o que veio a seguir? Merece outro post...

domingo, 14 de junho de 2009

Ilusão concedida


Toda mulher quer ser única para seu homem, seja ele seu namorado, marido, escravo, amante... ou tudo junto! Mais do que fidelidade, no fundo da alma, todas elas esperam a satisfação do ego em ser especial, ser única, sentir-se singular, numa ilusão concedida...


Era tarde. Noite gelada. A comida estava pronta, os amigos bebendo vinho e todos os pratos à mesa. O celular teimava em não tocar. Incontinente em sua ansiedade, ela sai escada abaixo rumo ao carro. Sim, ele já deveria ter chegado!
Ao entrar no carro, o tão esperado toque do telefone e a notícia mais que esperada.
- Cheguei!
Mais do que depressa ela foi ao seu encontro. Era natural que preparasse tudo com certa antecedência e sempre tivesse um "coringa na manga" em caso de mudança de planos. Mas dessa vez ela sabia que os céus e os Exus (já que era dia deles) iriam conspirar a favor.

Lá estava ele, com seus longos cabelos e seu ar comportado de sempre. A travessura da aparência eram seus cabelos, volta e meia traídos pelos seus olhos verdes.

Ela o levou para seu antro, onde os amigos esperavam ansiosos, mais pela comida do que pela alegria da amiga ou pela curiosidade de contemplar o moço. Tudo parecia perfeito, mas o que ela queria mesmo era ficar a sós com ele. Adorava os amigos, porém aquele seria seu Valentine's Day torto e atrasado.

Concessões em excesso, ilusões malfadadas... de tudo aquilo ela estava acostumada a ser acusada. Só que esta era uma ilusão concedida. Era plena porque em seus braços se sentia única e Majestade!

As luzes foram desfocando, as pessoas se dissipando e o calor aumentando. Mostrou-lhe as calcinhas novas, dela e dele. Mandou que vestisse a mais rendada, fio dental. Não resistiu ao ver aquela bunda empinada com a calcinha totalmente enterrada. Era pedir demais que ela esperasse. Mordeu, deu algumas palmadas, imobilizou suas mãos nas costas e finalmente o possuiu, com toda pressa que uma Rainha sentimental tem, impulsionada pelo tesão acumulado.

Vestiu seu strap-ons, segurou suas ancas com firmeza e o penetrou, puxando seus cabelos em movimentos frenéticos. Mas o gozo só viria depois, quando ela entregou seus seios e seu sexo a ele. Mesmo com as mãos imobilizadas, fê-la chegar ao ápice sem tanto sacrifício na língua.

Noite afora se seguiu com mais e mais libido, mais e mais gemidos. Seriam mais notas eróticas num blog censurado pelos hipócritas. Porém, é assim que ela espera novamente o momento da ilusão concedida...

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Conto da lua cheia de inverno


Era meia-noite. A lua estava cheia. Sentada em seu divã, a menina má tomava seu Syrah no copo delicadamente marcado pelo batom rosa pink. Do divã ela podia avistar a lua, parcialmente enuveada pela noite fria. Sentia calafrios pelo corpo. A sensação era de algo estranho, não explicável, não paupável; agressivo, ardente. Inebriada pelo vinho e pelas lembranças, Morfeu a tomou pelos braços.

- Disseste que viria até a mim e me faz vir até você? Perguntava um tanto confusa nas próprias afirmações.

O cenário era quente e perturbador. Nas mãos, o velho chicote vermelho. No rosto, lágrimas de angústia e tesão reprimido.
Um estalo. Dois estalos. Três estalos e lá estava ele de joelhos, implorando o seu perdão. Não era possível ver seu rosto, talvez pelo temores de sua própria alma e os caminhos tortuosos trilhados sob a forma de fantasmas.

Ele lambia-lhe as botas e depois os pés. Ela o açoitava com a redenção das Rainhas e a voracidade de qualquer mulher com alma ferida.

Ciente da sua inferioridade diante daquela majestade, ergueu os olhos para ela que, num ato de maestria e compaixão, abriu sua blusa e seu sexo para que ele a beijasse. O beijo era a única forma de demonstrar alguma devoção diante do ato falho de não entendê-la enquanto ser complexo e visceral.

Com toda voracidade que lhe era pecualiar, engoliu seu líquido e tomou seus seios como se a fartura fosse algo fugaz... e assim o seria por longos dias frios até que ambos saíssem novamente dos seus delírios práticos diários e responsáveis.

Ele sabia que era raro aquele momento e queria deixá-la frágil de prazer, o suficiente para que não se encantasse com mais nenhum ser de cabelos longos - ou mesmo curtos.

A língua percorria as coxas daquela menina má e doce. O sexo pulsava e os papéis se invertiam.

- És uma puta! dizia ela
- Sim, sou a maior das vagabundas, desde que assim o seja por ti e para ti
- Ordinário é o que és, porque vem da ordem que a ti mesmo te pautas atropelando meu ser, carregando consigo a perversão
- O que mais desejo é te dar prazer
- Engana-te. O teu prazer te basta pela minha existência. O que mais desejas é provar a ti mesmo que podes sempre mais e domina a quem supõe dominar-te
- Deixa-me confuso, minha Rainha
- Que seja doce a dúvida a quem a verdade pode fazer mal. Agora me coma que é o que melhor você faz!

Ele a tomou nos braços e a amou intensamente, com furor, com ardor, com a paixão própria dos devaneios. Naquele momento, o chicote ficou na mesa de cabeceira porque ela entendeu que não teria utilidade um instrumento desprovido de sentido se o tempo e as circunstâncias não os favoreciam. Restava o prazer pela volúpia, pela simplicidade que a luxúria impõe aos amantes que se entregam aos seus desejos.

E o vinho terminou... E a lua continuou a brilhar... E o divã novamente fez-se solo dos seus venerados pés... E o delírio deu lugar a uma bela fábula...

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Sob os lençóis


O silêncio imperou na casa. Todos já estavam dormindo profundamente, menos ela que não conseguia tirar aqueles pensamentos da mente. O que havia lido naquele dia mexera muito com sua libido. Com certeza planejaria todos os passos para realizar aquele sonho.

Por baixo dos lençóis, ela ergueu a camisola e, já sem calcinha, começou a se tocar. Os seios excitados pelo tesão e pelo frio, pediam a mão quente e aquela boca que arrancava suspiros a cada vez que a tomava nos braços.

Com a mão esquerda ela acariciava os seios, imaginando seu querido. Com a direita tocava seu sexo com suavidade; sexo que pulsava de prazer pela própria imaginação. A respiração era ofegante. As lembranças começaram a figurar como trailer frenético aumentando com a aproximação do gozo.

Ela reprimia os gemidos e aprisionava o orgasmo com cobertas que a protegiam dos 5 graus que faziam naquela noite. O calor já beirava o insuportável e os dedos já não conseguiam tocar seu clitóris, tomado de êxtase... logo seu líquido escorreu por entre as pernas, terminando no ânus, piscando de prazer...

Exausta e satisfeita com o delírio, adormeceu como merecia.


- Preciso te confessar uma coisa?
- Fale
- To com um incômodo tão bom. Algo tão socadinho
- Estava esperando que me falasse sobre isso...
- Uma tanguinha laranja, não fio dental, mas enrolei para que ficasse mais volumosa atrás e acomodasse melhor
- E como está se sentindo?
- Um coisa eu sei, estou com saudades de ti
- Minha vadia, também sinto tua falta

É a isso que me refiro. É a ele que pertence o orgamo solitário mais intenso dos últimos tempos!