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domingo, 2 de setembro de 2012

Vulgaridades

ENSAIO DESPRETENSIOSO SOBRE UM CONTO DE FADAS BDSM*



Estava quase mudando o título deste post quando me veio a idéia de procurar no dicionário o significado da palavra ‘vulgarizar’: tornar muito conhecido, divulgar, propagar. Portanto, o título é perfeito para minha linha de raciocínio.

Tempos atrás eu publiquei um texto sobre a construção do imaginário. Comentei como naturalmente criamos mitos em cima de pessoas que só conhecemos virtualmente ou com alguma distância em evento e festas, fetichistas ou não.

Recentemente comprei o livro 50 Tons de Cinza. Aliás, confesso, comprei logo toda a trilogia mesmo sabendo que os dois outros livros demorariam alguns meses para chegar. Comprei de teimosa, porque a maior parte dos meus amigos já torceu o nariz de cara para a sinopse. Assisti a alguns vídeos e fiquei apavorada quando a estória foi comparada a Crepúsculo – que não é exatamente o tipo de literatura que curto. Resumindo, pelas previsões, tinha tudo para odiar o livro e ter jogado meu rico dinheirinho no lixo.

Porém, surpresa! Eu amei o livro. Li em menos de dois dias as mais de 500 páginas do volume, ansiosa para que chegue o segundo, previsto para o mês que vem. E em meio a tantas críticas e o massacre da autora, resolvi escrever sobre o dito cujo com o pouco de autoridade que minha paixão por livros e meus anos de BDSM me conferem.

Analisemos os fatos. O livro foi escrito por uma mulher para mulheres LEIGAS. O livro tem uma narrativa bem construída, que cumpre perfeitamente aquela vontade louca de devorar uma página atrás da outra. O livro tem romance de forma pouco piegas e nada convencional. O livro mexe com a fantasia de toda mulher – ter em algum momento da vida um homem lindo, que a proteja e por que não rico?

Logo, o sucesso seria fatal. Se a senhora Erika Leonard James queria polêmica, ela conseguiu com elementos simples de acordo com os conceitos mais banais da psicologia social. Considerada uma das personalidades mais marcantes e influentes da Inglaterra contemporânea, a autora pisou num terreno sedento por aceitação. Por mais bem resolvidos que nós os fetichistas e / ou sadomasoquistas sejamos, sabemos que a marginalidade é a nossa praia e isso nem chega a incomodar alguns; mas perturba a muitos.

Li num comentário de um amigo que Cinquenta Tons de Cinza é uma trilogia como Sabrina ou Júlia, ou qualquer romance água com açúcar que recheou os sonhos das meninas-moças das décadas de 60, 70, 80 e 90. Sim, concordo. E eu adorava aqueles romances.

Raramente entro em discussões acaloradas nas redes sociais porque penso que após dois ou três trechos o argumento dá lugar à vaidade numa disputa sedenta pela razão. Prefiro ficar lendo e refletindo. Porém, a reflexão central do sucesso de 50 Tons para mim passa por uma questão importante: por que o diferente precisa ser denso? Ou melhor, por que a leveza de um romance não pode habitar estórias fetichistas ou SM?

Partindo do pressuposto que a literatura, assim como o teatro, o cinema e as artes em geral devem nos levar a mundos distintos por meio do lúdico, do prazer, do novo, do inusitado, da provocação e até do incômodo, qual o grande ‘erro’ de 50 Tons para estar sendo tão criticado pelo público SM? Será que é medo de que muita gente queira de fato conhecer esse mundo perverso, mundano e luxurioso e nos perturbe a paz com suas perguntas ingênuas ou descabidas? Ora, senhores, e isso já não acontece com freqüência mesmo antes destes fenômenos literários que tiraram a poeira das prateleiras de Sade e Bataille?

Mulheres buscando um príncipe encantado, de chicote ou cavalo, sempre vão existir. Aliás, elas estão aos montes no FetLife e em todas as redes sociais, muitas vezes disfarçadas em peles costuradas em letras muito bem escritas, ideologias requentadas e frases de efeito reconstruídas.



Tons indigestos


Ok, o livro é ingênuo para um praticante SM. Concordo. Até porque talvez até eu virasse sub “Alice” se um Christian Gray me aparecesse pelo caminho...rs

O que temos na vida real é bem mais cru esteticamente e na prática! Não há quartos da dor, tampouco concessões contratuais naquele nível. Eu pelo menos nunca soube de nada parecido.

Talvez uma impressão mais próxima da realidade, igualmente despertando emoções, só que de forma mais crível para a mente de um sadomasoquista, está contida no livro Amsterdã SM, do professor Antonio Vicente Seraphim Pietroforte. Na trama - que uns dizem ser autobiográfica - o autor narra as bizarrices da capital do submundo numa perspectiva fetichista. As sensações inquietantes e indigestas nos fazem viajar pelas cenas da capital holandesa. Não a toa é considerada a melhor novela erótica sobre o tema escrita em português.

#ficaadica



Tons inversos


E o que seria a relação Anastacia Steel e Christian Gray real?

Em primeiro lugar, o livro me despertou lembranças, emoções inquietantes e nostálgicas pelas quais me senti confortada em perceber suas existências. Emoções relativas a submissos e dominadores com os quais tive relacionamento. Logo, se as emoções existiram, é porque existe um vínculo do devaneio da autora com as reais práticas BDSM.

O vínculo maior, para mim, foi a inquietação que uma pessoa sente ao entrar neste mundo. A sensação de ser diferente, lasciva de forma insana. Não é rebeldia; é a transgressão de si mesmo. E esta sensação está impregnada nas páginas de 50 Tons, sobretudo na personagem de Anastasia, a submissa.

Outro ponto fundamental que acho similar ao real é como a submissa conduz verdadeiramente a relação. Uma fala de Gray mais ou menos no meio do livro chega a declarar essa premissa com todas as letras. Eis uma ‘verdade’ polêmica da qual sempre falei em textos e conversas. O poder do submisso é muito grande e está na sua satisfação muitas das posturas do dominador. Com a desculpa de agradar ao dono ou dona, o submisso ou submissa se submete a certas transgressões, mas na verdade testa os limites e o poder de quem está acima no chicote, exigindo disciplina, equilíbrio e estudo freqüentes, além de uma sensibilidade e responsabilidade de que pouco se fala neste universo.

Por fim, apesar de ser um livro com poucas entrelinhas – tudo passa a ser muito explícito logo na terceira página -, há algo de revelador nas tentações movidas pelo marketing de prateleira. A dominação psicológica sempre terá mais valor do que qualquer prática ou mesmo teatro SM. E se E.L. James bebeu ou não bebeu da fonte (ela nega em entrevista recente concedida à Revista Veja), só ela mesma para explicar os agradecimentos prévios do livro. Para mim, fica claro que sim. Ela dá detalhes demais para alguém que apenas imaginou um cenário sadomaso. E sabemos muito bem que quando se trata do Lado B de cada um, tudo é muito relativo. Agatha Christie que o diga...

* Texto originalmente publicado no portal iFetiche


quinta-feira, 25 de agosto de 2011

A construção do imaginário



Neste pequeno breviário vou me referir aos dominadores, sobretudo a alguns muitos famosos no nosso meio. Em conversas com alguns amigos do grupo SAT BDSM, e outros sem grupo e de outros grupos, percebi como a construção do imaginário é algo complexo dentro e fora do meio.

No meu estudo, onde recortei um grupo e uma classe de fetichistas, fica explícita, pelas próprias leituras de Sade, Masoch, Bataille, Morin, Millet, Pietroforte, Stanton, Grillet e tantos outros, a percepção de que tudo começa num sonho que pode ou não virar uma fantasia, bem ou mal resolvida na cabeça das pessoas. No geral, todos têm fantasias. Alguns sufocam e outros resolvem assumir.

Óbvio que não vou fazer apologia aqui. O mundo não é BDSM. Não acredito nisso. São tipos de fantasias muito específicas que podem se tornar realidade. Mas acredito sim que todos têm um lado B. Sempre falo isso porque observo o quanto isso sufoca e atrapalha a vida prática das pessoas que se podam.
E construir um perfil dominador coloca para fora os sonhos mais remotos, desde os super-heróis que habitaram a nossa infância; o pai que era o Máximo; uma paixão por mitologia e seres com muitos poderes; a sensação de ser adorado e venerado pelo clubinho do bairro; as brincadeiras com os colegas envolvendo as cordas, as vendas e as mordaças; as privações de sentidos envolvendo ar, água, terra, fogo; o polícia e ladrão; os comandados e os comandantes. E por aí vai. A psicologia está cheia de exemplos e links entre essas construções.

Conversando com um ex-sub muito querido, concluímos que pessoas como Sr. Verdugo, Sr. WZ, ACM, Metatron, Parallax, JonatanStrange, MistressBela, Mistress Belle, Rainha Laura e tantos outros dominadores – e me incluo na lista – nem sempre passam uma imagem fiel acerca de suas personalidades. Os motivos, francamente não sei. Mas tenho duas hipóteses: a primeira diz respeito ao imaginário dos submissos que se apegam às fotos, às descrições que estão em suas mentes sobre dominadores, sádicos e figuras do SM idealizadas; a segunda é a força das personagens criadas por cada um de nós propositalmente e, neste sentido, acho até saudável esse distanciamento porque aumenta o interesse e o tesão.

É freqüente ouvir de submissos, masocas e até de dominadores menos experientes uma certa idolatria para alguns desses nomes. Não que eles não mereçam; pelo contrário. Cada um nas suas especialidades merece toda fama e elogios que possam ser endereçados a eles. São pessoas que ajudaram a divulgar e desmistificar o BDSM em nível regional, nacional e até internacional.
Jade, por ACM-BoundBrazil

Mas pensar que Verdugo andará pelas ruas da cidade com um machado ou que sua vida se resume a planejar cenas com sangue a agulhas é até engraçado. Ou imaginar que WZ e ACM vivem com metros e metros de cordas a punho o tempo inteiro. Ou ainda, que Mistress Bela e Mistress Belle não fazem mais nada da vida do que cuidar dos seus mundos fetichistas e seus discípulos. Mais ainda, pensar que Parallax e JonatanStrange – ou mesmo eu – são pessoas más, sórdidas, que vivem planejando meios de derrubar os pobres iniciantes sulistas em armadilhas é patético. Já ouvi a seguinte frase sobre meu brother: “O Parallax deve ser muito malvado porque a cara dele é de poucos amigos”. Olha gente, se existe amizade real, ali está um belo exemplo! Claro que ele só é amigo de quem realmente sintoniza ou que enxerga verdade nas atitudes. E com ele faço meu coro, assim como garanto que a regra valha para todos do meio que tenham personalidade e caráter.

Há quem fique maravilhado porque vê em meu álbum as fotos com o ACM, assim como comentários carinhosos aqui no meu blog. Gente, ele é uma pessoa de carne e osso, tem sentimentos, simpatias e afinidades. Eu o amo e ele sabe disso. Logo, trata-se de uma relação normal de amizade. E ele nem é tão malvado assim...rs

E não escrevi tudo isso para criticar a construção desse imaginário, mas porque passei a admirar mais ainda essas pessoas, as quais acompanho o trabalho, as ideias, os blogs, algumas posturas e suas desenvolturas com seus instrumentos, sejam físicos ou psicológicos.

Também fiz meu devaneio em cima das conversas com meus queridos. Afinal, são eles que alimentam nossas vaidades, enchem nossas vidas de glamour e de planejamento para tarefas cada vez mais aprimoradas. Viva a prática e viva a diversidade dentro do SM. Meu respeito a todos os mestres e dominadores, e a todos os que se assumem submissos, masoquistas e switchers. Em meio a tudo isso, nem sempre é fácil se sentir com os pés no chão num universo tão fantástico e cheio de possibilidades.


quinta-feira, 7 de julho de 2011

Um jeito diferente de ser submisso

Essa vida da gente, sempre nos surpreendendo. Não que eu não soubesse dos gostos do meu querido, mas não imaginava que poderia obter tanta dedicação e que eu mesma começasse a sentir prazer em algumas ideias sugeridas por ele.
É tão bom viver a cumplicidade e conseguir aliar o fetiche ao companheirismo. Sinto que dei um passo adiante na minha vida fetichista, na minha existência como um todo. Afinal, a plenitude sexual não é mera diversão; faz parte da satisfação do ser humano que busca a felicidade em todos os campos da vida.
Sinto-me feliz, satisfeita e espero que seja apenas o começo de uma longa jornada de aprendizado mútuo para ambos, com muito amor e com o bônus do conhecimento do que e de como cada um gosta.

E aliado a isso, estar trabalhando com o meu amigo e mestre ACM no seu novo longa metragem tem sido um grande prazer e uma grande honra para mim. Taí outra história que pretendo que tenha vida longa, reservando ainda muitos prazeres para ambos e para vocês também! Aguardem novidades...

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Sorvete de creme


Ela queria um sorvete com calda de chocolate e bastante chantilly, bem ao estilo colegial. Talvez sua pureza a denunciasse nos pequenos gestos como o gosto pela sobremesa de infância.
O estranho é que ele adorava aquele sorvete, mas para contrariá-la ou reforçar suas rédeas, resolveu pedir a taça com maçãs cozidas. Engraçado. Em anos jamais o ouvi mencionar maçãs cozidas como um gosto particular. Enfim...
A dominação tem dessas coisas. Há que se fazer contrariedades aos submetidos pelo desprazer da liberdade. Estranho. Eu jamais pensei que cercear fosse sinônimo de dominar, mas há quem discorde de mim e esse coro ganhou a força de alguém especial aos meus olhos e ao meu coração. Respeito. Ponto.

Nas colheradas lentas daquele sorvete pude observar como sou marciana diante deste mundo bedeessemista. Eu apreciei o meu sorvete ao lado de Cosmo, porque a ele não devo nada além do olhar cúmplice. E nem sei bem se a palavra é dever, só sei que o aprendizado é ao mesmo tempo belo e reflexivo.
Não se trata de crítica. Trata-se de observação de algo em que já estive submersa e que hoje me causa espanto quando vejo tão cruamente diante de mim. Talvez porque ao contrário dele, eu jamais planejei nada. Fui sempre impulsiva, improvisada, visceral. E talvez esteja aí o brilho dos olhos que eu senti falta, embora a beleza mesmo assim esteja radiante.
Sabes que te amo, né?

* Este texto é um pequeno mimo ao meu babyboy JonJon e sua CherryLips

sexta-feira, 12 de março de 2010

Sou infantil

Lembra que te disse que um dia me prometi que não ficaria mais de 12 horas triste com alguma coisa? Pois bem, vou cumprir essa promessa mais uma vez, mas antes vou escrever o que refleti. Talvez te sirva...

Hoje cheguei à conclusão que sou infantil. Sim sou muito infantil. Não posso dizer que sou ingênua porque muita água já passou por debaixo 'dessa ponte' e alguma malícia eu aprendi; porém mantenho meus olhos ingênuos diante das pessoas. Falo da minha vida como quem conta uma fábula sem se preocupar com o lúdico do outro. Falo falo falo... sem pudores, sem rancores, colocando todo o meu 'eu' sem artimanhas para obter isso ou aquilo. Dispo-me das roupas expondo minhas imperfeições e cicatrizes, assim como dispo minha alma em busca do novo. Não sei tramar, medir, articular. Se conquisto é por eu mesma, pela minha essência; minha manipulação é a minha transparência.

Sinto saudades de acreditar nas pessoas e daquele tempo onde as únicas promessas e planos eram as brincadeiras do dia seguinte (sempre cumpridas, diga-se de passagem, a não ser que caísse um toró). Sinto saudades de quando não existia msn e e-mail era algo complicado para usar; assim éramos obrigados a olhar nos olhos das pessoas e conversar. Sim, o msn, skype, e todas essas parafernálias facilitam a nossa vida em algumas ocasiões, mas tiram toda a nossa expontaneidade diante das emoções próprias e alheias. Sim, tenho um olhar infantil sobre tudo isso e adoraria ser criança para ter como única diversão os joguinhos e desenhos coloridos em multimídia. Mas eu sou adulta... e fetichista...

Há algumas semanas eu conheci um rapaz que me fez acreditar que algo ainda poderia valer a pena nesse mundo complicado do BDSM. Diante de tantos chatos desprovidos completamente de qualquer repertório, das montanhas de mentirosos que já cruzaram a minha vida, até hoje somente duas pessoas realmente valeram a pena na minha trajetória sadomasoquista - e peloamordedeus não pensem meus amigos que estou falando de vocês, ok! Falo dos famosos e controversos submissos. Sim, até porque submissAs são tão raras por essas bandas quanto araras azuis.

Conheci muita, mas muita gente mesmo. Nem saberia precisar. A maioria não me fez tremer nem um dedo, quanto mais me despertar a vontade de colocar pra fora a Lady Vulgata e seus diabólicos olhos verdes... Alguns valeram a pena pelo corpinho, confesso. Sabia que não seriam bons submissos, mas poderiam ser boas 'saídas'. E foram. Outros foram esforçados, mas não conseguiram conciliar suas vidas com as 'atividades' SM.

Mas valer a pena pra mim é criar cumplicidade, permitir aprendizado, confiar e se entregar ao hedonismo da cena, do momento e do relacionamento que se cria. É ter mais que afinidade; é ter química, parceria e respeito mútuos, não só pelos sigilos sociais, mas pelos sentimentos envolvidos. Já disse aqui que BDSM dessa forma, na minha opinião, é um tipo de amor... e muito prazeroso! Porém tão raro... tão tão raro...

E quem valeu a pena até hoje foi quem me iniciou como domme (sim, isso existe e quem me acompanha aqui sabe da importância do Tolkien na minha vida) e permaneceu com a minha coleira por mais de 2 anos;  e meu amado Monstrinho MZ Submisso, com quem completei um ano de relacionamento SM em fevereiro. Jurava que havia encontrado o terceiro... e este post não tem a pretenção de ser saudosista, tampouco falar das vezes em que nos decepcionamos na vida ou nos equivocamos, mas sim em lançar uma reflexão de como o BDSM pode causar medo nas nossas vidas por ser tão distante dos sonhos que fantasiamos.

Não estou aqui para falar mal do moço. Pelo contrário. Sei que ainda seremos amigos e confidentes. Tive o mais íntimo dele nas minhas mãos e vi nos olhos dele que não é pouco (coisas que nem ele sabia que estavam na sua alma; coisas que resplandeceram no seu sorriso em cada palmada e chicotada que eu dei). Extremamente honesto, franco, carinhoso e cavalheiro, além de inteligente e bem humorado. Entretanto, foi mais um vencido pelos fantasmas da consciência. Acho que todos nós já passamos por isso e são poucos os que enfrentam e vão adiante, por isso é tão comum dizer que "BDSM tem início difícil". Pessoas que acreditam que podem matar seus desejos em nome do que socialmente ou moralmente se convenciona como o correto. Pessoas que se deixam morrer um pouco a cada dia por desejar e abafar!

E também quero falar de algo muito importante que é o mau uso que os submissos fazem das dommes. Somos usadas por vocês, "senhores" (tsc), e nem sempre da melhor forma. Por que digo isso??? Por que a última coisa com que vocês se preocupam quando estão decidindo se querem ou não querem entrar neste mundo é com os sentimentos e as expectativas das mulheres que ali estão para lhes dar prazer (porque não adianta virem com esse blablablá pra mim que o escravo só existe pra dar prazer pra Rainha - é uma via de mão dupla!).

Que me perdoem as profissionais que cobram por isso, mas eu sou domme por prazer. Não recebo nada em dividendos a não ser as carinhas de felicidade dos meus submissos e essa tal cumplicidade tão difícil de se encontrar por aí. Promessas vocês fazem mil: desde expor-se ao ridículo, até desejar coleiras permanentes ("pode mandar fazer" lembra???). Colocam nossos nomes em seus orkuts e msns, dão presentinhos, mandam sms, escrevem todos os tipos de devaneios para que tenhamos certeza da sua entrega. Mas na primeira crise de consciência jogam a toalha e a descartável domme que se lixe e procure outro que a faça feliz!

Infelizmente não é assim. Com essa atitude de vocês, "senhores" (tsc), muitas boas dommes também já jogaram suas toalhas, desencantadas com essa irresponsabilidade com os sentimentos e tempo alheios. Eu mesma conheci algumas e estou no limiar de ser a próxima. Estou muito cansada. Muito mesmo. E se eu sair do cenário saibam que ainda existe a Lady Vulgata, só que ela perdeu a paciência de tentar ensinar, iniciar, ajudar e abrir as portas do prazer para pessoas que só pensam nos seus próprios umbigos. Talvez ela volte a ser aquela mulher baunilha recatada que foi descoberta 'por acaso' por um aluno insistente. E assim eu vivo minha vida pacata, eventualmente encontro meu Monstrinho (porque este é de fé!) e deixo essa loucura de lado.

Eu também passei por isso. Também fiquei com os meus sentimentos confusos após as primeiras sessões. Até porque era casada e nunca gostei de ser infiel. Porém, procurei compreender, serenar, conversar com o Tolkien, expor meus medos e angústias. O tempo mostrou que ele estava certo e que tudo isso passaria (as angústias, os temores, as dúvidas). Mas eu tive paciência, eu me dispus, eu não chutei o balde antes do tempo! Portanto, se valeu para mim que sou domme, vale para vocês que são submissos e vale em muito na nossa vida. Sim, temos que saber o que queremos pra nós, o que sentimos, o que bancamos, mas precisamos dar oportunidade à vida de nos mostrar todos os viéses daquele novo matiz que nos apresenta chamado BDSM antes de tomar uma decisão final!

Queridos, não façam as dommes de bobas. Sei que há muitas mulheres que não mereceriam ser chamadas de dommes e fazem misérias com vocês, mas estas nem deveriam ser chamadas dommes e nós, mulheres hedonistas por essência, não temos que pagar por elas. Quando encontrarem uma boa mulher disposta a realizar as fantasias de vocês, sejam no mínimo gratos à vida... e espertos em mantê-las...
Jamais estabeleçam compromissos de submissão e de coleira se não têm ABSOLUTA CERTEZA do que querem. Se assim for, se há curiosidade mas não firmeza, sejam honestos. Certamente a boa domme os iniciará com o mesmo empenho, só que ela mesma não criará expectativas acerca de um novo submisso.

Realmente lamento por mais esse episódio. Fizemos tantos planos e eu sei que você estava falando a verdade. Assim como sei que já havia muito mais que BDSM entre nós. O olhar, a pele, o beijo e os abraços não mentem jamais, sobretudo para quem é fetichista. E que o tempo, o mais sábio dos conselheiros, resolva essa situação para ambos que estamos sofrendo!

Desculpem pelo desabafo, mas este é um blog primeiramente de Confissões.

Beijos

LV

quarta-feira, 3 de março de 2010

Indiretas comportadas


Dizem que encontros casuais produzem as mais arrebatadoras paixões. Está nos filmes, na literatura e no empirismo coletivo.

O primeiro encontro foi casual. O que ela queria era apenas jogar conversa fora com amigos e conhecer mais um do meio BDSM considerado 'legal' por sua parceira domme, corroborando sua luta diária para tirar o pessoal do armário. Ok, ok. Foi ótimo. Muitas risadas e conversa animada, regada a cerveja e batata frita.

Uma afinidade muito sutil pode ser percebida por alguns e passou na mesmice por outros.

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Dias de trovão. A vida dela vira de cabeça para baixo, sem aviso prévio, sem lutas, sem surpresas. Porém, que seja doce a dúvida e quem a verdade faz mal. Era o que todos esperavam... Resultado: portas abertas para o novo!

Ele se ofereceu para fazer algo por ela que levantasse seu astral. Ela propos, sem segundas intenções, que fossem dar uma volta e comer alguma coisa. Solícito, ele concordou e a buscou pontualmente, com todo o cavalheirismo e cordialidade que um gentleman sabe ter.

Nas entrelinhas, a submissão.

- Queres ir aonde?
- Dê mais uma volta e escolheremos

Mais alguns quilômetros e ela escolheu um restaurante japonês, saudosa dos sabores nipônicos há tempos experimentados e vividos. Sentaram-se. Comeram. Beberam. Conversaram. Indiretas comportadas eram expostas de forma natural em meio a olhares taciturnos. Ele entendeu. Ela desejou. Ele também.

Ambos se portaram como dois novos amigos com muita afinidade, respeitando a proposta inicial do encontro. Porém, acessórios são uma doce armadilha para um fetichista. No caso, dois. Além do couro dos bancos do carro, que sempre despertam lascívia nos praticantes do BDSM, ele havia comprado 'a coleira', junto com as cordas que há tanto ansiava que fossem usadas em seu corpo. Talvez a consciência o tivesse traído e, lá no fundo, ele havia feito de propósito, prevendo sua luxúria.

Ao colocar a coleira no pescoço dele, a perfeição impensada das medidas contribuiu para que todas as convenções fossem quebradas. Encaixou a guia e o puxou para si num beijo cheio de tesão.

E aquele cheiro que só nosso detector de feromônios reconhece se fez presente, pleno e saudoso por dias mais alegres. Misto de nostalgia e esperança. E seu chicote ganharia plenitude novamente.

Estava selada a união mais sublime entre duas pessoas: a que congrega a química, admiração, afinidade e uma mesma busca...

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

O que eu quero de ti, alma submissa?

Quero o teu eu, absorto na minha luxúria, compreendendo que não nasci para rótulos e que toda a minha beleza reside na ousadia em ser eu mesma...



Ser tão liberta que possa me permitir o máximo do prazer em me aprisionar em teus braços e em teus carinhos, sem temer um novo nascer do sol. Porque não importa se o amanhã será de passos ladeados; importa que o hoje foi de passos intensos, cúmplices...

Portanto, alma minha, entrega teu corpo aos meus caprichos e teu coração aos meus cuidados, e de ti só restará a satisfação de ter sido usado pela tua Dona, tua Rainha, tua Soberana - aquela que realmente sabe o que tu desejas, ainda antes que tu mesmo o saibas!!!

Relaxando em meus braços

Há algum tempo venho estudando hipnose. Sempre achei algo interessante e uma vez até me submeti a uma sessão em Brasília sob a supervisão de um profissional.

O interesse pela hipnose erótica começou como uma curiosidade do meu Monstrinho no início do nosso relacionamento. Passei a devorar tudo que encontrava sobre o tema e até um curso de técnicas básicas fiz. O que sempre dificultou a prática entre nós é que a hipnose exige testes e tempo. Geralmente não dispomos de muito tempo e acabávamos por matar as saudades de outra forma. Por outro lado, com os outros submissos com quem me relacionei neste ano, não houve afinidade o suficiente para que eu me aventurasse a testar meus dotes de hipnodomme.

A primeira tentativa com MZ foi um desastre. Havia gravado alguns trechos, com direito a trilha celta e tudo, para usar na segunda parte do teste. Porém, não consegui fazê-lo relaxar e ainda por cima a ereção que ele manifestou logo nos primeiros minutos fizeram com que minha concentração fosse por água abaixo. Ok, não podemos acertar sempre de primeira, né... Mas minha natureza é insistente. Enquanto não esgoto as possibilidades de sucesso, não desisto!

Estava planejando como faria para testar novamente, sem muitas perspectivas. Na última sexta em que meu Monstrinho esteve aqui eu realmente não pretendia hipnotizá-lo. Mais uma vez ele não ficaria muito tempo e eu queria aproveitar para experimentar um novo "desenho" de bondage. Porém, a certa altura da noite, senti vontade de colocá-lo no meu colo; nem sei se por impulso de cuidar da sissy ou de realmente fazê-lo relaxar. Foi um momento especial entre nós porque foi muito além do bdsm... foi um momento onde os sentimentos afloraram!

E quem já me conhece um pouco sabe o quanto sou romântica na mesma medida em que sou safada...

Fui falando baixinho no seu ouvido enquanto manipulava algumas partes do seu corpo, alguns pequenos prendedores, intercalando com um lento cafuné. Ele fechou os olhos e fui dando alguns comandos. Percebi que estava cada vez mais relaxado e que, naturalmente, respondia fisicamente aos meus desejos sussurrados. Eu mesma me abismei com a pronfudidade que consegui obter por meio dos meus comandos despretenciosamente hipnóticos. Talvez por isso não tenha ficado muito tempo e o chamei. Tive que dizer três vezes seu nome verdadeiro para que voltasse a si, todo cheio de sorrisos, com os olhinhos verdes brilhando pra mim.


Sim, naquele momento fui mais Rainha do que normalmente sou; rainha porque consegui levá-lo, pelas minhas mãos, a lugares que ambos desconhecemos, mas que com certeza são prazerosos; rainha porque alcancei a plenitude da dominação, ainda que por alguns momentos; rainha porque sei que podemos progredir e realmente alcançar sensações ainda inimagináveis; rainha porque finalmente consegui abrir a porta de um novo fetiche.

Reviso, portanto, um texto anterior meu onde afirmo que um orgasmo simultâneo brinda um momento de afinidade absoluta entre domme e sub. Ainda concordo com isso; mas o que vivemos naquela madrugada prova que há meios de conseguir uma afinidade transcendente, que ultrapassa os limites do bdsm e consagra o amor e o respeito entre dois seres que se permitem o hedonismo!

domingo, 4 de outubro de 2009

A primeira impressão é a que fica

Este post é uma homenagem aos 8 meses de coleira do meu Monstrinho MZ...

Msn é algo que, na minha opinião, é geralmente um recurso mal utilizado pela maioria das pessoas. Além do insuportável "miguxês", há que se topar com aquelas pérolas de criatividade: "Oi td bem? Tcl de onde?" (sendo que foi o cara que te adicionou e muito provavelmente pelo orkut)...

Poderia fazer um post sobre isso, mas o espaço seria outro. Só comecei falando do Msn porque foi a única vez em toda a minha vida de internauta que eu adicionei algum endereço que vi num orkut aleatoriamente. A foto não me chamou a atenção, até porque tinha certeza que era fake, e o perfil não tinha nada de mais, a não ser um fetiche comum. Porém, foi algo tão estranho que até hoje não consigo lembrar exatamente do momento em que copiei e colei aquele endereço.

Pois bem, este endereço de msn era o do meu Monstrinho...

De cara a gente se deu bem, num papo bem humorado sobre uma viagem em comum. Aliás, eu realmente achava que ele era um dos caras que eu havia encontrado na viagem aos Andes do início do ano. Ele fez a viagem há três anos e só descobrimos isso depois de muito papo. Daí eu me toquei que era o tal endereço que eu resolvi adicionar sem pudor e, mais ainda, que pelo jeito estava tendo sorte. E para surgir a vontade de nos encontrarmos pessoalmente foi um pulo.

Nosso primeiro encontro foi divertido e excitante, como deve ser. Estava hospedando pessoas de um programa do qual participo e, naquela época, minha filha estava de férias. O fato é que o programa que o japa que eu tava hospedando tinha marcado furou e ele voltou pra casa. Péeeeeeeee. Como eu iria mostrar meus dotes de domme sem levantar suspeitas? Também não poderia fechar a porta e ficar me agarrando com alguém sob pena de ser mal avaliada no programa e causar uma péssima impressão.

O jeito foi rir, trocar uns beijos escondidos e uns amassos... porque quando o japa voltou, Monstrinho já estava tirando minha blusa e abrindo a minha calça...

Pensei, pensei, pensei e uma idéia me veio à mente pelo menos para deixá-lo com gostinho de "quero mais". A parede ao lado da porta do meu quarto é grande e quem vem do corredor não pode enxergar quem está encostado nela. A acústica não é perfeita, mas o ap é antigo; ainda guarda certo sigilo.

Empurrei aquele que se tornaria meu cabeludo preferido para a parede, peguei meu chicote vermelinho de bastão ao lado da cama e o coloquei no meio das pernas dele, de forma que ele precisasse ficar nas pontas dos pés para não machucar as bolas. Com a coxa direita, afastei suas pernas e com a mão esquerda levantei sua blusa. A essa altura o olhar dele já havia mudado e a respiração estava a mil.

Tinha vontade de bater nele, chupá-lo, amassá-lo e tudo o mais. A química era incrível e eu mal podia acreditar que tinha achado o MEU sub. Ele gemia baixinho pro japa não ouvir. Eu dava os comandos e fingia não escutar o que ele implorava. Até que eu mordi os mamilos dele pra valer, sentindo seu pau explodindo de tesão dentro das calças. A amostra foi tão boa que ele voltou, continua voltando e cada vez quero que volte mais e mais pra minha cama, pro meu chicote, pro meu strap-ons e pros meus braços.



E até hoje a parede é usada para prensá-lo, como forma de relembrar nosso primeiro encontro...

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Seis mãos

Dividir o cenário de comando com meu Monstrinho - Esta situação me parecia absurda sob qualquer hipótese, mas não naquele fim de tarde, quando a terceira pessoa era quem era. Pelas janelas da minha alma, ela se mostrava aflita; pele clarinha, seios bem feitos, barriga lisinha, belas coxas e um traseiro convidativo. Os olhos são tímidos, contrastanto com a boca gulosa, sedenta de prazer. Os cabelos médios escuros, lisos, muitos brilhantes e cheirosos.

Não sei como ela chegou ao meu quarto, mas sei quem a levou. Estava me testando? Ao invés do constrangimento, uma sensação de torpor tomou conta de mim. Olhei para ela como se avalia uma peça de rara beleza. Ele, postado estrategicamente atrás da moça, murmurava palavras sacanas em seus ouvidos, sem tirar os olhos de mim.

Parte dos longos cabelos do meu sub - agora, um partner cheio de atitude em comando - caía sobre os ombros alvos da belle de jour. Aos poucos ela se entregava e permitia que suas roupas fossem jogadas longe. As mãos dele percorriam todo o seu corpo, parando de forma mais longa nos seios. Ver os olhos dele se fecharem ao tocar os bicos dos seios dela me enchia de tesão e fui me aproximando. Atrevida, fez menção em escondê-lo de mim, como se o quisesse com exclusividade ou se tivesse a real propriedade. Ledo engano. Neste ínterim, quem comanda sou eu e ela entenderia isso rápida e deliciosamente...

Mais uma vez os lábios dele se moveram da nuca para o ouvido, murmurando algo que destravou suas pernas. A essa altura eu já sentia a respiração da bela no meu queixo, tão próxima eu estava, encarando-a com autoridade e desejo.

A habilidade do meu sub ainda não havia se desvencilhado da calcinha, tarefa que ele endereçou a mim pelo reflexo verde na penumbra. O vento soprava forte na janela, fazendo o corpo dela ficar mais rijo. Com a mão direita, afastei a calcinha e toquei seu clitóris, úmido e excitado. Com meus lábios a beijei com ardor, conquista e consumação. Com a mão esquerda atravessei o corpo dela, tocando o sexo do meu sub que já empurrava seu traseiro. Num instante me desfiz da última peça que ela usava.

Enquanto a beijava e a masturbava, sentia o ritmo da respiração dele aumentar e reagir às carícias no seu membro. Um das mãos dele então passou pelo meu pescoço e me puxou. Ela, aprisionada entre nós, se obrigou a presenciar nossas línguas se enroscando. Mas ao contrário de protestar, passou a participar e nos tocar com suas mãos, numa atitude ainda passiva, porém desejosa.

Tímida, suas mãos percorriam meus seios, como quem descobre um passeio diferente de férias. Larguei a boca dele e voltei a sentir o beijo mais delicado da moça, que me pedia com o olhar que fizesse aquilo que nem ela bem sabia o quê.

Olhei para ele, que sorriu maroto, aprovando minha intenção. Desci com os lábios pela barriga, coloquei uma das pernas dela em cima da minha cadeira em frente ao notebook e comecei a usar a língua maliciosamente. Não sei se estranhando o piercing ou porque realmente meu talento é admirável, ela se contorcia e dava gritinhos. Ele a segurava, beijando suas costas, acariciando meus cabelos. Quando notei que ela estava próxima ao gozo, segurei o intrumento dele com força, impelindo-o para que a penetrasse. O movimento dos quadris de ambos denunciava a tentativa feliz.

Com um movimento da cabeça, pude sentir o sexo dela pulsando e o dele tocando minha língua enquanto eu a chupava. Ambos iriam gozar muito rápido.

Os gemidos aumentaram e a violência dos movimentos agora era evidente. Afastei o rosto e ele, parecendo entender minha volúpia, tirou o pênis dela para gozar na minha boca. Felizmente ele não esqueceu que todos os seus orgasmos me pertencem. Os jatos passaram pela pele e pelo gozo dela, inundando meu rosto de prazer.

Levantei e fui até o banheiro me recompor. Quando voltei, ambos me olhavam com cara de satisfação, como se eu houvesse realizado uma fantasia impossível. De certa forma, havia alguma razão nos olhares, mas eu pouco me importava. Afinal, nenhum amor anula nossa animalidade!

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Minha vadia agora com registro



Meu Monstrinho, este é apenas um símbolo do nosso vínculo. Agora oficialmente me pertences, já que há tempos de alma já me pertencias...

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Quem conduz é o sub


Muitos dominadores vão querer o meu couro pela minha afirmação, mas é uma tese que defendo e admito para os subs com mais repertório: numa relação BDSM, quem conduz é o submisso.

O objetivo do dominador é dar prazer ao submisso por meio dos castigos, confirmando sua vaidade e sua supremacia. Os limites do sadismo, na minha opinião, se pautam onde termina o prazer de infringir a dor e começa o machucar sem função coercitiva nem erótica. Sendo assim, a dor e o prazer do submisso passa a ser o norte da relação SM.

Meu Monstrinho sempre atiça minha curiosidade. Esse é o principal motivo pelo qual é o meu sub preferido (Tolkien, antes que te magoes por ainda não ter sido citado, ainda tenho saudades de ti e sempre vou ter). Graças a astúcia dele em me sugerir coisas nas entrelinhas, comecei a estudar sobre hipnose e me aprofundei em feminização, por exemplo. Conversamos muito, somos amigos e temos respeito um pelo outro, isso é o que mais importa na relação que mantemos.

Não seria possível mantermos um relacionamento BDSM, ainda mais à distância, se não houvesse confiança e cumplicidade. Já erramos, sim, mas sempre tomamos a lição como aprendizado e fortalecimento dos laços de domme / sub e de amizade.

Enfim, a polêmica existe para provocar e para acrescentar. Quem discorde de mim, se manifeste!

As práticas e as preferências

Antes de qualquer coisa, é importante que eu coloque minhas preferências, embora elas mudem com frequência de acordo com as descobertas e leituras que faço. Meu Monstrinho (como carinhosamente chamo MZ) tem contribuído para a metamorfose dos meus gostos.

1. Sou praticante e defensora da inversão como forma de prazer máximo aos homens que se permitem prazer total e às mulheres que se deleitam experimentando o falo como instrumento de dominação. Pratico há algum tempo e tenho me aprimorado na técnica.

Nesta prática, tenho um "brinquedinho" que chamamos de Pretinho Básico. Ele tem 23 cm e é objeto de temor para alguns e prazer para outro especificamente. Por ser um tanto pesado, dificulta o suporte do strap, mas nada que a habilidade e a prática não superem.

2. Sou apaixonada pela arte do bondage e do shibari. Mas sei pouco. O básico faço faz tempo, mas estou aprendendo com meu sub (sim, a gente aprende muito com eles...) a fazer nós lindos, com materiais diferentes e com funções diferentes.

3. O spanking é definitivamente O Instrumento de dominação física. Quem nunca levou uns tapas na vida? Além de ser prazeroso bater (e creio, receber), remete às lembranças mais mundanas do íntimo que, frequentemente, trazem um prazer quase inexplicável. Sou adepta do spanking simples ao moderado.

4. Hipnose erótica é minha mais nova curiosidade sexual. Tenho lido e estudado muito sobre o assunto. Minhas práticas ainda sao tímidas, mas deram bons resultados. É o que pretendo me aprofundar com mais intensidade nos próximos meses.

5. Feminização e práticas crossdressers: Para quem não sabe o que é um CD (ou crossdresser), trata-se de um homem, quase sempre heterossexual, que se excita com a própria figura vestida de mulher. Os acessórios como lingeries, corserts, espartilhos, sapatos de saltos, botas, meias e cintas-liga fazem muito sucesso entre os CDs.

Transar com um CD é uma experiência que aprendi a gostar. Inicialmente achei que não iria curtir, mas depois fui tomando gosto pelo ato de subjugar um homem e utilizar a dominação psicológica sobre ele. Muito frequentemente os CDs não se aceitam no seu próprio fetiche e isso abre uma linda brecha para que sejam dominados. Eu particularmente me excito em imaginar que tenho uma putinha na minha cama sob meus comandos.

Já a feminização é o treinamento do sub para se portar como uma mulher. Mas não se resume apenas aos acessórios ou roupas e sim às atitudes femininas, que podem estar ligadas a alguma fantasia bi ou lésbica da dominatrix. Enfim, como dizem que toda mulher é um pouco lésbica, eu me aproprio do conceito porque me é conveniente. Também é uma prática que pretendo me dedicar mais nos próximos meses.

Além dos que detalhei acima, gosto e pratico massagem de próstata, mumificação, candle wax, privação de sentidos, facesitting, vendas/mordaças/plugs/prendedores e outros apetrechos, brincadeira dos cheiros (nome dado por mim ao treinamento olfativo dos meus subs, onde utilizo aromas de frutas, óleos, ervas e essências); cinto de castidade e privação de orgasmos.

Eu faço sexo com meus subs, mas como forma de prêmio. A todos permito que pratiquem sexo oral e frequentemente os brindo com minha habilidade felativa porque me dá muito prazer chupar pau (não há como dizer isso sem ser assim...). O sexo em si é uma paixão e uma delícia. Transaria várias vezes ao dia. Mas entendo que, no caso do BDSM, é uma espécie de ápice da relação. Quando uma domme e um sub conseguem chegar ao orgasmo juntos, está brindada a afinidade entre ambos!